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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Um espectro do trabalhismo ronda o Brasil


Sobre a dificuldade da esquerda em entender o trabalhismo como uma prática progressista, fundamental para o desenvolvimento do Brasil

A esquerda brasileira, principalmente a que foi formada na segunda metade dos anos 1970, na esteira das greves de São Bernardo do Campo, e em toda a região do Grande ABC, tem dificuldade de enxergar o trabalhismo como prática política progressista. Informados e formados pela sociologia paulista de inspiração contrária ao varguismo, os marxistas da luta contra a ditadura civil-militar associaram o trabalhismo ao populismo. É como procurar agulha no palheiro um intelectual uspiano que seja simpático ao legado de Vargas, Jango e Brizola . Pudera! A USP, fundada em 1934, é a consequência das derrotas de São Paulo em 1930 e na Revolução Constitucionalista de 1932.

Getúlio Vargas

Há uma tradição reacionária em matéria de política em São Paulo. A imprensa paulista sempre foi contra os interesses nacionais. A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que foi uma das manifestações que desencadearam o golpe de 1964, teve o apoio entusiasmado de Carlos Lacerda, que com os olhos lacrimejantes disse: “São Paulo começa a salvar o Brasil”. O II Exército, sediado em São Paulo e sob o comando o general Amaury Kruel , foi decisivo para o sucesso dos militares.

A USP foi criada para formar líderes que, baseados nas metodologias científicas, pudessem entender o país e governá-lo. Qual intelectual uspiano se levantou, na época, contra o golpe? Qual deles esocreveu algo positivo sobre João Goulart? Em que livro o professor Florestan Fernandes analisou Vargas, Jango e Brizola? Aliás, Florestan criticou Brizola por seu “nacionalismo machão”. Alfredo Bosi foi o único intelectual uspiano que abriu o jogo: A USP não se interessou pelo golpe de 1964. Em 1994, quando a USP chega ao poder, Fernando Henrique Cardoso em discurso de posse soltou o verbo: precisamos enterrar a Era Vargas.

Origem e evolução do trabalhismo

Com origem na Inglaterra, a partir da Revolução Industrial, o trabalhismo se estabeleceu e começou a se organizar enquanto movimento objetivando lutar por melhores condições de vida para os trabalhadores. Formou-se, então, um conjunto de doutrinas com ênfase no cenário econômico. Com seu crescimento, o movimento trabalhista dialogou com diferentes ideologias sob a mesma matriz, como democracia-cristã, social-democracia, socialismo, anarquismo e comunismo. No Brasil, começou a ganhar corpo no início do século XX, durante a fase final da República Velha, tornando-se mais presente em 1945, com a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), inspirado por Getúlio Vargas. Teve um papel fundamental como principal braço político da esquerda moderada, durante as décadas de 1950 e 1960, especialmente porque atraía pessoas que não se identificavam com os extremos (direita e comunismo). No final dos anos 1970, o PTB perdeu seus ideais originais trabalhistas, principalmente depois da morte de Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio Vargas. O grupo liderado por Leonel Brizola criou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que reuniu grande parte dos trabalhistas de esquerda. Outras pequenas correntes do trabalhismo se concentraram em outras legendas, como o Partido Trabalhista do Brasil e o Partida Trabalhista Nacional.

TEORIA DO POPULISMO

A teoria do populismo etiquetado com grife de Weffort fez muito mal à interpretação da história política do Brasil. Populismo entendido como prática política que usa o povo como massa de manobra é um conceito que liga nada a coisa nenhuma. O pior é que esse conceito é responsável por uma das maiores esquizofrenias do pensamento sociológico brasileiro. Faz com que a chamada esquerda marxista seja contra o golpe militar de 1964 e, ao mesmo tempo, contra os trabalhistas que foram apeados do poder.

Amaury Kruel » General de exército, depois marechal, Amaury Kruel (1901-1996) formou-se na Escola Militar do Realengo e participou da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Era chefe do Gabinete Militar e, depois, ministro da Guerra de João Goulart. Aderiu, porém, ao golpe de 1964.

Octavio Ianni » Professor emérito na Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de ter lecionado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Octavio Ianni (1926-2004) foi um dos maiores sociólogos da história do Brasil. Produziu trabalhos sobre racismo, desenvolvimento, mudança social, populismo, teoria sociológica e nova ordem global.

A teoria do populismo teve o disparate de fazer com que o maior inimigo da esquerda fosse o trabalhismo. Octavio Ianni chega a dizer que Vargas impediu o desenvolvimento do comunismo no Brasil. Será apenas fruto da manipulação das massas o fato de Getúlio Vargas ter sido idolatrado pelos trabalhadores? Como um ex-ditador “sanguinário” e “fascista” que defendia os empresários e iludia o povo volta eleito para a Presidência em 1950?

Usando o raciocínio lógico: se o trabalhismo deveria ser eliminado suas realizações tinham que ter o mesmo destino. Uma árvore ruim não pode dar frutos bons. Então são péssimas as seguintes realizações: a criação do Ministério do Trabalho; a CLT; o voto secreto; o voto feminino; a nacional Vale do Rio Doce; a luta contra o imperialismo; o aumento de 100% do salário mínimo em 1953; a criação da Petrobras; o anteprojeto de criação da Eletrobrás e a lei contra a remessa de lucros. Todas essas ações, portanto, são execráveis porque contribuíram para tirar a autonomia organizacional da classe trabalhadora.
A deportação de olga Benário, companheira de Prestes, para a Alemanha nazista foi um episódio lamentável da era Vargas
Confinar Getúlio Vargas ao período de Estado Novo, de 1937 até 1945, é um reducionismo histórico. É outro Vargas de 1950-1954. Tancredo Neves, no episódio do atentado da rua Toneleros, quando Vargas abriu desnecessária e temerariamente o Palácio do Catete à devassa da República do Galeão, disse que o ex-presidente tinha complexo de ditador. Ou seja, que tinha bode com esse passado, de modo que não criou nenhum empecilho às investigações.

A crítica mais emblemática a Vargas é em relação à deportação para a Alemanha de Olga Benário, que viria a morrer numa câmara de gás. É absolutamente lamentável esse fato. Contudo, é sintomático que Luiz Carlos Prestes tenha defendido a Constituição com Getúlio logo que deixou a prisão. Só para constar: Prestes era marido de Olga Benário. E não deixa de ser curioso que os trabalhadores conquistaram seus maiores direitos no Estado Novo.

Jango e Brizola foram outras vítimas da direita e da teoria do populismo dos marxistas brasileiros. Os dois são responsabilizados pelo golpe de 1964. O primeiro era visto como fraco, com desejo insaciável pelo poder, um despreparado e incapaz de governar o Brasil. Quem fugiu dessa interpretação reacionária foi Darcy Ribeiro. Para o antropólogo, Jango foi deposto por causa de suas virtudes. O segundo foi chamado de populista, demagogo, dinossauro, lunático, radical, descolado da realidade, etc. Num congresso da UNE de 1998, quando Leonel Brizola começou a discursar os estudantes do PT começaram a entoar o seguinte coro: “Eu vou, eu vou, eu vou entrar de sola, fazer reforma agrária, na fazenda do Brizola”. Um absurdo revelador da falta de conhecimento histórico do que representou Leonel Brizola na política brasileira.

Qual líder da esquerda no Brasil fez o que Brizola conseguiu em 1961 na época da campanha da legalidade? foi a primeira e única vez que a esquerda (…) teve apoio da opinião pública.

A CAMPANHA DA LEGALIDADE
Leonel Brizola morreu antes de conseguir realizar o seu destino histórico: ser presidente do Brasil
Qual líder da esquerda no Brasil fez o que Brizola conseguiu em 1961 na época da Campanha da Legalidade? Foi a primeira e única vez que a esquerda (situo o trabalhismo à esquerda do espectro político) teve apoio da opinião pública. Pelas ondas do rádio, Brizola armou a população do Rio Grande do Sul, dividiu o Exército e poderia ter subido com o povo até Brasília e feito uma transformação social e política no Brasil. Atitude populista? Inclusive Carlos Lacerda, que se referia à Campanha da Legalidade como “gracinha trágica”, disse que Brizola ganhou a batalha das comunicações.

Quando governador do Rio Grande do Sul fez a primeira reforma agrária do país – em Sarandi. Aos trabalhadores acampados colocou toda a estrutura do Estado para apoiá-los. Desapropriou terras e realizou o assentamento. Nacionalizou duas multinacionais, a ITT e a Bonde & Share. Criou o Banco Estadual para fomentar o desenvolvimento industrial. No Rio de Janeiro criou os CIEPs e enfrentou como nenhum outro político brasileiro o poder de Roberto Marinho. O conceito de perdas internacionais como uma bomba de sucção drenando nossas riquezas, Brizola o desenvolveu vinculando a partir de sua prática como governador, quando sentiu de perto a espoliação que os estados menos desenvolvidos e o país sofriam.

Roberto Marinho » Empresário da comunicação, Roberto Pisani Marinho (1904-2003) é uma das figuras mais controversas da história do Brasil. Construiu um verdadeiro império, as Organizações Globo, porém seu maior crescimento ocorreu durante a ditadura civil-militar. Católico, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. O lado sombrio de sua trajetória é narrado no documentário britânico Muito além do cidadão Kane (1993), exibido pela emissora pública do Reino Unido Channel 4.

Palavras de Gilberto Vasconcellos

“[…] Às vezes eu me pergunto se o balé antipopulista da USP sociológica não é uma paranoia elitista inimiga do folclore, pois no Sul a figura lendária do caudilho se origina de gaudério, assim como no Nordeste o jagunço cangaceiro é uma invenção sertaneja. O cineasta Glauber Rocha já dizia, num artigo belíssimo sobre o romancista José Lins do Rego, que a prosa brasilianista da sociologia substituiu o ciclo épico do cangaço, ou seja, o boom sociológico dos anos 60, fabricado pela ideologia automobilística dos Esteites, é uma armação colonialista para eliminação do nosso imaginário a linguagem do romance nordestino de 1930 […].” (VASCONCELLOS, 1989, p. 53)

“Somos governados pelas palavras. Então a consulta ao dicionário torna-se fundamental, antes, durante e depois da campanha. Não nos esqueçamos de que a crise brasileira é também a crise da linguagem. O que é autoritário? Qual a definição de populista? E caudilho, o que significa?

Autoridade é o direito de tomar decisões, o poder legítimo de se fazer obedecer. É o caso do piloto de avião que exerce uma autoridade racional. Inquestionável. Portanto, sem autoridade é impossível viver.

Autoritário é o abuso da autoridade que procura se impor pela força. Despótico. Quem manda sem o poder legítimo de mandar. Arrogante. Violento. Ditatorial. Dominador. Golpista.

Populista é o amigo do povo.

Caudilho ou chefe, civil e militar. Aquele que conduz o povo. Sem líder não há povo.” (VASCONCELLOS, 1989, p. 99)

“[…] Segundo as análises sociológicas, cabe ao governo João Goulart a culpa do golpe de 64, porque foi um governo que provocou a agitação política das massas, e não a agitação política de classe. Trata-se de raciocínio abstrato, mera inadequação do ‘tipo ideal’ weberiano, construído por quem passou inteiramente alheio à vida política em 1964. A sociologia da USP sobre o fracasso janguista é post factum. Os sociólogos metapopulistas não estão interessados em explicar o destino trágico e sim preocupados apenas em testarem os conceitos de suas teses acadêmicas […].” (VASCONCELLOS, 1989, p. 107-108)

O que estamos presenciando no atual estágio político brasileiro não deixa de ser interessante. Primeiro deixa claro que a direita, quando perde seguidamente, como a UDN nos anos 40, 50 e 60 do século passado, recorre ao expediente golpista. Antes usaram os militares, agora usam politicamente a Justiça. Segundo: o único movimento teórico e político que efetivamente se contrapõe ao modelo hegemônico neoliberal é o trabalhismo. De modo que o PSDB e o PT, amlenin bos gestados na ideologia antigetulista, jogaram água no moinho de gastar gente do grande capital.

Lenin dizia que a prática é o único critério da verdade. lendo a história do Brasil, o trabalhismo foi a única força que enfrentou na prática o imperialismo. Portanto, não é incompatível com o socialismo

Não dá para desconhecer que com todos os avanços sociais que vivenciamos nesses últimos anos com o PT na Presidência nunca os empresários e principalmente banqueiros ganharam tanto. Agora que a política de conciliação de classes entrou em crise por conta da queda no preço das commodities, a direita se rearticula para implementar políticas de superexploração do trabalho. Trocando em miúdos: o desmonte de direitos que foram implantados pelos líderes trabalhistas. A prosódia é horrorosa: custo Brasil, flexibilização das leis trabalhistas, privatizações, choque de capitalismo, mais mercado menos estado, etc.

O PT nunca enfrentou o capital internacional. Qual a contradição do partido com as privatizações? As denúncias contra as privatizações foram usadas como retórica marqueteira contra o PSDB. No governo, o PT também privatizou. Henrique Meirelles, eleito deputado pelo PSDB, foi catapultado a presidente do Banco Central. Até essa onda de denúncias pela imprensa – que se transformou em partido político -, qual a contradição real do PT com a Rede Globo? Só agora, em 2016, Lula resolveu enfrentar a Globo.

Quando Brizola volta do exílio, em 1979, vai até o sindicato dos metalúrgicos se encontrar com Lula e propor uma aliança entre o trabalhismo e o sindicalismo paulista. Lula o faz esperar por duas horas e quando conversa com Brizola o trata de forma fria e absolutamente deselegante. Deu no que deu! Gilberto Vasconcellos em 1989 escreveu um livro chamado Brizulla, em que defende a aliança para as eleições presidenciais de Brizola e Lula. O samba Brizulla da democracia atravessou. Collor é eleito, Itamar, empossado depois do impeachment, e FHC, com o Plano Real, cumpre a função de vender o Brasil.

POLARIZAÇÃO POLÍTICA

Nesse momento de polarização extrema da política brasileira, Lula deveria fazer uma profunda autocrítica. Simbolicamente deveria ir até São Borja, e se reconciliar com Vargas, Jango e Brizola e, diante dos túmulos dos líderes trabalhistas, assumir o compromisso histórico de tomar a Carta-Testamento em suas mãos e lutar em defesa da soberania nacional. Não há povo sem líder, de modo que essa aversão ao caudilho é incompatível com o momento decisivo em que nos encontramos.

É visível o fracasso da interpretação histórica uspiana que desaguou na tragédia do desmonte do Estado nacional. É urgente a retomada do fio da história. Usar como discurso que a perseguição que sofre da imprensa é igual à que Vargas e Jango também sofreram como Lula vem fazendo não basta. Vargas e Jango foram vítimas de uma campanha sórdida porque bateram de frente com os latifundiários; com a burguesia; com os banqueiros; com o capital internacional e com os EUA.
Contra as manifestações elitistas recentes, é preciso investir no trabalhismo e no desenvolvimentismo de esquerda
Lula tem a chance histórica, como o maior líder de massa no Brasil atual, de pegar a bandeira do trabalhismo. A Petrobras está mais uma vez no epicentro da crise política. As mesmas forças que hoje se assanham para se apossar do nosso petróleo são as mesmas que levaram o presidente Vargas ao suicídio. O capital internacional de olho em nossas riquezas faz alianças com setores entreguistas da Nação, e com a mesma estratégia de sempre utiliza a imprensa para preparar a opinião pública.

Não dá para desconhecermos uma verdade inquestionável: o Brasil está sob o bombardeio do imperialismo das multinacionais que, se precisar, em conluio com os Estados de maior poderio bélico, roubam os bens naturais de que não dispõem. O trabalhismo era o obstáculo. Em 1964 foi eliminado. Brizola não poderia nunca chegar à Presidência, não conseguiu. Tiraram dele a sigla PTB, depois de uma campanha sem tréguas para desmoralizá-lo promovida principalmente pela Rede Globo. Inclusive o PT foi um dos responsáveis pela não eleição de Brizola em 1989. Leonel Brizola morreu sem cumprir seu destino histórico: ser presidente do Brasil.

Lenin dizia que a prática é o único critério da verdade. Lendo a história do Brasil, o trabalhismo foi a única força que enfrentou na prática o imperialismo. Portanto, não é incompatível com o socialismo. Aliás, Brizola acreditava que o trabalhismo era o caminho para o socialismo. Por isso, não resta outra opção para o PT – e Lula – que não seja brizolar.

Yago Junho é sociólogo e mestre em Teoria da literatura e identidade cultural pela Universidade federal de Juiz de fora (UfJf) e autor do livro sociologia Pau Brasil (multifoco, 2014). e-mail: yeuzebio@gmail.com.

REFERÊNCIAS

BANDEIRA, moniz. O governo João Goulart – as lutas sociais no Brasil (1961-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. 187 p.
____________ Brizola e o trabalhismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. 203 p.
CAZARRONI, André. Getúlio Vargas. Rio de Janeiro: José olympio, 1939. 295 p.
FERREIRA, Jorge. João Goulart, uma biografia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. 713 p.
FREITAS, décio; LARANGEIRA, Álvaro (orgs.). A serpente e o dragão. Porto Alegre: Sulina, 2003. 160 p.
LEITE FILHO, F. C. El caudillo – Leonel Brizola, um perfil biográfico. São Paulo: Aquariana, 2008. 543 p.
NETO, lira. Getúlio. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 3 v
RIBEIRO, Darcy. Jango e eu. Brasília: UnB, 2010. (Darcy no Bolso), 107 p.
RIBEIRO, José augusto. A Era Vargas. rio de Janeiro: casa Jorge editorial, 2001. 3 v.
VASCONCELLOS, Gilberto Felisberto. Brizulla – o samba da democracia ou a parafernália do populismo. Brasília: Pajelança, 1989.
____________________ Jangada do Sul. são Paulo: casa amarela, 2005. 133 p.
VILLA, marco antonio. Jango, um perfil (1945-1964). são Paulo: globo, 2004. 287 p.

Revista Sociologia Ed. 64 ( Texto completo, com imagens )

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domingo, 22 de janeiro de 2017

VENEZUELA: As 10 vitórias do Presidente Nicolás Maduro em 2016



por Ignacio Ramonet

No início de 2016, tudo parecia complexo para as autoridades de Caracas. E isto principalmente por três motivos:

1) A oposição neoliberal havia vencido as eleições em dezembro de 2015 e controlava a Assembleia Nacional;

2) A queda do preço do petróleo, o principal recurso da Venezuela, atingia o seu nível mais baixo desde há décadas;

3) O presidente dos Estado Unidos, Barack Obama havia assinado uma Ordem Executiva declarando a Venezuela uma “ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos”.

Ou seja, em três áreas decisivas – política, econômica e geopolítica – a Revolução Bolivariana aparecia na defensiva, enquanto a contrarrevolução, tanto interna como externa, pensava ter finalmente o poder ao seu alcance.

Tudo isto num contexto de guerra midiática de longa duração contra Caracas, que começou com a chegada à Presidência de Hugo Chávez em 1999, que se intensificou em Abril de 2013 e atingiu níveis sem precedentes de violência após a eleição do Presidente Nicolás Maduro.

Este clima de assédio midiático, agressivo e permanente, produziu uma desinformação insidiosa sobre a Venezuela, semeando a confusão mesmo entre numerosos amigos da Revolução Bolivariana. Especialmente porque nesta época da “pós-verdade”, a mentira, a fraude intelectual, o manifesto logro não é sancionado por quaisquer consequências negativas nem sobre a credibilidade, nem sobre a imagem dos que o praticam.

Vale tudo nesta “era do relativismo, pós-factual”, em que mesmo os factos e dados mais objetivos não são tidos em consideração. Mesmo o argumento – tão óbvio para a Venezuela – do complô, da conspiração, da conjura, não é aceito. O novo discurso midiático dominante denuncia e ridiculariza desde logo “a pretenso conjura” como um argumento inaceitável de “relatos à antiga”, não admissíveis…

No início de 2016, tudo parecia difícil para o presidente venezuelano. A um ponto tal que o canhestro adversário neoliberal Henry Ramos Allup, embriagado pela sua maioria parlamentar, se atreveu a assegurar em Janeiro de 2016, no seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Nacional, que “num prazo de menos de seis meses” ele expulsaria Nicolas Maduro do poder. Isto provavelmente inspirando-se no golpe institucional contra a presidente Dilma Roussef, do Brasil e apostando na vitória num referendo revocatório.

Assim estavam as coisas, quando o presidente Maduro, numa sequência magistral de que ninguém se apercebeu no jogo de xadrez que se desenvolvia, surpreendeu a todos. Ele renovou, como era sua prerrogativa de acordo com a Constituição, os membros do Tribunal Supremo Justiça (TSJ), instância superior do poder judiciário, cuja Sessão Constitucional tem a última palavra na interpretação da Constituição.

A oposição, imbuída da sua soberba, cometeu então dois grandes erros:

1) Decidiu ignorar os avisos do TSJ e admitiu em funções três deputados do Estado do Amazonas, cuja eleição em dezembro de 2015 fora objecto de suspensão por irregularidades. Perante esta afronta, o TSJ evidentemente declarou a não validade das decisões da Assembleia Nacional devido à presença de três deputados “não eleitos regularmente”. O TSJ declarou a Assembleia Nacional em desobediência, e por conseguinte, “todas as suas decisões seriam consideradas nulas”. Assim, pelos seus próprios erros, a Assembleia não conseguiu nem legislar nem controlar o governo, mas pelo contrário, tal como reconhecido por renomados especialistas em direito constitucional, anulou-se a si mesma, dilapidou o seu poder, auto-dissolveu-se. Esta foi a primeira grande vitória do Nicolas Maduro em 2016.

2) Na sua obsessão de derrubar o Presidente, a oposição antichavista decidiu igualmente ignorar o que estipula o artigo 72º da Constituição sobre as etapas indispensáveis e os requisitos legais para a realização de um referendo revocatório em 2016. Neste ponto a oposição conheceu também uma importante derrota. E foi outra grande vitória para Nicolas Maduro.

Apesar disto, em março-abril de 2016, tudo se tornou mais complexo. Porque às ofensivas habituais das forças hostis à Revolução Bolivariana veio juntar-se uma impressionante seca, a segunda maior desde 1950 e uma onda de calor, em resultado do fenómeno El Niño. Ora, na Venezuela, 70% da energia provém de centrais hidrelétricas, a principal das quais depende da albufeira de El Guri. Com a ausência de chuva, os níveis desta barragem diminuíram até quase atingir o mínimo.

A contrarrevolução tentou aproveitar-se destas circunstâncias para aumentar as sabotagens elétricas, procurando criar um caos energético, cólera social e manifestações. O perigo era grande, porque o problema eléctrico foi agravado pela falta de água potável, em resultado da persistência da seca…

Mas mais uma vez o Presidente Maduro respondeu rapidamente tomando medidas drásticas: decidiu substituir milhões de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo; ordenou a substituição de velhos condicionadores de ar por outros mais eficientes; decretou meio dia de trabalho na administração pública e implementou um plano nacional especial de consumo de energia elétrica e água.

Graças a estas medidas audaciosas, o Presidente conseguiu evitar o colapso energético. E obteve uma das vitórias mais populares de 2016.

Outro dos problemas importantes que o governo teve de enfrentar (talvez o mais grave) – em parte consequência da guerra econômica contra a Revolução Bolivariana – foi o do aprovisionamento alimentar. Lembremos que, antes de 1999, 65% dos venezuelanos viviam em situação de pobreza (*) e apenas 35 por cento poderia beneficiar de uma boa qualidade de vida. Ou seja, em cada 10 venezuelanos, apenas três se alimentavam regularmente com carne, café, milho, leite, açúcar… No decorrer dos últimos 17 anos, o consumo de alimentos (graças ao enorme investimento social da revolução) aumentou em 80%.

Esta mudança estrutural explica por si só por que a produção nacional de alimentos, muito mais importante do que se pensa, se tornou insuficiente.

Com o enorme aumento da procura, a especulação cresceu vertiginosamente. Face a uma oferta estruturalmente limitada, os preços dispararam. O fenômeno do mercado negro ou ‘bachaqueo” propagou-se: tratava-se de comprar produtos subsidiados pelo governo, a preços mais baixos que os de mercado para os revender a preços superiores aos do mercado. Ou “exportá-los” maciçamente para países vizinhos (Colômbia, Brasil) revendendo-os a preços duplos ou triplos dos subsidiados. Assim, a Venezuela era “esvaziada” de seus dólares – cada vez menos devido ao colapso do preço do petróleo – para engordar os “vampiros” que despojavam os mais humildes dos produtos base, enriquecendo de forma escandalosa.

Uma tal imoralidade não poderia continuar. Mais uma vez, o Presidente Maduro agiu com firmeza. Primeiro – muito importante – mudou a filosofia da assistência social. Corrigiu um grande erro cometido pela Venezuela desde há décadas. Decidiu que o Estado, ao invés de subsidiar os produtos, devia subsidiar as pessoas, aqueles que realmente tivessem necessidade. Para que apenas aqueles que realmente precisavam, pudessem ter acesso aos produtos subsidiados pelo Governo. Para todos os outros, os preços dos produtos eram os preços justos fixados pelo mercado. Isto evitava a especulação e o “bachaqueo”.

Como segunda medida decisiva: o Presidente anunciou que de futuro o governo iria orientar todos os seus esforços para a mudança do modelo económico do país, passando de um “modelo rentista”‘ para um ‘modelo produtivo”. E o Presidente definiu o que chamou de “dois motores” para impulsionar a actividade económica tanto no sector privado como no sector público e na economia comunitária.

Estas duas decisões essenciais convergiram numa criação original, imaginada pelo Presidente Maduro: os CLAP (Comitês Locais de Aprovisionamento e Produção), constituindo uma nova forma de organização popular. Casa a casa, representantes das comunidades organizadas, entregam sacos com alimentos a um preço regulamentado. Muitos destes alimentos vêm de nova produção nacional. Os CLAP deverão aprovisionar durante os próximos meses de 2017 cerca 4 milhões famílias de menores rendimentos, assegurando desta forma a alimentação do povo, assim rubricando uma nova grande vitória do Presidente Maduro.

Uma outra vitória não menos importante no difícil ano de 2016 foi a taxa recorde de investimento social, representando 71,4% do orçamento nacional. É um recorde mundial. Nenhum outro Estado do mundo gasta quase três quartos do seu orçamento em investimento social.

Em matéria de saúde, por exemplo, o número de hospitais foi multiplicado por 3,5 desde 1999. E o montante dos investimentos no novo modelo da saúde pública foi multiplicado por dez.

No quadro da Missão “Barrio Adentro”, cujo objetivo é o acesso aos cuidados de saúde nas zonas urbanas mais modestas do país, tiveram lugar quase 800 milhões de consultas salvando a vida de quase 1 400 000 pessoas. As escolas médicas formaram 27 mil médicos em 2016 e outros 30 mil deverão obter o seu diploma em 2017. Oito Estados da Venezuela estão cobertos a 100% pela Missão “Barrio Adentro”, enquanto o objetivo fixado era de seis Estados.

Outra vitória social fundamental, não mencionada pela mídia dominante, diz respeito a pensões de reforma. Antes da revolução, apenas 19% das pessoas em idade de se reformarem recebiam uma pensão, os restantes subsistiam frequentemente na miséria ou dependentes de suas famílias. Em 2016, 90% das pessoas em idade da reforma recebiam uma pensão, isto mesmo que não tivessem podido contribuir para a Segurança Social durante sua vida ativa. Um recorde na América do Sul.

Uma vitória espectacular – mais uma vez mais não mencionada pelos meios de comunicação dominantes – foi a “Misión Vivienda”, cujo objetivo é construir habitação social a preços regulados para famílias mais modestas.

Em 2016, esse programa entregou 359 mil habitações (a título de comparação, um país desenvolvido como a França apenas construiu 109 mil habitações sociais em 2015). Acrescente-se que 335 mil habitações foram renovadas como parte do maravilhoso programa “Misión Barrio Nuevo, Barrio Tricolor”. Missão que recebeu elogios do grande arquiteto Frank Gehry, criador do Museu Guggenheim em Bilbao e Museu Louis Vuitton, em Paris e que afirmou querer participar. Estamos a falar de quase 700 mil habitações sociais em 2016. Um número ímpar no mundo.

Desde o início do seu mandato em 2013, o Presidente Maduro já entregou às famílias modestas quase 1 milhão e meio de habitações. Um recorde mundial passado em silêncio pelos meios de comunicação hostis à Revolução Bolivariana. E que mesmo os seus amigos por vezes negligenciam mencionar.

Por último, lembremos algumas das vitórias brilhantes obtidas no domínio da geopolítica. Por exemplo: ter impedido a Organização dos Estados Americanos (OEA), controlada por Washington, de condenar a Venezuela como queria o secretário-geral da organização, Luis Almagro, invocando contra a Venezuela a Carta Democrática.

Outro sucesso foi a 27ª Cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), que se realizou em setembro de 2016 no Centro de Convenções Hugo Chavez, na ilha Margarita, na presença de muitos Chefes de Estado e de Governo e de representantes de 120 países que manifestaram a sua solidariedade com a Venezuela.

Mas a principal vitória do Presidente Maduro neste domínio foi o incrível sucesso do acordo entre os países da OPEP e NÃO OPEP para uma redução concertada das exportações de petróleo, fruto de numerosas viagens do Presidente em busca deste objetivo.

Este acordo histórico, assinado em Novembro de 2016, imediatamente desacelerou a queda no preço do petróleo, que havia entrado em colapso a partir de meados de 2014, quando o preço ultrapassou 100 dólares por barril. Com esta importante vitória, o preço do petróleo, que fora 24 dólares em Janeiro, ultrapassava os 45 dólares no final de dezembro de 2016.

Assim, durante o ano, o mais duro e o mais longo, durante o qual muitos apostaram no seu fracasso, o Presidente Nicolás Maduro frustrou todas as armadilhas e todas as dificuldades, mostrou a sua excepcional dimensão de estadista e de líder indestrutível da Revolução Bolivariana.

Original encontra-se em www.telesurtv.net/… e a versão em francês em

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/


(*) NOTA DESTE BLOG: Uma edição do jornal argentino El Clarín de 1999, ano em que Hugo Chávez assumiu a presidência, informava que 80% dos venezuelanos vivia abaixo do nível de pobreza. Vejam: 

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"STARGATE" CIA libera documentos secretos que falam em OVNIS e experiências psíquicas


Reprodução do DIARIO DE NOTICIAS

Ver mais em: site da revista UFO

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E daí que é "teoria da conspiração"?



As mal-denominadas "teorias da conspiração" existem há muito tempo. Acho que é coisa de neófito achar ou sugerir que foi a Internet que as inventou.

Mal-denominadas porque a própria expressão parece ter sido cunhada com o propósito de desqualificar explicações alternativas e DÚVIDAS SAUDÁVEIS.

Dúvidas que as pessoas, cuja imaginação ainda não foi embotada, têm ou desenvolvem a respeito de acontecimentos, diante de supostos fatos e justificativas fáceis.

Assim, a rubrica "teoria da conspiração" fica parecendo um recurso de automática desqualificação: 
- Ah, espalha por aí que essa história é "teoria da conspiração", pra tentar fazer ele ficar quieto...

Um dia eu vi um programa na TV em que o cara falava sobre "industria" de algo que não lembro agora, se era das teorias da conspiração ou se de ufologia ou paranormalidade. Provavelmente era um cético.

Claro, as pessoas que têm interesses costumam se juntar, fazer feiras, encontros, lançar livros, canecas, miniaturas, camisetas, posters etc. Isso é normal. Fãs de automóveis fazem isso. Fãs de futebol fazem isso. Fãs de disco voador também. Isso faz girar dinheiro.

O problema é que o próprio sujeito não falou do mercado do ceticismo. Isso existe também.

Será que caberia a pergunta "O que seria dos céticos se não fossem os crentes"?

E há cético de todo tipo: por exemplo, os céticos do aquecimento global versus os crentes do aquecimento global. Os céticos que acreditam na verão de que o Lee Harvey Oswald matou sozinho o Kennedy, versus os teóricos da conspiração, que se dividem em várias tendências: os que acham que foi a CIA, os que acham que foram os russos, outros acham que foi a Máfia, ou os cubanos.
Alguns céticos do aquecimento global recorrem às verdades científicas, exibem estudos e pesquisas feitas por renomados cientistas. Só que, de vez em quando, alguns teóricos da conspiração acabam denunciando que as pesquisas e estudos apresentados foram patrocinados por lobbies ligados à indústria petrolífera.

Por outro lado, às vezes os "teóricos da conspiração" é que são os céticos e, na verdade, talvez a pecha de "teóricos..." seja justamente para que não seja reconhecido que eles são OS céticos em alguns assuntos.

Pegue o caso dos trangênicos. Os contrários, os adeptos da cautela, ou que simplesmente não querem saber desse tipo de planta, são também às vezes rotulados de "teóricos...".

Mas se olhar com uma visão menos envenenada, ELES é que são os céticos, quer não acreditem na segurança para o meio ambiente, quer não acreditem no bom samaritanismo das multinacionais monopolistas, quer não acreditem na necessidade desse tipo de produção. ISSO é ceticismo também. A questão também passa por ter mais e maior acesso aos meios de comunicação para contar sua versão.

Isso tudo não exclui o fato de que muitas das "teorias..." são realmente malucas.

Mas a existência de maluquices - que, em tese, seriam a nata das "teorias..." -, também serve muito a quem deseja desqualificar teorias melhor elaboradas ou dúvidas pertinentes.

A versão de que Saddam não tinha armas de destruição em massa também foi tratada como "teoria da conspiração" pela imprensa ocidental, mera transmissora das informações conforme determinadas pelo Departamento de Estado dos EUA.

MAIS INFORMAÇÕES:

O termo "teorias da conspiração" foi inventado pela CIA:

Paul Craig Roberts: Tu és um pateta mentalmente controlado pela CIA?

Faz você um sorriso escarninho quando ouve alguém questionar as narrativas oficiais de Orlando, San Bernardino, Paris ou Nice? Sente-se você superior a 2.500 arquitetos e engenheiros, bombeiros, pilotos comerciais e militares, físicos e químicos, assim como a antigos altos responsáveis do governo que levantaram dúvidas acerca do 11 de Setembro? Se assim é, você reflete o perfil de um pateta com mentalidade controlada pela CIA.


A expressão “teoria da conspiração” foi inventada e posta a circular no discurso público pela CIA, em 1964, a fim de desacreditar os muitos céticos que contestavam a conclusão da Comissão Warren de que o presidente John F. Kennedy fora assassinado por um pistoleiro solitário chamado Lee Harvey Oswald, o qual por sua vez foi assassinado enquanto sob a custódia da polícia antes que pudesse ser interrogado. A CIA utilizou seus amigos nos media para lançar uma campanha a fim de tornar suspeições do relatório da Comissão Warren alvo de ridículo e hostilidade. Esta campanha foi “uma das iniciativas de propaganda de maior êxito de todos os tempos”.

Assim escreve o professor de ciência política Lance deHaven-Smith, o qual no seu livro revisto por especialistas (peer-reviewed) Conspiracy Theory in America , publicado pela University of Texas Press, conta como a CIA teve êxito ao criar na mente do público a estigmatização reflexiva e automática daqueles que contestavam explicações do governo. Este é um livro extremamente importante e fácil de ler, um daqueles raros livros com o poder de arrancá-lo de The Matrix.

O professor deHaven-Smith pôde escrever este livro porque o original do CIA Dispatch #1035-960, o qual estabelece a trama da CIA, foi obtido através de um requerimento ao Freedom of Information Act. Aparentemente, a burocracia não encarou um documento tão velho como sendo de qualquer importância. O documento está marcado “Destruir quando não for mais necessário”, mas por alguma razão não o foi. O Despacho #1035-960 da CIA é reproduzido no livro.

O êxito que a CIA teve ao estigmatizar o ceticismo a explicações do governo tornou difícil investigar Crimes de Estado Contra a Democracia (State Crimes Against Democracy, SCAD) tais como o 11 de Setembro. Com a mente do público programada para ridicularizar “lunáticos da conspiração”, mesmo no caso de eventos suspeitos como o 11 de Setembro o governo pode destruir provas, ignorar procedimentos prescritos, atrasar uma investigação e a seguir formar um comitê político para colocar o seu imprimatur sobre a narrativa oficial. O professor deHaven-Smith nota que em eventos tais como o assassinato de Kennedy e o 11 de Setembro na investigação nunca são empregues os procedimentos oficiais da polícia.

O livro do professor deHaven-Smith’s apoia o que tenho contado aos meus leitores: o governo controla a narrativa desde o princípio ao ter a explicação oficial pronta no momento em que ocorre o SCAD. Isto faz de qualquer outra explicação uma “teoria da conspiração”. Isto é o modo como coloca o professor deHaven-Smith:

“Uma abordagem SCAD para memes [1] supõe mais uma vez que a CIA e outras possíveis agências participantes estejam a formular memes bem antes das operações e, portanto, memes SCAD aparecem e são popularizados muito rapidamente antes que quaisquer conceitos competidores entrem em cena”.

O êxito da CIA no controle da percepção pública quanto ao que os nossos Pais Fundadores teriam encarado como eventos suspeitosos envolvendo o governo permite àqueles em posições de poder dentro do governo orquestrarem eventos que servem agendas ocultas. Os eventos do 11 de Setembro criaram um novo paradigma de guerra sem fim em prol de um mundo dominado por Washington. O êxito da CIA no controle das percepções públicas tornou impossível investigar crimes da elite política. Consequentemente, agora é possível ser responsável da política do governo dos EUA para a traição.

O livro do professor deHaven-Smith contar-lhe-á a narrativa do assassinato do presidente Kennedy por elementos militares dos EUA, da CIA e do Serviço Secreto. Assim como a Comissão Warren encobriu o Crime de Estado Contra a Democracia, o professor deHaven-Smith mostra porque deveríamos duvidar da narrativa oficial do 11 de Setembro. E de outras coisas que o governo nos conta.

Leia este livro. É curto. É barato. É preparação para a realidade. Ele o preservará de ser um americano idiota, indiferente e com o cérebro lavado. Estou surpreendido por a CIA não ter comprado toda a edição e queimado os livros. Talvez a CIA se sinta segura com o seu êxito em lavar os cérebros do público e não acredite que a democracia americana e um governo responsável possam ser restaurados.

[1] Memes: ideia, prática social, conceito ou ação que se torna norma e é conscientemente repetido numa sociedade (termo cunhado por Richard Dawkins no livro “The Selfish Gene”, 1976)

Fonte: Resistir.info, do original em www.paulcraigroberts.org

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Morte de Teori lembra a de Castelo Branco



Nunca apreciei essa coisa da teoria da conspiração.

Mas essa morte do Teori está me lembrando a do Castelo Branco, cujo helicóptero caiu quando ele estava em rota de colisão com a linha dura do Exército sobre os rumos da ditadura nos anos 60.

Teori era um dos poucos no STF que parecia ser mais consciencioso.

Agora a Lava-Jato fica na mão de um ministro indicado por Michel Temer.

É muita coincidência.

Do Uol:

Um dos principais investigadores da Operação Lava Jato, o delegado federal Marcio Adriano Anselmo pediu a investigação "a fundo" da morte do ministro Teori Zavascki, "na véspera da homologação da colaboração premiada da Odebrecht".

"Esse 'acidente' deve ser investigado a fundo", escreveu em sua página no Facebook, destacando a palavra "acidente" entre aspas.

Anselmo afirmou que a morte de Teori é "o prenúncio do fim de uma era" e disse que ele "lavou a alma do STF à frente da Lava Jato".

"Surpreendeu a todos pelo extremo zelo com que suportou todo esse período conturbado", afirmou.


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"Por que os Direitos Humanos não liga para as vítimas, mas só pra os bandidos?'" Entenda por que essa pergunta não faz sentido



É muito comum, dada a onda de pessimismo e a nuvem de pouca reflexão que paira sobre o Brasil, alguém questionar a validade/utilidade dos Direitos Humanos já que ele "só defende bandidos" - no entanto, temos a obrigação de afastar essa nuvem que ofusca o sentido das coisas e deixar o sol do significado das coisas brilhar!

A primeira coisa é responder é: por que precisamos dos Direitos Humanos? E para responder isso, precisamos responder outra importante questão: como surgiu essa necessidade?

Gosto de começar assuntos dessa natureza - sobre o surgimento de um Direito - sempre citando Norberto Bobbio quando este dizia que "nenhum Direito é dado, mas conquistado". E aí, então, já temos a compreensão de que os Direitos Humanos, como todo direito, foi uma conquista social - fruto de bastante luta. Luta contra quem? Ora, contra o Estado absolutista, contra toda a máquina estatal que esmagava a sociedade e mantinha poderes ilimitados dos reis.

É muito importante que você não se esqueça disso:

“As revoluções liberais, inglesa, americana e francesa, e suas respectivas Declarações de Direitos marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos humanos. A chamada “Revolução Inglesa” foi a mais precoce, pois tem como marcos a Petition of Right, de 1628 e o Bill of Rights, de 1689, que consagraram a supremacia do Parlamento e o império da lei.

Por sua vez, a “Revolução Americana” retrata o processo de independência das colônias britânicas na América do Norte, culminado em 1776, e a criação da primeira Constituição do mundo, a Constituição norte-americana de 1787. Várias causas concorreram para a independência norte-americana, sendo a defesa das liberdades públicas contra o absolutismo do rei uma das mais importantes, o que legitimou a emancipação.”

A luta pela legitimação dos Direitos Humanos não foi uma invenção - e continua não sendo - para cuidar de bandidos (também isso), mas para proteger toda a sociedade (acusado de bandido, bandido ou inocente) dos arbítrios do Poder Estatal.

A partir de uma brevíssima introdução de como surgiu a preocupação com os Direitos Humanos, avançamos para responder por que precisamos dele. E precisamos porque os Direitos Humanos é uma marca de que a sociedade não perdeu a humanidade. Sim, porque ninguém perde a humanidade nem mesmo em razão dos mais cruéis atos. E se a sociedade age cruelmente com os cruéis, torna-se cruel. E sair desse paradoxo é quase impossível.

É interessante o preâmbulo da Convenção Americana dos Direitos Humanos, pois ela diz

que os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana.

Quando se diz que "os direitos essenciais do homem é atributo da pessoa humana", está dizendo que a dignidade da pessoa humana não pode jamais ser perdida - logo, jamais poderá ser tratado, pelo Estado, como se dignidade não tivesse. E é por essa razão que a própria Convenção Americana dos Direitos Humanos diz que

Art. 5.2 - Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano.

E também a Constituição Federal de 88

Art. 5, XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral

Todavia, mais do que assegurar aos presos o respeito à dignidade humana, os Direitos Humanos quer impedir que o Estado defina quem cometeu crime ou não sem o respectivo processo legal. Neste sentido, diz a CF/88

Art. 5, LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.

Não é para proteger o bandido (também isso) que os Direitos Humanos existem, mas para proteger, também, todos os membros da sociedade de serem considerados bandidos em razão da arbitrariedade do Estado - já que, no tempo do absolutismo, o contraditório não poderia existir em razão do princípio the king can do no wrong - o Rei/Estado não pode errar.

Desse modo, eis pergunta que sempre surge: e por que os Direitos Humanos defende o bandido, mas não defende o policial morto?

Essa pergunta precisa ser respondida com calma. Quem é o policial? Um agente do Estado! Logo, se cometeu alguma arbitrariedade, cometeu como representante do Estado - e como já explicamos que os Direitos Humanos luta contra as arbitrariedades do Estado, fica evidente que deve-se lutar contra as arbitrariedades do agente policial.

Mas os Direitos Humanos vai abandonar o policial? Não! Deve os Direitos Humanos garantir e proteger a pessoa do policial, o ser que responderá o processo, a fim de que ele tenha um julgamento justo e que seja inocentado, caso não tenha tido culpa no evento ou condenado, na medida da sua culpa.

Os Direitos Humanos não entra em guerra contra a pessoa do policial, mas contra o seu ato enquanto agente do Estado. Novamente, embora seja cansativo sempre dizer: é contra as arbitrariedades do Estado que os Diretos Humanos labuta.

E por que os Direitos Humanos não fala da vítima? Fala, sim, mas a priori, como a vítima não foi uma vítima das arbitrariedades do Estado, "não é" objeto de preocupação dos Direitos Humanos. Quem deve cuidar da vítima é uma Assistência Social - que geralmente faz parte de uma secretaria dos Direitos Humanos. Primeiro garante-se ao acusado um julgamento justo, depois cuida-se do problema da vítima.

Mas o ordenamento jurídico de nosso país não abandonou a vítima. Sim, já é pacificado na jurisprudência que a condenação de um assassino a prisão não o isenta de indenizar os familiares da vítima pelos danos causados.

Segundo o artigo 387 do Código de Processo Penal

O juiz, ao proferir sentença condenatória

IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.

Não é outro o entendimento do Código Civil quando afirma

Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações:

I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família;

II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima.

Desde modo, a família não fica desamparada pelo ordenamento jurídico, mas só não vê esta ênfase porque, como já explicado ao longo desse artigo- repetindo pela última vez: os Direitos Humanos se preocupa com as arbitrariedades ou desmandos do Estado.

E quando os Direitos Humanos vai atuar em defesa da vítima de algum crime? A Constituição Federal diz no Art. 245 que

A lei disporá sobre as hipóteses e condições em que o Poder Público dará assistência aos herdeiros e dependentes carentes de pessoas vitimadas por crime doloso, sem prejuízo da responsabilidade civil do autor do ilícito.

Sendo assim, sempre que algum parente de uma vítima de homicídio doloso não tiver obtendo do Estado a devida assistência, os Direitos Humanos deve atuar para fazer cumprir esse direito. E fazem isso? Fazem! A gente só não sabe porque geralmente as coisas boas a mídia não conta. 

É que você só vê a parte que os Direitos Humanos grita contra as prisões ilegais no país.

Neste sentido, se a gente for levar a sério o que cada coisa significa, qual o papel de cada coisa e qual o seu devido lugar, fica fácil compreender por que, aparentemente, os Direitos Humanos "só defende bandido". Mas é só aparentemente, porque, na prática, o que mais defende é inocente acusado de algum crime ou culpado por algum crime que não está cumprindo a pena devida.

Cada macaco no seu galho, cada conceito definido, cada função exercida como deve ser - e assim teremos uma democracia plena.


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A confissão do criminoso John Kerry, por Thierry Meyssan


A guerra contra a Síria é a primeira a ser conduzida durante mais de seis anos na era digital. Inúmeros documentos que deveriam ter ficado como classificados, durante longo tempo, foram já publicados. Claro, foram-no em países diferentes de tal modo que a opinião pública internacional não tomou consciência disso, mas permitem, desde já, reconstituir os acontecimentos. A publicação de uma gravação de declarações feitas por John Kerry em privado, em Setembro último, revela a política do Secretário de Estado e obriga todos os observadores —e aqui, nós incluídos— a rever as suas análises precedentes.


Em primeiro lugar, pensávamos que se Washington tinha lançado a operação dita «Primavera Árabe» para derrubar os regimes árabes laicos em favor dos Irmãos Muçulmanos, tinha permitido que os seus aliados empreendessem, sozinhos, a Segunda Guerra contra a Síria a partir de Julho de 2012. E que, com estes perseguindo os seus próprios fins (recolonização para a França e o Reino Unido, conquista do gaz para o Catar, expansão do wahhabismo, e vingança pela guerra civil libanesa, para a Arábia Saudita, anexação do Norte do país para a Turquia, segundo o modelo cipriota, etc.), o objetivo inicial teria sido abandonado. Ora, John Kerry afirma nesta gravação que Washington jamais parou de tentar derrubar a República Árabe Síria, o que implica que ele controlou cada etapa do trabalho dos seus aliados. De facto, durante os quatro últimos anos, os jiadistas foram comandados, armados e coordenados pelo Allied LandCom (Comando das Forças Terrestres) da OTAN sediado em Esmirna (Turquia).

Em segundo lugar, John Kerry confirma nela que Washington não podia ir mais longe por causa do Direito Internacional e da posição da Rússia. Entenda-mo-nos: os Estados Unidos não pararam de ultrapassar o seu direito. Eles destruíram o essencial das infra-estruturas petrolíferas e de gaz do país, sob o pretexto de combater os jiadistas (o que está conforme ao Direito Internacional), mas sem para tal terem sido convidados pelo Presidente Assad (o que viola o Direito Internacional). Pelo contrário, eles não ousaram colocar as suas tropas no terreno e combater abertamente a República, tal como o fizeram na Coreia, no Vietname (Vietnã-br) e no Iraque. Para isso escolheram colocar os seus aliados na primeira linha(leadership from behind –- liderança pelos bastidores) e apoiar, sem grande discrição, mercenários, como na Nicarágua, com o risco de serem condenados pelo Tribunal Internacional de Justiça (o Tribunal interno da ONU). Washington não quer envolver-se numa guerra contra a Rússia. E esta, que não se havia oposto à destruição da Jugoslávia e da Líbia, levantou-se e empurrou a linha que não devia ser cruzada. Moscovo está à altura de defender a Lei pelo uso da força, se Washington se enfiar abertamente numa nova guerra de conquista.

Em terceiro lugar, John Kerry confirma aí que Washington esperava uma vitória do Daesh (E.I.) sobre a República. Até aqui, —com base no relatório do general Michael Flynn, de 12 de Agosto de 2012, e do artigo de Robin Wright, no New York Times de 28 de Setembro 2013— tínhamos percebido que o Pentágono planeava criar um «Sunistão» a cavalo sobre a Síria e o Iraque afim de cortar a Rota da Seda. Ora, ele confessa que o plano ia muito mais longe que isso. Provavelmente, o Daesh devia tomar Damasco, depois ser corrido de lá por Telavive (isto é, recuar para o tal «Sunistão» que lhe havia sido atribuído). A Síria teria então sido dividida a Sul por Israel, a Leste pelo Daesh e a Norte pela Turquia.

Este ponto permite compreender porque Washington deu a impressão de não controlar nada mais, de «deixar andar» os seus aliados: com efeito, envolveu a França e o Reino Unido na guerra fazendo-lhes crer que poderiam recolonizar o Levante, quando, na realidade, tinha previsto dividir a Síria sem eles.

Em quarto, ao admitir ter «apoiado» o Daesh(EI), John Kerry reconhecia tê-lo armado, o que reduz a zero a retórica da «guerra contra o terrorismo». 

- Sabíamos desde o atentado contra a mesquita de al-Askari em Samarra, a 22 de Fevereiro de 2006, que o Daesh (inicialmente denominado «Emirado Islâmico no Iraque») fora criado pelo Director Nacional de Inteligência dos E.U., John Negroponte, e pelo coronel James Steele —no modelo do que eles tinham feito nas Honduras— para por um fim à Resistência iraquiana e instaurar uma guerra civil. 
- Sabíamos desde a publicação pelo diário do PKK, Özgür Gündem, da acta da reunião de planificação realizada em Amã, a 1 de Junho de 2014, que os Estados Unidos tinham organizado a ofensiva conjunta do Daesh sobre Mossul e do Governo Regional do Curdistão iraquiano sobre Kirkuk. 
- Agora, nós sabemos com certeza que Washington jamais parou de apoiar o Daesh.

Em quinto lugar, nós interpretáramos o conflito entre, por um lado, o clã Allen/Clinton/Feltman/Petraeus e, por outro, a Administração Obama/Kerry, como tendo a ver com o apoio ou não ao Daesh. Mas, não se tratava de nada disso. Os dois campos não tiveram qualquer escrúpulo em organizar e apoiar os mais fanáticos dos jiadistas. O seu desacordo tem a ver exclusivamente com o recurso à guerra declarada —e ao conflito com a Rússia que ela arriscava implicar— ou à escolha duma actuação secreta. Apenas Flynn —o actual conselheiro de Segurança de Trump— se opôs ao jiadismo.

Se, dentro de poucos anos os Estados Unidos se afundassem tal como antes a União Soviética, a gravação de John Kerry poderia ser usada contra ele e contra Barack Obama perante um Tribunal Internacional —mas não perante o Tribunal Penal Internacional que está hoje em dia desacreditado—. Tendo reconhecido os excertos desta conversa, que foram publicados pelo New York Times, ele não poderia contestar a autenticidade do ficheiro completo. O apoio que Kerry declara ao Daesh viola várias Resoluções das Nações Unidas e constitui uma prova da sua responsabilidade e da de Obama nos crimes contra a humanidade cometidos pela organização terrorista.

Thierry Meyssan

Tradução 
Alva

( ARTIGO COMPLETO EM: VOLTAIRENET )

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A corrupção continua: Temer precisa escolher melhor seus auxiliares, por Jasson de Oliveira Andrade




Mais uma denúncia de corrupção, que indiretamente atinge Temer, poderá trazer graves problemas ao governo.

O Estadão (14/1) noticiou: “Geddel e Cunha lideravam desvios na Caixa, diz PF”. O primeiro era um dos ministros mais próximos do presidente e ainda, como se verá, tem influência em seu governo. Já Cunha, atualmente preso, foi o responsável pelo impeachment de Dilma, que colocou Temer no Poder. 

O mesmo jornal revelou: “Ex-ministro mantém influência na gestão Temer – Geddel deixou a pasta, mas assessores ainda tocam o dia a dia da Secretaria de Governo”. Na notícia, o Estadão informa: “Alvo da Operação Cui Bono?, o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima mantém sua influência no núcleo duro do Palácio do Planalto, ATUA NOS BASTIDORES (destaque meu) e faz contato frequente com os principais integrantes da cúpula do governo. Toda a estrutura montada por Geddel no governo Michel Temer foi mantida, apesar de sua demissão, em novembro do ano passado”. Segundo João Domingos, na ocasião “Temer disse que tinha se arrependido de ter aceito o pedido de demissão” dele. Sobre o ex-ministro, João Domingos, no artigo “Brincando com fogo” (Estadão, 14/10) afirmou: “Noticias sobre a participação de Geddel Vieira Lima em casos cabeludos existem aos montões. Enumerá-las todas gastaria essa página de jornal e ainda faltaria espaço. (...) Então, saiamos delas. Vejamos como Temer brincou – e ainda brinca – com fogo quando escolheu Geddel e outros personagens da política também assíduos fregueses de noticiários nada abonadores (sic). Mesmo que Temer insista em dizer que suspeitas sobre alguém não são condenações, e não são mesmo, o fato é que elas sempre vão ser uma ameaça para o bom andamento do governo. Boa parte dos sustos e sacolejões que atingiram o governo de Temer surgiu por causa da insistência dele em manter a seu lado pessoas já citadas na Operação Lava Jato. O próprio presidente aparece em delações já negociadas com executivos de empreiteiras. Ele nega qualquer coisa. Mas o nome dele está lá”. O mesmo pensa Valter Abrucez: “O governo de Michel Temer custa a adquirir a credibilidade necessária. E sem esse requisito não se governa. Muito contribuiria, sem dúvida, se o presidente da República (...) melhorasse a qualidade de seus auxiliares. (...) Não há perspectiva nesse sentido. Temer prefere se deixar rodear de gente de moral e caráter duvidosos. Muitos com várias denúncias penduradas nos tribunais”. 

Valter Abrucez tem razão: Temer precisa escolher melhor seus auxiliares! Difícil encontrar um sem acusação, mas sempre existem alguns... Pelo menos, deve tentar.

A situação do governo Temer poderá piorar e muito! A COLUNA DO ESTADÃO noticiou: “Cunha ameaça retomar discussão sobre a delação. – Preso desde outubro do ano passado, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha começou a mandar recados na direção do governo federal. Segundo interlocutores do deputado cassado, ele avisou que vai esperar apenas até o fim do mês para constatar se foi ou não “abandonado” pelos antigos aliados. A grande preocupação dele é com os desdobramentos jurídicos em relação a seus familiares. Assim, segundo seus interlocutores, se essa situação não for resolvida e os parentes correrem risco de prisão, Cunha poderá discutir a delação premiada”. Duvido que os familiares dele sejam presos. O governo deverá evitar essa situação: a ameaça surtirá efeito! A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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Entrevista de delegado da Lava Jato à Veja é um show de erros, mentiras e imprecisões



O jornalista Marcelo Auler elencou, em seu blog, os erros, mentiras e imprecisões na entrevista do delegado federal Maurício Moscardi Grillo, da Lava Jato, à Veja:

Ao comentar a não prisão de Lula, o delegado voltou a falar – sem ser contestado – que a nomeação do ex-presidente para a Casa Civil seria uma forma de obstruir a Justiça. Mesmo nomeado ministro, Lula jamais se livraria das investigações. Elas apenas passariam à responsabilidade do ministro do STF Teori Zavascki, o que a chamada República de Curitiba quis evitar a todo custo. E conseguiu.

Episódio não esclarecido – O desmentido a Moscardi veio na sua própria explicação do que ocorreu após divulgarem – ilegalmente – uma conversa telefônica da presidente Dilma, gravada já quando a ordem judicial tinha sido suspensa e tornada pública ilegalmente pelo juiz Sérgio Moro, sem nenhuma consequência.

Não foi, ao contrário do que ele disse, a possível nomeação de Lula para a Casa Civil que fez o Zavascki avocar a investigação, impedindo, temporariamente, que a investigação em Curitiba continuasse. Ou, pelo menos, esta não terá sido a motivação principal. Mas sim o grampo ilegal – e sua posterior divulgação – da conversa da presidente da República. Segundo o entrevistado, a decisão do ministro do STF levou a Polícia Federal a “perder o timing”. Em outras palavras, eles pretendiam prende-lo sob a acusação de obstrução da Justiça, mas a acusação que valeu naquele momento, deixou de valer depois. Como explicou, “hoje, os elementos que justificariam um pedido de prisão preventiva (…) já não são tão evidentes como antes”.

Pelo que se sabe, a prova judicial não perece com o tempo. Logo, se ela valia em uma época e deixou de valer meses depois, ela simplesmente não existia. Não existia porque não havia evidências, por exemplo, de que Lula estivesse querendo fugir do país, pressionasse testemunhas ou buscasse atrapalhar as investigações. Ele apenas seria nomeado ministro e isto levaria a investigação para o STF, mas não o livraria dela.

Moscardi foi apresentado como tendo 38 anos, 12 dos quais como delegado federal. Não confere com a realidade. Ele ingressou no Departamento de Polícia Federal (DPF) em 2006 – portanto, completou 11 anos de carreira em 2016 (caso seu ingresso tenha ocorrido no início do ano). Só que sua primeira função foi como Agente de Polícia Federal.

No cargo de delegado só foi empossado em julho de 2009, como atestam seus colegas de trabalho: “Ele passou no concurso para delegado como retardatário, fora das vagas do edital, como um dos últimos dos excedentes, e ainda sob liminar da Justiça, pois foi reprovado no psicotécnico”. Na ponta do lápis, ele tem sete anos e seis meses incompletos como delegado. Prova disso é que ainda não atingiu o topo da carreira – delegado especial -, o que só deve ocorrer em 2019, se completar dez anos na função.

O texto também o apresenta como coordenador da Operação Lava Jato, função que jamais ocupou. Ou, pelo menos, no sentido que dá a entender a revista: coordenador das investigações. Ele sempre teve um papel auxiliar. Chegou a Curitiba, em 2014, removido do Acre, onde comandou a Operação G7. Esta, mostrou-se totalmente fracassada, com a absolvição de todos os 21 acusados – e presos preventivamente – de supostas fraudes em licitação. A sentença os absolvendo saiu dia 09 passado, como narramos, no último dia 12, em A imprensa que acusou, cala-se na absolvição. Sobre isso, nada comentou à Veja. Nem lhe foi cobrado.

Na capital paranaense, inicialmente auxiliou a delegada Daniele Gossenheimer Rodrigues, a esposa do delegado Igor Romário de Paulo (Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado – DRCOR), que chefiava o Núcleo de Inteligência Policial (NIP).

Participou sim de algumas operações da Lava Jato – foi ao aeroporto de Guarulhos acompanhar a prisão da doleira Nelma Kodama, efetivada pelo delegado de São Paulo, Cássio Luiz Guimarães Nogueira. Chegou a tomar alguns depoimentos, mas não era do núcleo central da investigação. Substituiu Daniele por um tempo, na licença maternidade dela. Depois passou pela delegacia Fazendária e pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), cuidando de casos menores.

Em 15 de abril de 2014, surgiu sua grande oportunidade na Superintendência do DPF ao ser nomeado presidente da Sindicância 04/2014 instaurada para investigar o grampo encontrado na cela de Alberto Youssef, no final de março. Como tal, assinou, em 18 de agosto de 2014, relatório no qual concluiu que o grampo estava desativado e era da época em que o traficante Fernando Beira Mar esteve naquela custódia, em 2008.

Menos de um ano depois, um documento mostrou que o aparelho que Moscardi disse que grampeara Beira Mar só chegou à Curitiba após o traficante deixar a Superintendência. Ao atestar, falsamente, que o grampo não funcionou, ele até propôs – sem ser atendido – que o doleiro Alberto Youssef fosse investigado por denunciação caluniosa e fez constar ao final do relatório: “O Departamento de Polícia Federal, como órgão de segurança pública com atribuição constitucional, não está à mercê do oportunismo de criminosos.”

Mesmo tendo conquistado a confiança da cúpula da Superintendência, Moscardi só obteve o primeiro cargo de chefia ao substituir, na DRE, o delegado Rivaldo Venâncio. Inicialmente ele iria assumir apenas a chefia do Grupo de Investigação Sensível (GISE), que se reporta diretamente à Brasília, mas oficialmente é subordinado à DRE. Sua indicação foi motivo do atrito entre o então chefe da Entorpecentes, Rivaldo, com o delegado Igor, levando o primeiro a se exonerar do cargo. Com isto, Moscardi assumiu também a chefia da repressão a entorpecentes, a partir da Portaria 734 do diretor de Gestão de Pessoal, Luiz Pontel de Souza, em 13 de abril de 2015. Acumulou as duas funções.

Mas, mesmo antes de ser chefe, logo depois de concluída a sindicância 04/2014, e sem estar diretamente ligado à Lava Jato, ele desfilava com o Range Rover Evoke blindado, do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, apreendido pela Lava Jato, conforme três fontes diferentes confirmaram ao blog. Deixou de usá-lo quando veio a publico a história do juiz federal do Rio de Janeiro, Flavio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um Range Rover de Eike Batista que o juiz mandara apreender. Moscardi, depois, passou a usar uma BMW apreendida com um traficante, o que fez até bem pouco tempo atrás. Hoje utiliza uma Mitsubishi L200 Triton, cuja origem o Blog não conseguiu identificar.

Os dois braços do DPF que ele passou a chefiar – DRE e GISE – funcionam, em Curitiba, em um prédio no centro da cidade. Foi ali que Moscardi, com verbas de origem jamais esclarecidas, fez uma grande reforma instituindo várias mordomias, como o Blog denunciou em 11 de fevereiro de 2016 em Polícia Federal, sem verba para a luz, mas com mordomias. As reformas no prédio que o dotaram de uma cozinha gourmet, churrasqueira e um bar, jamais foram devidamente explicadas quer pelo DPF, quer pelo Ministério da Justiça. Tampouco despertaram o interesse do MPF que, pela Constituição, exerce o controle externo da Polícia Federal. Também Veja não se preocupou em esclarecê-las com o delegado.

Foi por denunciarmos estas mordomias que Moscardi, seguindo o exemplo da sua colega delegada Érika Mialik Marena, ingressou na Justiça contra o Blog pedindo – e conseguindo inicialmente – a censura à nossa página e indenização por danos morais.

Na entrevista a Veja, tal como Madalena arrependida – outra expressão de origem bíblica – ele diz que foi um erro, arrependeu-se e retirou a ação. Só não explicou – e nem foi cobrado disso – que não recorreu à Justiça exercendo um direito de qualquer cidadão de contestar uma notícia. Ele, na verdade, cometeu o que se chama de litigância de má fé, em uma tentativa de burlar o sistema do juiz natural do feito. Também ao falar em retirar a ação, não foi totalmente exato.

Na verdade, foram três ações, idênticas, em três juízos especiais de Curitiba diferentes, como denunciamos em Para censurar o blog, o delegado Moscardi usou de má fé na Justiça do Paraná (20 de junho de 2016).

Fernando Brito, do Tijolaço, ainda lembrou que o autor da entrevista é Ulisses Campbell, que ficou famoso por usar nomes falsos para tentar se aproximar da família do irmão de Lula, Frei Chico. Campbell chegou a invadir o condomínio onde ele morava. No final, inventou uma nota sobre uma superfesta de um suposto sobrinho de Lula, desmentida mais tarde pela Veja.


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