segunda-feira, 10 de julho de 2017

A volta (fracassada) de Aécio. Por Jasson de Oliveira Andrade


Por 11 votos a 4, o Conselho de Ética do Senado arquivou o pedido de cassação de Aécio. Para o senador Lasier Martins (PSD-RS), que votou pela cassação, o resultado é negativo para Aécio. “Não tivemos agora julgando a cassação, mas a admissibilidade ou não da representação. Sempre defendi que o processo seria saudável para Aécio provar (sic) que é inocente. Da maneira que ficou, PERDURA A DÚVIDA (destaque meu)“.

Após ficar livre da cassação, Aécio discursou no Senado. Kennedy Alencar, em texto em seu BLOG, sob o título “Discurso irrelevante (sic) mostra que Aécio colheu o que plantou”, comenta: “O discurso de retorno de Aécio Neves ao Senado mostrou a imensa perda de força política do político mineiro. Basta comparar o discurso atual com falas anteriores, especialmente quando usou a tribuna após perder a eleição presidencial de 2014 e durante a sessão no ano passado [2016] que votou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. (...) O senador saiu de uma posição de ataque, prestígio e conforto para uma atitude de defesa, irrelevância e constrangimento. Aécio costumava criticar petistas quando eles diziam que haviam cometido erros e não crime. No discurso, usou a mesma fórmula. (...) Negou ter cometido crime, APESAR DE AS PROVAS CONTRA ELE SEREM MAIS CONTUNDENTES (destaque meu) do que em relação ao presidente Michel Temer se forem levada em conta a gravações que o empresário Joesley Batista fez contra os dois. (...) Aécio indicou claramente um primo [Fred] para receber recursos de Joesley. Por que um EMPRÉSTIMO (destaque meu) de tal magnitude precisaria ser feito com entrega de MALAS EM DINHEIRO (destaque meu) e não uma transferência bancária? Aécio não pediu uma nota de R$ 100, mas R$ 2 milhões. (...) Faltaram respostas convincentes. Aécio repetiu o que vinha dizendo, em sintonia com a defesa do presidente Michel Temer, ao falar que foi vítima de um criminoso. O tucano não tem mais um futuro promissor. De certa forma, colheu o que plantou ao não aceitar o resultado eleitoral de 2014. SEM CLIMA – Aécio foi aconselhado a não reassumir a presidência do PSDB, sob pena de provocar um racha no partido e abrir uma discussão para afastá-lo definitivamente do posto. (...) É um caminho sem volta. Dificilmente ele conseguirá retornar ao comando do partido. Não tem mais força política para isso. Ele tem defendido a permanência do PSDB no governo, mas sofreu contestações de outros tucanos. O PSDB continua fortemente dividido em relação a Temer”.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “O retorno de Aécio”, asseverou: “Um clima de constrangimento marcou o retorno de Aécio Neves ao Senado. Depois de 46 dias afastado, o tucano voltou à tribuna para se defender. O discurso atraiu muitos jornalistas, mas não despertou o mesmo interesse nos senadores. Quando ele começou a falar, apenas dez colegas estavam no plenário. (...) O senador adotou o roteiro de todos os políticos sob suspeita de corrupção. Exaltou a própria trajetória, citou a família, manifestou “indignação contra a injustiça” e disse que não perdeu “a serenidade e o equilíbrio”. (...) Depois de atacar o delator, Aécio fez um anúncio: “Quero dizer que errei. E assumo aqui esse erro”. Parecia a deixa para algo importante, mas ele não demorou a desfazer a impressão. Na versão do tucano, seus erros foram cair numa “trama ardilosa” e dizer palavrões ao telefone. (...) O eleitor que esperava uma autocrítica terá que continuar esperando”.

Janio de Freitas, em artigo, afirmou: “(Aécio) Disse coisa a seu gosto e proveito. Por exemplo: ”Os R$ 2 milhões [recebido de Joesley] foram empréstimo”. Ou “Fui vítima de uma armadilha engendrada por um criminoso de mais de 200 crimes”. Logo, Aécio tinha com o “criminoso confesso” UMA RELAÇÃO ÍNTIMA (destaque meu), a ponto de a ele recorrer para um empréstimo alto. Aliás, recebido, embora não (sic) como empréstimo, MAS COMO DOAÇÃO PEDIDA (destaque meu)”.

A volta de Aécio ao Senado, como vimos, foi um FRACASSO. As suas explicações foram mais uma confissão do que uma defesa. Além do mais, ele tem NOVE denúncias. O seu futuro é muito duvidoso. Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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