segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tucanos em cima do muro sustentam Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Temer dedicou a semana tentando convencer o PSDB a não romper com o governo, onde tem vários ministros. Se os tucanos romperem será o fim do presidente. Por enquanto, o partido está dividido. Uma parte apoia Temer, outra defende o rompimento. Uma ala está em cima do muro, outra desceu do muro. Qual vai prevalecer? Até agora não se sabe!

Vinicius Torres Freire, em artigo na FOLHA, comentou: “Para sorte de Temer, o PSDB ora está meio isolado. Um relato de segunda mão diz que a conversa de Temer com FHC e Tasso Jereissati foi “diplomática”, “cortês”, mas “não muito boa”. (...) Temer chiou e acuou o PSDB. Tucanos dizem que estão indo, mas não foram, até porque o partido está, para variar, SOBRE UM MURO RACHADO (destaque meu). Está aí um problema para a estratégia de Temer”. 

O Estadão (31/5), na reportagem “Temer apela e tucanos fazem defesa do governo”, noticia: “Apesar da pressão das bases tucanas e da bancada da sigla na Câmara [ entre eles o deputado Carlos Sampaio, de Campinas ] pelo desembarque dos tucanos do governo, o apelo do presidente surtiu um resultado imediato favorável ao governo, que tenta emplacar a narrativa que o pior já passou”. Será? O presidente tenta. A reportagem do mesmo jornal, sob o título “Temer apela a Alckmin para impedir cisão do PSDB-SP”, mostra que não está fácil o apelo ser atendido, visto que o partido está rachado: “O presidente do PSDB-SP, deputado estadual Pedro Tobias, convocou prefeitos, deputados e dirigentes do partido para uma reunião ampliada da Executiva que deve deliberar sobre o tema. Ao ESTADO, Tobias disse que defende o rompimento do PSDB com Temer”.

Já o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defende o apoio do partido ao governo Temer, do qual faz parte. O Estadão noticiou: “O ministro das Relações Exteriores, o tucano Aloysio Nunes Ferreira, evocou o clássico do escritor francês Gustave Flaubert para defender a lealdade (sic) de seu partido com o governo Michel Temer: “O PSDB não é Madame Bovary”, afirmou, em referencia à personagem do século 19 que trai o marido e tem um fim trágico”. Alberto Bombig, no texto “PSDB não é Bovary, mas sofre com seu bovarismo crônico”, escreveu: ”O PSDB pode até não ser a Madame Bovary, conforme disse o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Mas é inegável (sic) que o partido sofre de bovarismo, a denominação surgida a partir da personagem adúltera do escritor Gustave Flaubert (1821-1880) para definir uma certa insatisfação e um mecanismo de autoengano presentes em alguns indivíduos. Essa condição se agravou entre alguns tucanos que acreditam ser possível simplesmente romper com um governo do qual eles são hoje o principal fiador. (...) Romper com Temer sob argumentos de ÉTICA E MORALIDADE NA VIDA PÚBLICA (destaque meu), para os bovaristas, limpará da memória do eleitor as denúncias contra o PSDB”. 

Kennedy Alencar, no texto “Denúncia contra Aécio dificulta abandono de Temer pelo PSDB”, constata: “A denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, dificultará o discurso do PSDB para desembarcar do governo Temer. Fica difícil explicar para a opinião pública o abandono de Temer quando o presidente do partido, que está licenciado do cargo, é denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça. (...) Complica também o plano de setores do PSDB para eleger um tucano indiretamente via Congresso Nacional caso Temer deixe o poder antecipadamente. A crise provocada pela delação de Joesley Batista uniu os destinos do PMDB e do PSDB, para o bem e para o mal”. Kennedy conclui: “Se perder o apoio do PSDB, ficaria mais difícil para Temer se manter na Presidência”. Elio Gaspari declarou: “Apesar da indicação de que a maioria quer saltar [do governo], o tucanato caiu na armadilha do muro. Se ficar, perde eleitores. Se sair, perde banqueiros”. Será então que os tucanos vão ficar em cima do muro? Em artigo ao Estadão, Fernando Henrique Cardoso está em dúvida: “Apoiei a travessia e espero que a pinguela tenha conserto. E se não? E se as bases institucionais e morais (sic) ruírem? Então caberá dizer: até aqui cheguei. Daqui não passo. Torçamos para que não sejamos obrigados a tal”. A manchete do Estadão poderá ou não tirar a dúvida de FHC: “PF (Polícia Federal) prende Rocha Loures [o homem da mala ou o homem “bomba”!] e aumenta pressão sobre Temer”. A ver...

Para o escritor Marcelo Rubens Paiva, “errou Tiririca, palhaço eleito deputado federal em 2010, com votação recorde: “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica”. Ficou.”

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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