domingo, 17 de setembro de 2017

Temer e o “quadrilhão” do PMDB. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A semana começou péssima para o presidente Michel Temer. Vários fatos ocorreram que lhe trouxeram muita preocupação. É o que vamos ver.


Primeiro fato: o “quadrilhão” do PMDB. Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, sob o sugestivo título “O roubo foi maior, presidente”, assim narrou o que aconteceu: “O inquérito do “quadrilhão do PMDB implode o discurso de que Michel Temer seria vítima de perseguição da Procuradoria. Agora é a Polícia Federal, e não mais o Ministério Público, quem sustenta que o presidente está no topo de uma organização criminosa. (...) A PF afirma que o “quadrilhão” reunia seis amigos de longa data. A Lava Jato já prendeu metade do time: Cunha, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o homem de R$ 51 milhões. Os outros três estão no Palácio do Planalto: Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos protegidos pelo foro privilegiado. (...) Nesta terça [12/9], o presidente ensaiou fazer um pronunciamento para rebater as conclusões do relatório. Assessores conseguiram demovê-lo da ideia. Sem a opção de atacar Janot, ELE TERIA QUE CRIAR OUTRA TEORIA CONSPIRATÓRIA ENVOLVENDO A POLÍCIA FEDERAL, QUE É SUBORDINADA A SEU GOVERNO (destaque meu).” Em outro artigo, o jornalista comentou que “Michel Temer sofreu uma dura derrota no Supremo. Por unanimidade, a corte negou o pedido para afastar Rodrigo Janot das investigações [ contra ele]. O procurador venceu o presidente de goleada: 9 a 0”, acrescentando: “Para Temer , fica um lembrete: a vida pode ser mais difícil quando os julgadores NÃO TROCAM VOTOS POR CARGO E EMENDAS [como ocorreu na Câmara dos deputados]”. Sem comentário. Entre os nove ministros encontra-se Alexandre de Moraes, que foi nomeado ao Supremo por Temer!

Outro fato péssimo para o Presidente. O Estadão noticiou: “Temer é alvo de novo inquérito na Corte – Barroso autoriza investigação sobre edição de Decreto dos Portos; presidente nega irregularidade e diz que há tentativa de “causar instabilidade” – Este novo inquérito se refere ao Porto de Santos. Em manifestação enviada ao STF, a defesa de Temer afirmou que o presidente não cometeu qualquer irregularidade e que o Decreto dos Portos “não beneficiou, em qualquer escala, a empresa Rodrimar”, de seu amigo íntimo e ex-cabo eleitoral. Será? A ver.

Um fato menor, mas que mostra como se encontra a bancada governista. A FOLHA (13/9) noticiou: “O ministro Imbassahy (Secretário do Governo) passou por um constrangimento durante solenidade desta quarta-feira [13/9], na Câmara dos Deputados. O vice-presidente da Casa (sic), Fábio Ramalho (PMDB-MG), se recusou a cumprimentá-lo e o chamou de “bosta” e “merda” na frente de todas as outras autoridades. (...) Estavam presentes, entre outros, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na saída do evento, Imbassahy, que é deputado licenciado (PSDB da Bahia), não quis comentar o episódio”. José Roberto de Toledo, em artigo no Estadão (14/9), comentou: “É um bosta, é um merda”. Estádio de futebol? Longe disso. (...) Os impropérios foram dirigidos ontem [13/9] pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados justamente ao responsável por zelar pelas boas relações do governo Temer com... os deputados. O ministro [ Imbassahy, tucano ] fez que não ouviu e deixou o deputado xingando sozinho, o que só aumentou sua ira”. Enquanto isso ocorre na sua base política, o presidente realizou uma reunião, em café da manhã, no Palácio da Alvorada, com deputados da base aliada e ministros. Temer pediu apoio para atacar as denúncias. “Eu pediria que vocês incentivem os nossos deputados e senadores para fazer um esforço (sic) de rebate. Porque, muitas vezes, eu vejo que a pessoa ouve uma coisa negativa e se aquieta, fica em silencio. Não pode se aquietar”. Será que ele estava se referindo à denúncia sobre o “quadrilhão” do PMDB?



A semana terminou com a denúncia de Janot contra Temer. Segundo Bernardo Mello Franco, “a segunda denúncia contra Michel Temer é mais forte e mais abrangente do que a primeira, engavetada pela Câmara no mês passado. Desta vez, o presidente é acusado de chefiar um organização criminosa [“quadrilhão” do PMDB] que roubou o cofre público durante uma década”. O Estadão também noticia a mesma coisa: “Propina ao “quadrilhão” foi de R$ 587 milhões, diz PGR”. Na notícia, o jornal revela: “Segundo a PGR, Michel Temer e outros seis político do PMDB, “desde meados de 2006 até os dias atuais”, formaram um núcleo político de “organização criminosa” com o objetivo de arrecadar propina. Esta denúncia trata especificamente dos integrantes “Quadrilhão do PMDB”. O Estadão enumera esses integrantes, na primeira página: “Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, preso; Henrique Eduardo Alves, preso; Eduardo Cunha, preso; Rodrigo Rocha Loures, preso; Joesley Batista, preso e Ricardo Saud, preso”. Rodrigo Janot afirma que Temer é o único do grupo do PMDB “que tinha alguma espécie de ascensão sobre todos”. Trocando em miúdo: era o chefe do “quadrilhão do PMDB”. Ainda se vai falar muito do “Quadrilhão”. Principalmente se Geddel fizer delação. É o que diz o Estadão: “aliados do presidente temem agora delação de Geddel”. A conferir! Sobre a denúncia de Janot, o governo diz que acusação é “recheada de absurdos”...


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Em nome de Jesus, traficantes de Cristo destroem terreiros de candomblé, expulsam pais e mães de santo e ameaçam matar geral


Traficantes invadem terreiro de candomblé, urinam nos orixás e obrigam mãe de santo a sumir da comunidade

13 de setembro de 2017

Um terreiro de candomblé foi vítima da fúria de criminosos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete bandidos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma.

Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de “bruxaria” naquela comunidade.

Os “filhos de santo”, como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as “guias”, um tipo de cordão, do pescoço deles.

Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas.

‘Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o “demônio-chefe”! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!’

As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé.

Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra ‘diálogo’. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos.

‘É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o “mano” não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!’

Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.

‘Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, ‘ah, Jesus mandou, fui lá e fiz’. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.’

Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno. (As informações são de André Coelho/CBN)

sábado, 9 de setembro de 2017

Depoimento de Palocci, delação de Funaro, o dinheiro de Geddel e o discurso de Campos Machado. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

O início de setembro foi muito quente politicamente, com quatro “bombas”. É o que vamos ver.

Primeiramente tivemos o depoimento “bomba” de Palocci ao juiz Moro. Ele surpreendeu ao acusar Lula. Bernardo Mello Franco, no artigo “A paulada de Palocci”, publicado na FOLHA (7/9), constatou: “A paulada de Palocci atinge o ex-presidente num momento em que ele tentava trocar o papel de investigado pelo de candidato. O ensaio durou pouco. Um dia depois de encerrar a caravana no Nordeste, Lula volta a ser bombardeado pela Lava Jato. (...) As novas acusações ainda precisam ser comprovadas, mas já instalaram um clima de desânimo no petismo”. Foi mesmo uma “bomba”, cujo desfecho não se sabe!

Outra “bomba” é a delação de Funaro, que foi homologada pelo Supremo. Já é, portanto, uma realidade. O Procurador Janot pretende usá-la na nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Como a delação encontra-se sob sigilo, nada se sabe a respeito a não ser que é gravíssima! A conferir.

Outra “bomba”, esta Estadual, mas com reflexo nas eleições de 2018, foi o discurso do deputado Campos Machado (PTB), na Assembleia Legislativa de São Paulo. No dia 5/9, ele fez essa grave acusação ao prefeito Doria (PSDB): “O senhor é um traidor. Vou repetir: o senhor é um traidor. E não existe nada pior no mundo do que a traição. O senhor traiu o governador [Alckmin] vergonhosamente”. À FOLHA, o deputado declarou: “Não fui duro, fui justo. Sei a dificuldade que Geraldo passou para conseguir emplacar o Doria, assisti telefonema meio ríspido entre ele e [o senador José] Serra e ele e Aloysio [Nunes, ministro], enfrentando [o ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso, que não queria o Doria”, acrescentando: “Pode mudar para qualquer partido, vai levar com ele a pecha de traidor”. Vamos ver no que vai dar essa “briga”.

Para mim, a maior “bomba”, que teve grande repercussão na mídia, foi o dinheiro encontrado em um apartamento emprestado para o Geddel Vieira Lima, que se encontra em prisão domiciliar. Este fato deve comprometer Temer. É o que escreve Janio de Freitas, na FOLHA: “Para quem em visita à Noruega pensa estar na Suécia, e, ao lado do presidente paraguaio, trata-o como governante de Portugal, uma confusão a mais seria apenas natural e inevitável. Não fosse, dessa vez, uma viagem de Michel Temer a respeito de si mesmo, ao acreditar que o afundamento de Joesley Batista extingue os efeitos judiciais e políticos do que tramaram no seu encontro noturno. A situação de Temer, na verdade, agravou-se muito. Além de inalterada, a já conhecida incriminação que Joesley lhe fez ganhou, entregue em malas e caixas, volumosa contribuição do seu parceiro Geddel Vieira Lima. (...) As gravações que Joesley traz não apagam a anterior, em que Temer lhe recomenda manter a compra do silêncio dos presos Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Nem elimina sua indicação, para representá-lo junto a Joesley, do “auxiliar de plena confiança” logo fotografado com a mala e meio milhão vindo do empresário. Temer continua denunciado, para ser processado quando termine o mandato. (...) As autorizações do juiz Vallisney de Souza Oliveira à Polícia Federal indicam disposição de esmiuçar a riqueza (sic) de Geddel, seus meios e fontes. Isso tem conexões com outro fator de agravamento para Temer: as revelações de Lúcio Funaro, intermediário de corrupção com ligações tanto a Geddel, em transações variadas, como a Temer, no mínimo em captações sob o nome do PMDB. A delação de Funaro homologada pelo Supremo foi um complemento homologado ao dia em que ficaram conhecidos o cofre e mais uma gravação de Joesley. A homologação encerra a esperar do procurador-geral Rodrigo Janot para liberar nova denúncia criminal contra Temer”. Segundo Janio, “situação de Temer agravou-se muito”, com os R$ 51 milhões de Geddel. Em 8/9, ele, Geddel, foi preso. Fará delação?

Do deputado Glauber Braga (RJ), líder do PSOL: “Primeiro o caso Loures, agora o apartamento de Geddel. Só falta o governo Temer institucionalizar o “Minha Mala, Minha Vida”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

"Vantagens da terceirização para o trabalhador": Reportagem da Folha recebe críticas de leitores do jornal



do "painel do leitor" da folha:



TERCEIRIZAÇÃO

Se o empregado direto que passa a ser terceirizado tem perda salarial média de 2,3% e quem faz o inverso ganha 4,7%, é óbvio que existe perda salarial. O título da reportagem não condiz com o achado da pesquisa.

JOSÉ M. THALENBERG (São Paulo, SP)

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A reportagem beira a desonestidade. Inúmeras investigações científicas indicam que a terceirização reduz direitos e avilta as relações de trabalho, visando obsessivamente à redução de custos. Progressivamente, retira o Estado da relação entre capital e trabalho, conquista civilizatória. É a Folha ouvindo apenas os que expressam a posição da plutocracia brasileira, quando o que vemos no Brasil é o retorno do mundo do trabalho ao século 19.

CLARILTON RIBAS (Florianópolis, SC)

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É um acinte e uma vergonha professores da USP afirmarem que na terceirização do trabalho não ocorrem perdas para os terceirizados. Eles próprios fazem os cálculos tendenciosos e constatam as perdas, mas afirmam o contrário. Acho que estão terceirizando interesses.

ADEMIR VALEZI (São Paulo, SP)




é, parece que o golpezinho esperto que o jornal tentou dar saiu pela culatra.


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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Bomba atômica sobre amigo e esposa de Sérgio Moro e o silêncio ensurdecedor da mídia brasileira



O silêncio pode ser arma poderosa. Pode condenar adversários ou inimigos ao esquecimento. E pode proteger amigos ou aliados.

O silêncio é eficaz nas disputas pelo Poder. O silêncio se torna arma quando imposto pelos que noticiam sobre Poder.

Há anos a Lava Jato seus personagens e alvos são tema central no debate político. Na coluna Radar, da revista Veja, foi publicada notícia sobre a Lava Jato.

Há 48 horas, com exceção das redes sociais, impera estrondoso silêncio midiático sobre essa notícia.

Maurício Lima afirmou, na coluna Radar: a Força-Tarefa da Lava Jato ocultou, por pelo menos dois anos, importante informação da Receita Federal.

O advogado Zucolotto é grande amigo de Moro. Foi padrinho do casamento do juiz com Rosangela. Que foi sócia de Zucolotto. Onde estão a informação e o problema?

O escritório de Zucolotto, amigo do casal Moro, foi correspondente, colaborador, do escritório do advogado Tacla Duran. Depois investigado pela Lava Jato.

O problema, segundo Veja, é a ocultação pela Lava Jato de informação enviada pela Receita Federal: Tacla Duran havia feito pagamentos para o escritório de Zucolotto e Rosangela Moro.

Duran é acusado de lavar dinheiro e integrar organização criminosa. À época dos fatos Rosangela ainda estava no escritório de Zucolotto, segundo relato da Veja, documentado.

Há uma semana, na Folha, Monica Bergamo informava: Zucolotto, advogado amigo de Moro, acusado de intermediar negociações com a Lava Jato.

O acusador, esse mesmo Tacla Duran. E o que ele diz? Que Zucolotto tentou negociar para "melhorar" os termos da sua delação.

Tacla Duran, ex-advogado da Odebrechet, tem dupla cidadania. Não fez delação e refugiou-se na Espanha. Onde está livre.

Há dias, antes dessa nova notícia publicada por Veja, Moro respondeu: "Zucolotto é profissional sério e competente". E Tacla Duran "um acusado pela justiça brasileira".

O que esperar sobre essas informações e história? Apuração e respostas. Sem imposição do estrondoso silêncio.


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Joesley chamou Temer de “ladrão”. Por Jasson de Oliveira Andrade

O político que está em baixa ou correndo perigo de ser condenado por corrupção deve ficar calado para não ser visado. Temer não bancou o bom político. Atacou Joesley e recebeu o troco. Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “Processo vergonhoso”, escreveu: “O governo entrou em setembro à beira de um ataque de nervos. Na noite de sexta [1/9], a Presidência emitiu uma nota AGRESSIVA (destaque meu), com ataque aos delatores Lúcio Funaro e Joesley Batista. No revide, o dono da JBS chamou Michel Temer de “LADRÃO GERAL DE REPÚBLICA (destaque meu)”. Adiante o jornalista comenta: “Na versão do palácio, Funaro prestou depoimento falso para servir a quem tenta derrubar Temer. O problema é que “essa pessoa” não foi inventada pelo Ministério Público ou pela oposição. Quem pôs Funaro na roda foi o advogado José Yunes, primeiro amigo do presidente. (...) Em março, Yunes contou ter recebido um “pacote” das mãos do doleiro, a pedido do ministro Eliseu Padilha. O advogado disse que não abriu a correspondência, mas afirmou ter sido usado como “mula involuntária” (sic) do chefe da Casa Civil. (...) Doleiros não entregam flores, entregam dinheiro vivo. Segundo o depoimento de Cláudio Melo Filho, o “pacote” continha R$ 1 milhão e fazia parte de um acerto da Odebrecht com o grupo Temer. À exceção de Yunes, os outros personagens da história continuam no Planalto. (...) A nova denúncia dará inicio a outra rodada de negociações (sic) para salvar Temer. Em meio aos ataques a Funaro e Joesley, a nota do Planalto disse que está em curso um “processo vergonhoso”. Deste ponto, parece impossível discordar”.

Eis a íntegra da nota de Joesley em resposta àquela publicada pelo Palácio do Planalto, que o atacou: “A colaboração premiada é por lei um direito que o senhor presidente da República tem por dever respeitar. Atacar os colaboradores mostra no mínimo incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, ENVERGONHA TODOS NÓS BRASILEIROS (destaque meu)”.

CHINA COMUNISTA VAI SALVAR O BRASIL? Em sua visita à China Comunista, Temer mirou a privatização de nossas empresas. Quer entrega-las aos comunistas. Se o presidente mirou a China, a privatização de Fernando Henrique Cardoso as entregou às empresas norte-americanas a preço de banana ou, como disse Aloysio Biondi (falecido em 21/7/2000) “um negócio da China”. O subtítulo do livro é; “Um balanço do desmonte do Estado – Como uma associação de interesses inconfessáveis (sic) desfechou o maior assalto da história nacional”. No início do livro, Biondi escreve: “O GOVERNO VENDE BARATÍSSIMO. OU PODE DOAR – Aproveite a política de privatização do governo brasileiro [FHC]. Confira nas páginas seguintes os grandes negócios que foram feitos com as privatizações – “negócios da China”, para os “compradores”, mas péssimos para o Brasil”. O jornalista Palmério Dória, no livro “O Príncipe da Privataria”, também abordou essa política entreguista de FHC. A diferença é que agora essa entrega de Temer vai beneficiar a China Comunista. Este agora é um verdadeiro negócio da China! Sem trocadilho ...

ECONOMIA – A economia está tão ruim, tão ruim, que quando ele sobe somente 0,2 %, resultado pífio, o governo e a mídia fazem OBA,OBA. Parece que o Brasil está nadando em dinheiro!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 3 de setembro de 2017

Chamado de "ladrão" por delator, Temer goza de muito prestígio entre os coxinhas e antipetistas



Joesley diz que Temer "não consegue se defender das acusações". Como assim, não consegue? Tem conseguido se defender e muito bem com o argumento de que "está tirando o Brasil da crise". Vocês acham este um argumento patético e absolutamente falso? Eu também, mas tem sido o único e tem sido suficiente. O argumento real, não pode ser publicado em declarações oficiais, e consiste no fato de que Temer é o guardador de lugar do antipetismo.

Não vejo alguém negando ser ele um gângster. E se está onde está é porque era o único que podia tomar o lugar da presidente petista sem um golpe escancarado. E se continua exercendo a presidência é porque não se viu um outro ator para o papel e, sobretudo, teme-se a volta do PT. Temer pode até ser um filho da puta (parece que mais de 90% dos brasileiros acham isso), "mas é o nosso filho da puta", diz o antipetismo. Temer não precisa, a rigor, defender-se de acusação alguma, uma vez que dele não se espera qualquer padrão moral mas apenas que continue ocupando o lugar que foi tomado do petismo.

De resto, ele dizer que não deve ser julgado, quanto mais punido, pelos crimes que a PGR diz que cometeu "porque o Brasil precisa dele para sair da crise" ou "porque é filho de Zeus com uma quenga do Bataclan" dá exatamente no mesmo e seriam argumentos bons o bastante. Temer, afinal, não passa do poste do antipetismo.


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[ Parte 12 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


DANIEL LIMA - 30/08/2017

Não foram poucas as páginas que o jornalista Silvio Navarro -- autor de “Celso Daniel, Politica, corrupção e morte no coração do PT” -- dedicou às supostas mortes misteriosas que povoam o imaginário popular no caso Celso Daniel. Além de ter reservado um capítulo inteiro a Dionísio Severo de Aquino e ao médico legista Calos Delmonte, em versões já esmiuçadas nesta série, o autor procurou dar veracidade às demais testemunhas que teriam sido vítimas de conspiração.

Dar veracidade não significa necessariamente que Silvio Navarro tenha afirmado categoricamente que as supostas mortes foram encomendadas por terceiros diretamente relacionados aos interesses do PT. A subliminaridade prevalece sempre, a partir do próprio título do capítulo, que faz assertiva a “mortes misteriosas”, as quais, em larga margem, não estão caracterizadas na narrativa do autor do livro.

Nada, entretanto, que deixe de submeter os leitores menos atentos a conclusões enviesadas. Sobretudo porque na maioria dos casos a compra de um exemplar com direcionamento incriminador imposto por Silvio Navarro encontraria mais leitores interessados em um relato que corresponda à massiva conclusão de que haveria conexão de irregularidades administrativas na Prefeitura de Santo André e o assassinato de Celso Daniel.

Reproduzimos na sequência trechos do livro. Em seguida, as explicações que desmontam mais essa peça de ilusionismos interpretativos:

A polícia dava o sequestro e o assassinato do prefeito como equacionados. Nos últimos 14 anos, no entanto, uma série de mortes faria com que o caso Celso Daniel – repisado em diversas frentes de investigação – se convertesse num roteiro de cinema. Um personagem que atiça a mística é o garçom do restaurante Rubaiyat, o jovem que serviu à mesa o prefeito na noite do arrebatamento, Antônio Palácio de Oliveira. Quando foi morto, pilotava sua moto Honda (...) pela Avenida Águia de Haia, na periferia paulistana – era 1h40 do dia 8 de fevereiro de 2003. Ao se notar perseguido por dois homens a bordo de uma moto Yamaha Tenéré branco, ele acelerou, mas acabou alcançado poucos metros depois. Como resistiu à ordem para que estacionasse imediatamente, foi golpeado com um chute e arremessado contra um poste. Morreu na hora.

Mais trechos do livro
(...) Paulo Henrique da Rocha Brito foi a única testemunha ocular da morte de Antônio. A polícia, porém, não conseguiu ouvi-lo a tempo, morto vinte dias depois, com um tiro pelas costas, segundo informou a viúva. (...) Tudo o que se sabe é que seu assassino fugiu numa moto azul. A suspeita recaiu sobre dois menores, conforme conclusão policial. O crime teria sido motivado por vingança, algo relacionado à conduta de menores infratores dentro da Febem, onde a vítima trabalhava – o que não foi apurado.

Mais trechos do livro
O jovem Iran Rédua, funcionário da empresa Serviço Funerário da Serra, que recolheu o corpo de Celso Daniel em Juquitiba e foi o primeiro a reconhecer o rosto do político, acabaria morto, a tiros, no dia 23 de dezembro de 2003, quando saia de um aloja no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. Um amigo viu a cena e reconheceu o criminoso, que, no entanto, permaneceria foragido por mais de dois anos. No dia 21 de fevereiro de 2006, mais de quatro anos depois da morte de Celso Daniel, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, convocou jornalista para uma entrevista na sede do DHPP (...) a fim de apresentar o preso Alexandre de Almeida Moraes (...) responsável pela morte de Iran. E fez um anúncio: “Definitivamente, não há nenhuma relação entre esse crime o assassinato do prefeito de Santo André”. (...) Para a polícia, Iran fora executado numa disputa por território comercial.

Mais trechos do livro
(...) Otávio Mercier tinha 43 anos e atuava, havia 23, como investigador do Departamento de Narcotráfico (Denarc) quando morreu num tiroteio na alameda Joaquim Eugênio de Lima, na região dos Jardins, em São Paulo, em 5 de julho de 2003. Acompanhado pela esposa, chegava de uma festa quando se deparou com um grupo à sua espera na portaria do Edifício Montes Claros, na alameda Santos, onde morava. Os homens vestiam coletes similares aos da Polícia Federal. Mercier estacionou seu moderno Audi – carro incompatível com sua carreira profissional – em frente ao prédio e iniciou um diálogo com os falsos agentes. Foi rendido por eles, levado a seu apartamento e amarrado junto com a mulher e o porteiro. Os bandidos exigiam que entregasse drogas e dólares, e fugiram levando uma maleta de trabalho. A esse respeito o então diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, afirmou que o investigador tentava se disfarçar de traficante para prender um bando, e que provavelmente conhecia um dos algozes. (...) Logo após a fuga dos criminosos, Mercier conseguiu se desamarrar rapidamente e, armado, saiu em busca do grupo. Na tentativa de capturar o bando, foi baleado no peito e no rosto. O socorro, ágil, ainda o fez chegar com vida ao Hospital das Clínicas, mas ele não resistiu.

Mais trechos do livro
A ligação de Otávio Mercier com o assassinato de Celso Daniel remete a um dos mais controversos capítulos das investigações, episódio que provocou uma queda de braço sem precedentes entre o DHPP e o Ministério Público, e que ampliou a rivalidade interna na própria Polícia Civil do Estado. Em janeiro de 2002, pouco antes do assassinato do prefeito de Santo André, Mercier trocou telefonemas com um detento, encarcerado num presídio de Guarulhos, cujo nome até hoje provoca faíscas entre promotores, delegados e advogados dos réus do homicídio do político petista. Trata-se de Dionísio de Aquino Severo. Para os promotores e para os primeiros delegados que se debruçaram sobre o caso, Dionísio é a chave do sequestro de Celso Daniel, escreveu o jornalista Silvio Navarro.

A verdade do caso
Houvesse tomado o cuidado de se informar melhor, o jornalista Silvio Navarro não teria organizado narrativa paralela. Leiam os trechos principais da matéria que publiquei originalmente na revista LivreMercado, da qual era diretor de Redação, edição de 5 de novembro de 2006, sob o título “Mortes sem qualquer relação com o caso”:

Dionísio, malabarista que fugiu da Penitenciária de Guarulhos. Sérgio Orelha, marginal que dividiu apartamento com Dionísio depois da fuga. O garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o último jantar de Celso Daniel. Paulo Henrique Brito, testemunha da morte do garçom. Otávio Mercier, investigador de Polícia que teria recebido telefonema de Dionísio da cadeia do bairro de Belém, em São Paulo. Iran Moraes Redua, agente funerário que recolheu o corpo de Celso Daniel. Para o delegado titular do DHPP da Polícia Civil de São Paulo, nenhum desses casos tem qualquer relação com o assassinato do então prefeito de Santo André. O delegado Armando de Oliveira fala com a segurança de quem acompanhou atentamente as investigações e se manteve calado durante todo o tempo por força de decisão do segredo de Justiça requerido pelo juiz de Itapecerica da Serra, que preside o inquérito.(...). Ele e sua equipe foram sistematicamente colocados na desconfortável zona de desconfiança.

Mais verdade do caso
(...) O investigador Otávio Mercier procurou a própria morte, segundo o delegado Armando de Oliveira. Ele chegava ao prédio em que morava por volta das 6h com sua mulher quando foi rendido por dois assaltantes, que os conduziram para o apartamento, juntamente com o porteiro. “Eles foram imobilizados com fios de telefone e, em seguida, os dois criminosos furtaram o que bem entenderam do apartamento e desceram para a rua. O Mercier conseguiu se desvencilhar das amarras, pegou uma arma de fogo e foi ao encalço dos criminosos. Ao chegar no meio da rua, ele anunciou a condição de policial e deu voz de prisão aos assaltantes. Depois de um tiroteio, foi atingido por um único tiro e morreu”. Tudo testemunhado, inclusive pelo próprio porteiro” — afirma o delegado.

Mais verdade do caso
Manoel Sérgio Estevão, o “Sérgio Orelha”, depois da fuga espetacular de Dionísio Aquino da Penitenciária de Guarulhos, morou durante algum tempo com o sequestrador, ao lado das respectivas amantes. “Ele foi executado na região Oeste de São Paulo, área em que atuava como criminoso. Foi um desenlace típico de assassinato envolvendo marginais”. O delegado Armando de Oliveira só não consegue compreender a importância de Sérgio Orelha no caso Celso Daniel: “Quem eleva e dá condições de relevância é a Imprensa, estimulada por alguns” — desabafa. (...) Tanto quanto o investigador Otávio Mercier e o criminoso companheiro de Dionísio Aquino, o garçom Antônio Palácio de Oliveira, do Restaurante Rubaiyat, de São Paulo, onde Celso Daniel e Sérgio Gomes jantaram na noite do sequestro, não é peça importante do caso, garante o delegado do DHPP. “Ele e outros funcionários do restaurante foram ouvidos aqui. Ouvimos todos. Desde o maitre até os manobristas, passando pelo gerente e chegando ao responsável pelos vinhos. Foram pelo menos seis funcionários que aqui compareceram para prestar informações. Queríamos saber se houve alguma discussão, alguma situação menos amistosa, envolvendo o Celso Daniel e o Sérgio Gomes. Principalmente a utilização de celulares ou mesmo do telefone fixo do estabelecimento. Não temos registro documental ou testemunhal que dê sustentação de que qualquer um dos dois tenha usado de aparelhos celulares ou fixo. Chegamos a essa conclusão também depois de quebrar o sigilo telefônico deles. Foi um jantar amistoso. Um jantar. Somente um jantar”.

Mais verdade do caso
Por isso, o delegado assegura que a morte do garçom se insere na tipologia de crimes semelhantes na metrópole: “Um dia ele estava indo para casa de motocicleta na Cidade AE Carvalho, onde a criminalidade naquele período alcançava números expressivos, quando foi interceptado por uma outra motocicleta cujos ocupantes aparentemente tentam roubá-lo e, na fuga, se desequilibra, dá com a cabeça num poste e morre com traumatismo craniano. É muito comum esse tipo de morte em São Paulo. Embora tenha diminuído vertiginosamente nos últimos anos, os criminosos não poupam as vítimas que tentam se evadir. Em motos e em veículos. Principalmente nos últimos tempos, os profissionais liberais, como mulheres de branco, correm mais riscos. Eles matam com o mesmo sentimento de quem esmaga uma barata. O caso do garçom não foge em nada disso.

Mais verdade do caso
A morte de Paulo Henrique da Rocha Brito que, sentado defronte à casa dele, assistiu à queda do garçom. Tempos depois ele apareceu morto, na mesma área de AE Carvalho. “Paulo Henrique atuou como monitor da Febem e, infelizmente, não contava com bons antecedentes. Ele era acusado de receptação, por roubo, por furto. E foi morto por dois adolescentes. Esse inquérito ainda não está concluído, porque não chegamos aos autores do crime. Mas é questão de tempo. Vou dar um exemplo que mostra as mudanças no DHPP nos últimos anos: em 2000 foram efetivadas 165 prisões, contra 1.437 no ano passado. Um aumento relativo de 770% no período, explicado entre outros pontos pela inserção de nossa equipe com a sociedade como um todo, além de recursos tecnológicos cada vez mais avançados” — explica o delegado.

Mais verdade do caso
Em março de 2006, também na revista Livre Mercado, produzi um novo capítulo, entre dezenas, do caso Celso Daniel. Este, tratava diretamente da morte do agente funerário sob o título “Quem disse que agente funerário morreu por causa de sequestro?”. Vejam os trechos principais:

Continua a ruir estrepitosamente o edifício de fantasias que transformou sete mortes de alguma forma relacionadas ao caso Celso Daniel em elementos de desconfiança de suposto esquema para liquidar anunciadas testemunhas-chaves. Depois de comprovado o suicídio induzido do médico legista Carlos Delmonte em outubro do ano passado, agora foi a vez de esclarecer-se como virou estatística criminal o agente funerário que recolheu o corpo de Celso Daniel na estrada vicinal de Juquitiba, na Grande São Paulo, na manhã de 20 de janeiro de 2002. Diferentemente de dezembro de 2003, quando a Imprensa abriu espaços generosos para anunciar o assassinato de Iran Redua, com carga de suspeita de possível queima de arquivo, desta vez, em 22 de fevereiro último, o tratamento foi discretíssimo. O assassino de Iran Redua foi apresentado pelo delegado titular do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Armando de Oliveira e praticamente não saiu do anonimato.

Mais verdade do caso
A disposição da mídia em sustentar a versão de crime encomendado dos promotores públicos de Santo André é tão explícita que Alexandre Almeida Moraes, o criminoso, provavelmente receberia todas as honras de celebridade se a autoria dos disparos contra Iran Redua não fosse a mando de Fábio Hervelha Schunk, mas sim de Sérgio Gomes da Silva ou de qualquer um dos suspeitos sugeridos pelos integrantes do Gaerco. Para azar de quem gosta de drama e espetáculo, Alexandre Almeida Moraes participou do crime porque Iran Redua tentou furar o monopólio da empresa de Shunck, que, segundo o delegado Armando de Oliveira, “dominava por meios ilícitos, através de propina, os serviços funerários da zona Sul da Capital e das cidades vizinhas”. Os jornais mais importantes do País deram pouca importância à prisão anunciada pela Polícia Civil de São Paulo porque, cada vez mais, estão encalacrados: compraram inadvertidamente a versão de crime encomendado defendida pelo Ministério Público e tudo que trafegasse na órbita de supostas ou verdadeiras testemunhas do caso Celso Daniel passou a acrescentar significado especialíssimo. Entretanto, como prova a morte do agente funerário e também, embora relutantemente, o suicídio do legista Carlos Delmonte, histórias suplementares ao sequestro e morte de Celso Daniel não são compatíveis com a teoria de crime de encomenda. Os fatos não costumam flertar definitivamente com os boatos.

Mais verdade do caso
Numa entrevista a uma emissora de rádio da região o promotor criminal Amaro José Thomé Filho procurou desqualificar o encontro que a Polícia Civil preparou para apresentar o matador do agente funerário. O promotor tratou o evento como pífio, porque supostamente desimportante. Não é o que prova a cronologia dos fatos. A morte de Iran Redua foi tratada desde o princípio pela mídia como reação dos mandantes à possibilidade de revelarem-se supostas marcas de tortura no corpo de Celso Daniel. Seria Iran Redua um perigo para a versão de crime comum, porque ele foi o primeiro a ver o corpo estirado de Celso Daniel abatido por oito tiros. A descoberta de que Iran Redua foi vítima de um crime de mando que nada tem a ver com o caso Celso Daniel fez murchar o ímpeto da mídia.


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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Combate ao trabalho escravo e infantil morre de inanição no Brasil que os coxinhas exigiram de volta


RISCO AO COMBATE DO TRABALHO INFANTIL

Corte radical no orçamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vai prejudicar ações em todo o País.

O corte no orçamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), anunciado no mês de julho pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, está provocando polêmica e apreensão em órgãos ligados aos Direitos Humanos, mais especificamente à fiscalização do trabalho infantil e escravo. Nesta área, o contingenciamento é de 70% das verbas previstas no Orçamento de 2017, enquanto o setor administrativo não poderá usar 30% do valor orçado.

Na segunda-feira, dia 21 de agosto, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) e Legislação Participativa do Senado promoveu uma audiência pública para debater o corte orçamentário e a inviabilização do combate ao trabalho escravo, infantil e outras violações de direitos. Durante o encontro, André Roston, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, admitiu que os recursos para o combate ao trabalho escravo neste ano acabaram. 

A diretora do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Vera Jatobá, participou da audiência do CDH e diz que, em algumas unidades, as ações já foram reduzidas. “Uma operação custa em média R$ 60 mil, dependendo do local, pois envolve gastos com deslocamento, alimentação e hospedagem. O combate ao trabalho escravo e ao uso de mão de obra infantil, principalmente no campo, dependem de flagrantes e, por isso, o custo logístico é maior. No entanto, tirar uma única pessoa, seja criança ou adulto, de uma situação degradante não tem preço”, sustenta.

Segundo ela, o senador Paulo Paim se comprometeu a solicitar uma audiência com o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira para tratar do tema e pedir soluções para o corte orçamentário da pasta. “Além disso, vai encaminhar um documento ao Ministério do Trabalho requisitando mais transparência com os recursos da fiscalização no combate ao trabalho escravo e infantil”, conta. 

Para o Sinait, o contingenciamento, ao inviabilizar a fiscalização, fere não só a Constituição Federal como também o compromisso com a Convenção 81 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em seu artigo 11, garante condições dignas de trabalho aos auditores fiscais. Além disso, se o corte promover a paralisação, feriria, ainda, a Convenção 105, sobre a abolição do trabalho escravo, e a Convenção 182, que trata das piores formas de trabalho infantil. Por isso, o Sindicato encaminhou uma denúncia à OIT. “Estamos buscando alternativas junto a organismos internacionais para garantir que o orçamento seja assegurado e a fiscalização mantida”, afirma Vera.

Situação alarmante
Quem também está preocupada com a situação é a Fundação Abrinq, organização que promove a defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Segundo a gerente executiva da instituição, Denise Maria Cesario, a atual conjuntura pode colocar em risco os avanços conquistados. “Historicamente, o País vem registrando uma queda gradual e contínua no trabalho infantil. Em 2013, o PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios registrava 3.187.838 pessoas entre cinco e 17 anos ocupadas no Brasil. Já em 2015, havia 2.671.893 crianças e adolescentes nesta condição”, enumera.

Segundo Denise, esta redução é resultado de uma política de enfrentamento que traz a reboque uma política de combate. “Com estratégias efetivas, o Brasil se tornou referência para muitos outros países. Agora, corremos o risco de desmantelamento de todo o processo. A população mais vulnerável acaba sendo penalizada por este quadro de corrupção que parece não ter fim. A situação é alarmante”, finaliza.


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domingo, 27 de agosto de 2017

Traição de Doria e delação de Funaro. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Doria vai trair Alckmin e sair candidato à Presidência em 2018? O prefeito de São Paulo nega, mas, segundo os analistas políticos essa hipótese não deve ser descartada. É o que escreve no Estadão Vera Magalhães (Opostos e descombinados). A jornalista diz em seu texto: “A “guerra fria” (sic) travada nos bastidores do PSDB entre Geraldo Alckmin e João Doria Jr pela candidatura à Presidência em 2018 está cada dia mais difícil de disfarçar com juras de lealdade e vídeos cordiais. (...) O tom com que aliados do governador se referem à movimentação do prefeito já não tem a condescendência de quem vê um filho rebelde ameaçar deixar o ninho , mas a de quem assiste a um ex-pupilo dar passos indisfarçados para superar o criador (sic). Numa reação à sanha do ex-afilhado, Alckmin passou a propagar que na eleição do ano que vem o principal atributo será experiência”. Adiante ela afirma: “Os movimentos de ambos, em tudo opostos e “descombinados”, MOSTRAM QUE A DISPUTA PODE ATÉ NÃO SE CONCRETIZAR MAIS ADIANTE (destaque meu), mas, hoje, está a todo vapor no interior do já conturbado ninho tucano”. Será que Doria vai mesmo trair Alckmin? A VER!

Outro fato que poderá ser uma BOMBA nesse início de setembro. Refiro-me ao acordo de delação de Funaro. A FOLHA noticiou: “Funaro assina acordo de delação e dará caminho para PMDB (sic)”. Este é o medo do governo. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão, comenta a delação: “Como Funaro era “operador” do PMDB na Caixa, Temer volta ao centro das atenções – e das tensões políticas que tanto refletem na economia – poucas semanas depois do desgastante julgamento na Câmara para se livrar (por ora) da denúncia da PGR por corrupção passiva. (...) Funaro, dono de informações privilegiadas de quem participou de tudo isso por dentro, travou uma espécie de corrida de obstáculos contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha para ver quem conquistaria primeiro o acordo de delação e suas benesses. Nos dois casos, o alvo central foi Temer. (...) Além do próprio Temer, é o seu governo quem entra no foco com a delação de Funaro, porque o PMDB da Câmara inclui Cunha, os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves, que está preso, e Geddel Vieira Lima, em prisão domiciliar. (...) É com base nesse grupo [ou quadrilha?] e nesses nomes que Janot sonha e trabalha há meses com a possibilidade de apresentar duas novas denúncias contra Temer: por organização criminosa e obstrução da Justiça. Depois de Joeley Batista, da JBS, Funaro tende a ser mais um algoz de Temer e mais um troféu para Janot nos seus derradeiros dias na PGR”.

O Estadão noticiou: “No início do mês [agosto], Temer disse que não temia novas delações”. Não é bem o que afirma Eliane Cantanhêde. Para a jornalista, o presidente está muito preocupado com a delação de Funaro. O que irá acontecer com essa nova BOMBA? Será que a Câmara vai inocentá-lo mais uma vez? A CONFERIR!

No artigo “A condenação de Lula” escrito em julho, escrevi: “Desconheço as cinco denúncias contra Lula. Uma coisa constatei: Essa do tríplex é fraca. O ex-presidente provou que o tríplex do Guarujá não era dele, mesmo assim foi condenado a 9 ano e 6 meses pelo juiz Sérgio Moro. (...) Em primeiro lugar, a própria sentença do juiz Moro reconhece, como revela o Estadão, que não houve posse do tríplex por Lula. Ou seja, ele realmente não é o dono. Apesar disto, segundo a sentença, Lula é culpado!” Além dessa condenação sem prova, existe outra decisão de Moro, que se tornou polêmica. Kennedy Alencar, em seu Blog (25/8), revelou, no texto ”Tramitação veloz de recurso de Lula é indício de perseguição”, revelou: ”A tramitação recorde do recurso do ex-presidente Lula na segunda Instância reforça a argumentação da defesa do petista de que ele sofre perseguição do Poder Judiciário. (...) Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, o recurso de Lula teve tramitação recorde no âmbito da Lava Jato. Foi a que chegou mais rápido ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. Demorou 42 dias desde a sentença do juiz federal Sérgio Moro sobre o processo do apartamento no Guarujá. (...) Essa tramitação veloz é uma evidência (sic) de parcialidade na análise do caso Lula na comparação com outros processos da Lava Jato. É RUIM PARA A IMAGEM DO JUDICIÁRIO E TAMBÉM DA OPERAÇÃO (destaque meu). Lula representa uma parcela importante do eleitorado. Tem direito a um julgamento imparcial. Tudo o que fugir à normalidade na análise desse recurso reforçará a narrativa de perseguição política e jurídica para tirar Lula do páreo eleitoral de 2018”. Janio de Freitas: “Titulo na FOLHA (25ago): “Recurso de Lula foi o que mais rápido chegou à 2ª instância”. É uma informação que já contém a explicação, o histórico e o motivo (sic) do juiz Sergio Moro”. Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ao vencedor, as batatas: flexibilização trabalhista começa a render os frutos merecidos a trabalhadores que apoiaram o golpe. Quem não apoiou colherá os frutos do mesmo jeito.



Hoje, pela primeira vez, conheci concretamente as consequências da reforma trabalhista. Fui ao salão fazer as unhas e encontro manicures e cabeleireiros deprimidos. Durante esta semana todos tiveram seus contratos de trabalho interrompidos. Estão devolvendo ao dono do salão os 50% da multa sobre o FGTS. Isso para garantir que poderão continuar a trabalhar no salão como microempreendedores individuais (MEI). Não terão carteira assinada, direito a férias ou décimo terceiro salário. Vão recolher sua própria previdência. O que vi além da depressão? Absolutamente nada. Apatia, apenas apatia.

GISELE CITTADINO, no Facebook


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Jornalista defende "rastreamento" dos investidores em empresa de Dória Jr. para mensurar seu possivel envolvimento com especuladores e contraventores imobiliários


Avisei em novembro: Doria não é exemplo aos prefeitos da região

DANIEL LIMA - 22/08/2017 

Antes de tudo e acima de qualquer coisa que possa cheirar à perseguição, que muitos confundem com conhecimento, vou reproduzir os primeiros parágrafos do artigo que escrevi em 25 de novembro do ano passado. Em seguida, trato do assunto de hoje. Vamos ao que produzi sob o título “Que nossos prefeitos não sigam mau exemplo de Doria”: 

- O recém-eleito prefeito paulistano João Doria não serve de bom exemplo aos vencedores de outubro nas eleições na Província do Grande ABC caso o assunto em discussão seja mobilidade urbana – mais precisamente mercado imobiliário. O prostíbulo de negócios imobiliários na região, quase todos impunes, poderá ficar ainda pior se João Doria for o referencial. Os acenos preliminares são afrontosos nesse sentido horroroso. O legado de Fernando Haddad poderá ser dizimado, mas providencialmente dissimulado por marqueteiros especializados em embromação. Não estaria longe o dia em que o ainda prefeito de São Paulo seria reconhecido como gerenciador sério e que possivelmente só foi apeado do cargo por conta da demonização do PT nas últimas eleições. Haddad botou o dedo na ferida das roubalheiras imobiliárias juntamente com o Ministério Público Estadual. A Máfia do ISS é a prova disso. João Doria, empreendedor comprometido até a medula com o capitalismo sem pesos e contrapesos, está a dar refresco aos potenciais contraventores -- os bandidos imobiliários, que caracterizo aqueles que querem levar vantagem a qualquer custo. Principalmente ao asfixiarem ainda mais a mobilidade urbana. Talvez fosse interessante um rastreamento rigoroso dos investidores ao longo dos tempos na empresa de João Doria para entender até que nível sobressaíram os volumes de dinheiro de empreiteiros e mercadores imobiliários. 

Reportagem do Estadão 

Reproduzidos os parágrafos que considero importantes (embora não descarte outros do mesmo artigo na sequência) corro os olhos a uma reportagem publicada hoje pelo Estadão sob o título “À Justiça, ex-secretário põe sob suspeita concessão de licenças ambientais em SP”. Nada melhor que reproduzir os parágrafos mais importantes da matéria: 

- No mesmo dia em que foi confirmada a demissão do secretário Gilberto Natalini, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, ainda sob seu comando, relatou à Justiça de São Paulo uma série de irregularidades envolvendo licenças ambientais de obras na capital, que vão da falta de pagamento de taxas por construtores à pressão e ameaça a servidores por empresas de consultoria que cuidam dos processos de liberação de empreendimentos. A Justiça já encaminhou as informações ao Ministério Público, e a Prefeitura investiga a denúncia. 

Agora, CapitalSocial 

Faço um cavalo de pau editorial e volto ao que escrevi em novembro do ano passado – e que tem tudo a ver com as informações de hoje do Estadão: 

- A principal agressão de João Doria ao sistema de responsabilidade social a ser legado de Fernando Haddad é o desmonte da Controladoria-Geral do Município (CGM), organismo de fiscalização que alguns prefeitos eleitos na região em outubro último já anunciaram pretender agregar ao organograma oficial, embora não se saibam muitos detalhes. A CGM da Capital vai deixar de contar com o status de secretaria para virar departamento da futura Secretaria de Justiça. Num microartigo publicado na edição de hoje do jornal Estadão o colaborador Marco Antonio Teixeira, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas, expressa bem o significado dessa mudança (...): “Subordinada a uma secretaria municipal, a Controladoria-Geral do Município perde poder. Como é que um órgão de segundo escalão pode ter autonomia para fiscalizar um órgão de primeiro escalão? A agilidade que a CGM tem até o presente momento, de se mover sem nenhum tipo de barreira, seria perdida para encontrar no mínimo duas barreiras: a do secretário e do próprio prefeito. Ou seja, ela poderia perder autoridade. Se durante alguma apuração, a CGM tiver necessidade de convocar algum funcionário de outra secretaria, ela terá de obter antes a autorização de uma hierarquia superior, uma vez que ela tem de se reportar ao secretário ao qual está vinculada. Hoje ela se reporta diretamente ao prefeito. Mesmo assim, pela natureza de sua atividade, a CGM não deve tanta satisfação ao prefeito quanto às demais secretarias. Seria possível que o secretário de governo, como consequência dos trabalhos da Controladoria, ser investigado e acabar deixando o cargo, como aconteceu na gestão Haddad, se o órgão não tivesse tanta autonomia?” – escreveu o especialista Marco Antonio Teixeira. 

Estadão de volta

Agora, para que o entendimento seja completo nesse processo mais que escancarado de fragilização de mecanismos de controle do poder pantagruélico do mercado imobiliário comandado por um baronato aparentemente intocável como as empreiteiras flagradas pela Operação Lava Jato, leiam o que o Estadão publicou há três dias: 

- A gestão João Doria (PSDB) trocou nesta quinta-feira, 17, a controladora-geral do Município, Laura Mendes, responsável pelo órgão da Prefeitura que tem o objetivo de apurar e corrigir irregularidades administrativas e combater a corrupção. Em seu lugar, assumirá Guilherme Mendes, atual ouvidor de São Paulo. “Estamos fazendo mudanças administrativas e precisamos de uma Controladoria mais alinhada com as diretrizes do prefeito”, disse o secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini. Criada como órgão independente na gestão Fernando Haddad (PT), a Controladoria-Geral do Município (CGM) é atualmente subordinada à Justiça. Segundo técnicos da área, Laura vinha enfrentando atritos. A avaliação é que havia conseguido manter a independência, mas ao custo de confrontos frequentes. Teria pesado para o desgaste suas negativas de compartilhar informações tidas como sigilosas por parte do órgão, a cobrança para que a gestão cumprisse a Lei de Acesso à Informação (LAI, que obriga a transparência de dados) e a fiscalização e a divulgação das doações recebidas pelo prefeito. 

Mais Estadão 

- Pomini nega. Ele afirma que pedia informações à CGM porque sua pasta é o órgão recursal dos processos abertos pela controladoria. “Assim, tinha de solicitar informações, o que fazia por ofício.” Diz ainda que a dificuldade em respeitar a LAI é decorrente do volume de pedidos feitos por meio da lei. E afirma ter sido a secretaria -- não a CGM -- quem organizou a divulgação das doações. A atual gestão já tornou público o resultado de 18 auditorias conduzidas pela CGM, todas referentes a contratos assinados por Haddad. A gestão anterior havia publicado 49 relatórios de auditorias, todos referentes à própria administração. Atualmente, estão em andamento as investigações da chamada Máfia da Cidade Limpa, esquema de propina revelado pela Rádio CBN. Em meio à crise financeira, o órgão tem ainda recebido menos recursos. Entre janeiro e julho foram executados R$ 6 milhões do orçamento de R$ 32,5 milhões. No ano passado, até julho, haviam sido R$ 10 milhões.

Mais CapitalSocial

Completo este artigo com outros trechos do artigo que escrevi no final do ano passado, em alerta aos prefeitos eleitos: 

- Aqui os bandidos imobiliários deitam e rolam faz muito tempo porque jamais houve um prefeito sequer que tenha tido a coragem e a independência de introduzir algo semelhante ao que Fernando Haddad acrescentou ao gerenciamento público. E não acredito que entre os sete titulares dos paços municipais no ano que vem alguém tenha tutano para travestir-se de Haddad. As ações de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo no campo da mobilidade urbana, especificamente do mercado imobiliário, não se restringiram a pegar os mafiosos do ISS (que ainda vivem a vida boa da impunidade, já que não existe uma Operação Andaime, espécie de Lava Jato, para acelerar o ritmo de condenações) já que se expandiram na área de auditorias de contratos firmados por secretarias municipais e subprefeituras. O balanço financeiro mais recente das operações da Controladoria-Geral do Município sob a liderança de Fernando Haddad aponta que só com a revisão de contratos houve economia de R$ 58 milhões no mesmo período. Foram emitidas 185 ordens de serviço de auditorias, sendo que 134 já foram homologadas. As apurações já abrangeram 25 das 29 secretarias, 28 das 32 subprefeituras e 14 das 18 unidades da Administração Direta.  Agora me respondam: com o desmonte mais que ensaiado de João Doria, o que restará desse trabalho todo e que mensagem o novo prefeito de São Paulo vai repassar como padrão de atuação aos demais titulares de paços municipais do País, especialmente de região tão próxima que o rebocou como liderança a ser seguida nas disputas de segundo turno? 

Mais Capital Social 

- Tenho todo o direito e o dever de colocar a gestão de João Doria na marca da penalidade máxima quando o assunto é o mercado imobiliário. Tomara que outros agentes informativos e analíticos também o façam. Que a Capital do Estado não repita a vergonhosa omissão generalizada da mídia regional. Aqui os mercadores imobiliários deitam e rolam porque sabem que podem controlar os cordéis de distanciamento da Imprensa. As tratativas nada republicanas com servidores públicos são homologações de negócios escusos porque o ambiente gerado ao longo dos tempos assim o determinou. Ao que tudo indica a São Paulo de João Doria voltará a ser a Capital de Gilberto Kassab. 


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Artigo: Temer contra Alckmin. Por Jasson de Oliveira Andrade



Temer mostra mais uma faceta: é vingativo. Ele tenta jogar Dória contra Alckmin para se vingar dos votos dos tucanos paulistas, alinhados ao governador, que votaram a favor da denúncia do procurador-geral Janot. Da bancada de São Paulo, 11 votaram pelo prosseguimento do processo e apenas uma deputada foi contra. Eis como votaram os tucanos paulistas: Bruna Furlan, SIM. Os outros votaram NÃO: “Carlos Sampaio, Eduardo Cury, Izaque Silva, João Paulo Papa, Lobbe Neto, Mara Gabrilli, Miguel Haddad, Ricardo Trípoli, Silvio Torres, Vanderlei Macris e Vitor Lippi.  O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Trípoli, além de votar contra o presidente, ainda orientou a bancada a votar pelo prosseguimento da denúncia!

Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão, comentou: “Quando Temer “abriu a porta” para Doria entrar (sic) no PMDB, também estava abrindo para o PMDB entrar na campanha (sic)  de Doria”. Trocando em miúdo: Temer, ao convidar Doria a se filiar ao PMDB, estava pondo em prática sua vingança, ou seja, jogando o prefeito de São Paulo contra Alckmin. Mais. Segundo a jornalista, incentivou o partido a entrar na campanha de Doria, como candidato a Presidência, enfrentando, ou melhor dizendo, traindo Alckmin…

O Estadão (16/8), na reportagem sob o título “Alckmin e Doria medem forças (sic) em diretórios de SP – Governador e prefeito querem seus aliados em postos-chave da máquina partidária tucana”, o jornal publicou uma foto dos dois juntos, com essa legenda: “BASE. Alckmin e Doria têm pretensões eleitorais em 2018”. Apesar de afirmar publicamente que não irá trair o seu criador, tudo indica, pela sua movimentação política em vários Estados, essa promessa não será mantida. Na matéria, o Estadão revela: “Com a decisão da Executiva Nacional do PSDB de antecipar as convenções municipais e estaduais do partido, aliados do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria buscam correligionários afinado com seus projetos eleitorais (sic) para ocupar postos-chave na máquina partidária. (…) Os dois grupos querem blindar prefeito e governador, ambos cotados para disputar (sic) o Palácio do Planalto em 2018, contra eventual “fogo amigo” em ano eleitoral”.

Não apenas o PMDB (leia-se Temer) deseja atrair Doria. O DEM está também na jogada. O Painel da Folha (15/8) noticiou: “O pastor Silas Malafaia enviou mensagem a Doria [prefeito de São Paulo] estimulando-o a trocar o PSDB pelo DEM. O prefeito teria respondido que está “analisando”. A ver!

O convite de Temer ao Doria para se filiar ao PMDB parece que está estimulando o prefeito de São Paulo a trair Alckmin, repetindo o que ele fez com Dilma. Conseguirá a sua vingança? Como sempre digo: A conferir!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

GAZETA GUAÇUANA, 22/08/2017

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mudar PMDB para MDB não resolverá o problema do partido. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Em 1966, filiei-me ao MDB de Mogi Guaçu. O líder era o Carlos Nelson Bueno, que se elegeu deputado estadual por esse partido. Eu, além de filiado, me elegi Delegado dessa sigla. Tive uma participação nas lutas políticas em nossa cidade, redigindo boletins em defesa do MDB. Posteriormente, Carlos Nelson se elegeu deputado federal, também por esse partido. Em 1979, o MDB era bem votado e a ARENA, partido da Ditadura, estava em baixa. Por este motivo, o presidente João Figueiredo resolveu extinguir os dois partidos. Participei da Sessão que apreciou essa proposta do presidente, juntamente com o então vereador Wilson Alves Ferreira, falecido em 27/4/2015. No meu livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História”, à página 209, relatei: “Em vista disto [baixa popularidade da ARENA], o presidente João Figueiredo, em novembro de 1979, resolveu extinguir os dois partidos. O MDB resistiu . Os arenistas eram a favor. Convidado pelo deputado federal Carlos Nelson (MDB), o então vereador Wilson Alves Ferreira (MDB) e eu estivemos em Brasília. Assistimos essa histórica sessão. O tempo esteve “quente”. Havia duas assistências, uma hostilizando a outra. O “Clube do João”, como era conhecido os partidário do presidente, provavelmente militares à paisana, provocavam os emedebistas. Houve atritos e gases lacrimogêneos. (...) No final, realmente o MDB e a Arena foram extintos”. Com a extinção do MDB, filiamos ao PMDB, criado com o acréscimo do “P”. Agora, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá, após o partido se afundar na corrupção, quer tirar o “P”, voltando a ser MDB. Resolverá o problema? Logicamente, NÃO. É o que veremos.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, analisou essa estapafúrdia ideia de Jucá. Vamos transcrever o seu texto, sob o título “Tira o P, fica o resto”: “O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira [16/8]. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. “Queremos realmente ganhar as ruas”, declarou. (...) Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome seria mera maquiagem. “Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade”, apressou-se. (...) Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados (sic), que não têm culpa pelo que está aí. (...) Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: ´”É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento”. (...) O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. “Fazer isso agora vai parecer malandragem”, resumiu. (...) Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. “Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?”, questionou. (...) Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. “O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí, disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato. (...) O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Viera Lima, Jader Barbalho...” Entre eles pode-se ainda citar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Não descarto Baleia Rossi, que, como presidente do partido em São Paulo, bagunçou a sigla. Em Mogi Guaçu, cada ano, muda sua direção!

Eu me honro em ter pertencido ao MDB. No entanto, me envergonho de ser do PMDB. Por favor, presidente Jucá, esqueça da sigla antiga, que hoje pertence à História, com seus nomes ilustres e honrados: Ulysses Guimarães e Tancredo Neves!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Maduro realizou as eleições mais democráticas da história da Venezuela


As eleições são um jogo de cartas marcadas. Por meio do poder econômico, os capitalistas garantem seu controle sobre o Estado burguês apesar do inconveniente das eleições. O processo eleitoral serve de fachada democrática para o regime burguês, fornecendo uma ilusão de que os eleitores exercem algum controle sobre o Estado. Mas o poder econômico apenas ainda não é suficiente para garantir a vitória permanente e indefinida da direita nas eleições. A burguesia controla também as regras do jogo.

Mesmo com todas essas precauções, em momentos de crise como o atual o regime ainda escapa do controle de seus donos.

Na França, a burguesia teve que sacrificar seus dois principais partidos para colocar um desconhecido na presidência e derrotar uma candidatura da extrema-direita. Nos EUA, Donald Trump tomou de assalto a candidatura do Partido Republicano contra a vontade do aparato partidário e dos principais setores do imperialismo. E depois derrotou a candidata do establishment, Hillary Clinton, que só conseguiu ser a candidata do Partido Democrático graças a um golpe contra Bernie Sanders. No Reino Unido, os trabalhadores impuseram um representante próprio para liderar o partido da esquerda oficial do regime, assombrando os capitalistas. No Brasil, a direita só conseguiu se livrar do PT dando um golpe de Estado.

O golpe no Brasil
No Brasil, as eleições para o Executivo tendem a colocar os programas políticos e a ideologia dos candidatos em maior evidência do que nas eleições parlamentares. Por isso a burguesia pode perder o controle mais facilmente nesse tipo de eleição. Foi o que aconteceu depois que o PT continuou ganhando as eleições a partir de 2006. Depois de chegar à presidência para cumprir um mandato em 2002 por um acordo, o PT continuou vencendo as eleições presidenciais se tornando um intruso cada vez mais incômodo dentro do Estado burguês brasileiro. É por isso que agora se fala em parlamentarismo, ignorando-se o resultado do plebiscito sobre a forma de governo de 1993.

Com pressa para aplicar o programa neoliberal, o imperialismo teve que impulsionar um golpe de Estado no Brasil. Eleitoralmente, a direita tornou-se inviável, apesar de toda a manipulação, de toda a campanha da imprensa golpista, de todas as regras favoráveis aos conservadores. Agora, no marco do golpe de Estado perpetrado pelos entreguistas, os usurpadores estão discutindo uma reforma política para consolidar o golpe.

A reforma é parte de uma política de destruição do PT que consiste em perseguir seus principais quadros e atacar todas as organizações da classe trabalhadora que tenham relação com o partido. Apesar de todos os ataques ao PT, a reforma vem como mais uma garantia para a direita de que a classe trabalhadora será totalmente excluída do poder. Esse é o objetivo por trás da destruição do PT (e do resto da pequena esquerda restante como um brinde). A impopularidade da direita chega ao ponto de terem que prender o candidato em quem o povo quer votar: Lula.

As eleições, portanto, precisam ser contornadas nesse momento de crise porque o programa do imperialismo para os países atrasados é absolutamente impopular. Não pode haver a menor brecha para uma escolha genuinamente popular. A direita teleguiada quer acabar com os direitos trabalhistas, com os serviços públicos para os trabalhadores, roubar as aposentadorias e roubar as riquezas do país. Esse é o programa do imperialismo para todos os países atrasados e para os trabalhadores do mundo inteiro. Para realizar a manutenção do capitalismo falido, é preciso fazer com que a população pague caro pela crise. É difícil eleger alguém com esse programa.

A Constituinte na Venezuela
A Venezuela é alvo desse mesmo golpe, dirigido contra a América Latina de conjunto. Enquanto a imprensa burguesa cinicamente finge que o Brasil continua sob uma normalidade democrática, acusa, também cinicamente, Nicolás Maduro de ser um “ditador”. Uma inversão da realidade propagandeada à exaustão nos jornais, rádios e canais de TV da burguesia. Toda essa imprensa defende o programa dos golpistas contra os trabalhadores e por isso ataca quem impede ou pode atrapalhar a aplicação desse programa.

O Brasil, com um presidente golpista não eleito e com um Congresso discutindo como mudar as regras eleitorais de forma mais favorável à direita e desfavorável à esquerda, seria uma democracia. Uma democracia em que você termina sem aposentadoria, sem direitos trabalhista, ganhando mal e sem estabilidade no emprego, caso tenha a sorte de ter um emprego. Na Venezuela, onde o presidente foi eleito e acabam de ser realizadas eleições constituintes, o governo seria “ditatorial”.

A verdade sobre a Venezuela é justamente o contrário desse retrato feito pela imprensa golpista que apoia o assalto à aposentadoria e o congelamento de gastos públicos. O presidente Nicolás Maduro realizou as eleições mais democráticas que já aconteceram no país. A imprensa que o acusa de ser um “ditador” quer justamente que um ditador entre no lugar de Maduro para promover a catástrofe neoliberal contra os venezuelanos.

Composição da Assembleia Constituinte
Nenhuma eleição anterior foi tão democrática quanto a da Assembleia Constituinte. A Assembleia é composta por mais de 500 membros. Entre eles, 364 são representantes de determinados territórios, como costuma acontecer nas eleições parlamentares. Outros 173 membros são representantes de determinados setores da sociedade venezuelana. Esses 173 constituintes são divididos por setor da seguinte maneira: 5 empresários, 8 camponeses e pescadores, 5 portadores de deficiência, 24 estudantes, 79 trabalhadores, 24 representantes de comunidades e conselhos comunais e 28 aposentados e aposentadas. Outros 8 deputados ainda serão eleitos entre as comunidades indígenas.

Com tal composição, a Assembleia Constituinte da Venezuela tem uma participação popular efetiva muito maior do que a participação que resulta de eleições mais tradicionais comandadas pela burguesia. Enquanto o Congresso brasileiro conspira para excluir os trabalhadores totalmente do Estado, a Constituinte garante pelo menos 79 vagas para os trabalhadores na Venezuela. Enquanto os indígenas precisam implorar para serem ouvidos em Brasília, na Constituinte venezuelana eles elegerão 8 deputados de acordo com seus métodos tradicionais. Isso jamais seria possível dentro das regras mais usuais das eleições burguesas.

O regime venezuelano continua sendo um regime burguês, e o governo continua sendo um governo nacionalista burguês, que se apoia na burguesia nacional e nos trabalhadores. Porém, dentro dos marcos de um regime burguês, as eleições para a Assembleia Constituinte foram as mais democráticas da região. Maduro, que o jornal golpista Folha de S. Paulo passou a chamar de “ditador”, é o presidente mais democrático da América do Sul neste momento.

Como a Constituinte é efetivamente popular, a direita golpista boicotou as eleições e procurou impedir a população de votar. Um candidato chavista foi assassinado uma semana antes da votação. A população teve que enfrentar a ameaça de violência da direita golpista para poder exercer seu direito ao voto. Apesar desses obstáculos, as eleições foram um sucesso.

O sucesso eleitoral de Maduro
As eleições na Venezuela não são obrigatórias, e não tiveram participação da oposição, que resolveu boicotar e sabotar o processo eleitoral. Mesmo assim, 40% do eleitorado foi à urnas, 8 milhões de pessoas manifestaram seu apoio a Maduro. Um apoio maior ainda do que nas eleições de 2013, quando Maduro derrotou a direita com 7,5 milhões de votos. Um dos melhores resultados eleitorais da história do chavismo.

Desde que começou a se reunir a Assembleia Constituinte já tomou decisões importantes em defesa da Venezuela sob a ameaça de um golpe e sob a ameaça externa de uma “intervenção militar” dos EUA. Nicolás Maduro colocou seu cargo à disposição e foi ratificado pela Assembleia na presidência. Os deputados também votaram medidas para preparar a defesa do país contra o imperialismo e contra a especulação e a sabotagem econômica.

A maior democratização do Estado na Venezuela fortalece os trabalhadores e a população em geral contra a direita golpista. Os golpistas querem suprimir os direitos da população. A Constituinte pretende inscrever os programas sociais na própria Constituição. A direita, como o caso do Brasil mostra, precisa excluir o povo das decisões do Estado completamente. A Constituinte tem participação popular em uma proporção bastante grande.

Quando os jornais que apoiaram o golpe no Brasil chamam Maduro de “ditador” estão falsificando a realidade. E essa falsificação serve ao objetivo do imperialismo de substituir Maduro por um, aí sim, ditador. Um Pinochet capaz de impor uma série de retrocessos contra os trabalhadores e de entregar o petróleo para os monopólios estrangeiros.


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