terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Escândalo na Caixa Econômica Federal. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Mais um escândalo no governo Temer. Desta vez na Caixa Econômica Federal.

O Estadão noticiou: “Após recomendação do BC, Temer afasta quatro vice-presidentes da Caixa – Suspeita de corrupção – Afastamento, de 15 dias, é uma derrota (sic) do governo na queda de braço com procuradores da força-tarefa Greenfield, que recomendou a saída dos executivos em dezembro; eles são acusados de vazar informações privilegiadas para políticos”.

Na matéria o jornal informa: “Após recomendação do Banco Central (BC) e do alerta do Ministério Público Federal (MPF) sobre uma possível punição (sic), o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente da Caixa, Gilberto Occhi, que afastem, por 15 dias, quatro vice-presidentes do banco que estão sendo investigados por corrupção (sic). Depois da ordem do presidente, a Caixa informou que vai afastar os executivos para que eles possam “apresentar ampla defesa das acusações”. (...) Embora o afastamento dos quatro seja temporário, a decisão de Temer significa UMA DERROTA na queda de braços que o governo vinha travando com os procuradores da força-tarefa Greenfield. (...) Após a primeira negativa de Temer e da Caixa em afastar os executivos, os procuradores da Greenfield se reuniram com representantes do BC na semana passada para debater a situação dos vices-presidentes. Com base nessa reunião, os investigadores enviaram, no dia 11/1, um ofício no qual ALERTAVAM PARA A POSSIBILIDADE DE PUNIÇÃO DE TEMER POR CONTA DA MANUTENÇÃO DOS EXECUTIVOS”. Ou seja, Temer atendeu o pedido a contra gosto, na “marra”!

Janio de Freitas, em artigo à FOLHA, comentou: “Foi preciso uma advertência sobre seu risco de ser processado para Michel Temer enfim admitisse o afastamento dos quatro vice-presidentes da Caixa postos sob suspeita por investigações policiais e da própria Caixa. Mas a Procuradoria da República no Distrito Federal quer mais, quer o necessário: o afastamento definitivo dos vices e a ocupação desses cargos técnicos por pessoa com habilitação específica, NÃO MAIS TESTAS-DE FERRO DE POLÍTICOS ABANDIDADOS. (...) E a própria Caixa vai pedir o afastamento do seu presidente, Gilberto Occhi, que não era alheio às irregularidades praticadas, por CORRUPÇÃO e política, nas vice-presidências. (...) A RELUTÂNCIA DE TEMER É COMPREENÍVEL. TRATA-SE DE GENTE DO BANDO”. Sem comentário...

Adriana Fernandes, no Estadão, no texto “Sem vergonha”, escreve: “Até pouco tempo atrás, as indicações políticas para a Caixa Econômica Federal eram negadas (sic) pelos padrinhos parlamentares. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha costumava zombar quando questionado se o ex-vice-presidente Fábio Cleto (Fundos e Loterias) era o nome dele no banco estatal: “Você acha que tenho mais poder do que realmente tenho”, dizia. (...) Cleto virou delator e contou que atuava no fundo que usa dinheiro do FGTS para aplicar em infraestrutura a PEDIDO DE CUNHA E DIVIDIA COM O EX-TODO PODEROSO DA REPÚBLICA AS PROPINAS DAS EMPRESAS INTERESSADAS NO CRÉDITO MAIS BARATO. (...) O loteamento político deixou de vez de ser envergonhado no governo Michel Temer. É tudo às claras mesmo. O ápice dessa nova realidade foi a declaração do ministro Carlos Marun [sempre ele!], responsável pela articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, admitindo que os governadores que dessem apoio à reforma da Previdência teriam empréstimo aprovado pela Caixa”.

Concordo com o Editorial da FOLHA (21/1): “Um banco estatal não é prêmio para apaniguados”.

Creio que outros escândalos virão. É só esperar! O próximo poderá ser o Porto de Santos...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 14 de janeiro de 2018

Julgamento de Lula. Artigo de Jasson Oliveira Andrade


Em resposta a pergunta do Estadão (11/1) “No dia 24, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser julgado. Qual a sua expectativa?”, Manuel de Queiroz Pereira Calças, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, informa: “Eu acho que ele não será julgado no dia 24 de janeiro porque a praxe dentro da advocacia cível ou criminal, em casos quetais, é pedir o adiamento para uma sustentação oral que é um direito que os advogados de defesa têm. No meu modo de ver, com a experiência que tenho, não haverá esse julgamento no dia 24. No meu modo de ver, particular, pessoal, haverá pedido de adiamento para sustentação oral.” Se fosse um tucano, tudo bem. Com Lula, tenho dúvida. A ver!

O MILAGRE DA INFLAÇÃO BAIXA – O governo concede aumento da gasolina e do bojão de gás quase todos os meses. Mesmo assim a inflação, ao invés de aumentar, diminui. Qual esse milagre? Quem compra no Supermercado percebe que os preços estão iguais ou aumentaram. Segundo consta, a inflação menor se deve aos preços dos alimentos, ou seja, à Agropecuária, cuja produção, em 2017, foi enorme. Temer não tem nada a ver com essa inflação menor, mas ele diz que isto se deve à sua política econômica. MENTIRA!

O MÍNIMO AUMENTO DO SÁLÁRIO MÍNIMO – O governo concedeu um aumento do salário mínimo de apenas R$ 17 reais, abaixo da inflação. Isto nunca aconteceu! Ouvi de uma pessoa que recebe o salário mínimo: Com esse aumento ridículo, era preferível não ter dado NADA... Sem comentário.

A NOVELA CONTINUA: A novela da nomeação da deputada Cristiane Brasil para ministra do Trabalho continua. Chico Alencar (PSOL-RJ), falou: “Cristiane Brasil não imaginou que virar ministra do Trabalho IRIA DAR TANTO TRABALHO”. Sobre a nomeação dela, a pedido do pai, Eliane Cantanhede comentou: “Temer foi enganado? Ele conhece os personagens, o desemprego e sua baixa popularidade, mas está perdendo, uma a uma, a chance de fazer o que o senador José Serra anunciava entre o impeachment de Dilma e a posse de seu vice: “governo de notáveis”. QUE NOTÁVEIS!”. A jornalista ainda afirma: “Temer perde uma chance atrás da outra de melhorar a qualidade de seu Ministério”. Ao contrário. Com Cristiane, piorou!

S&P REBAIXA A NOTA DO BRASIL – O ESTADÃO noticiou: “A agência de classificação de riscos Standard & Poor`s anunciou no dia 11 de janeiro um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil. Com isso, o País fica três patamares abaixo do grau de investimento – uma espécie de selo de bom pagamento, que indica que determinada região é segura para os investidores. Sem ele, os financiamentos externos para empresas brasileiras ficam mais caros”. A economista Monica Bolle, no mesmo jornal, revela: “A verdade é que a situação fiscal do Brasil simplesmente não teve nenhuma melhora [como diz Temer], teve uma piora”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Campanhas para tornar os paulistanos criaturas aptas a viver em sociedade estão fadadas a um rotundo fracasso



Com jeitinho (paulistano)

Quando pretenderem botar em prática uma campanha civilizatória pros paulistanos maneirarem um pouco com o seu famoso jeitinho, os proponentes dessa campanha precisam ficar atentos ao argumento que calará fundo no coração das pessoas.

Tem que ser com jeitinho.

Por exemplo. Digamos que a campanha seja sobre mochilas nas costas em transportes públicos.

Não irá adiantar nada dizer: "As mochilas transportadas nas costas atrapalham os outros passageiros".

Vai obter é o resultado oposto ao desejado.

Tem que apelar pro egoísmo inato dos paulistanos:

"Quando você transporta sua mochila nas costas, facilita as coisas pros ladrões"

Ou coisa do tipo. Algo nesse sentido.

Ou uma campanha pelo trânsito menos selvagem:

"Não estacione seu carro na calçada. Isso prejudica os pedestres".

"Não deixe seu carro em frente a garagem dos outros para não prejudicá-las"

Aqui isso nunca funcionou e jamais funcionará.

Tem que ser assim:

"Não deixe seu carro na calçada ou em frente a garagens. As pessoas poderão chamar a CET e você acabará sendo multado injustamente pela Indústria da Multa má e horrorosa"

Em São Paulo é assim que o apito toca.

E a minoria gente fina não apita nada.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Cristiane Brasil: Jefferson no Poder. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O pedido de demissão do ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira (PTB-RS) trouxe problemas para Temer. O substituto escolhido pelo PTB seria o deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA). No entanto, a escolha foi vetada por Sarney. O motivo: Fernandes é ligado ao Governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), que derrotou a família Sarney, que há muitos anos dominava o Estado. Para mim, esse veto demonstra duas coisas. Primeiro, a família Sarney está em baixa no Maranhão. Segundo, o ex-presidente José Sarney mostrou enorme prestígio junto a Temer!

O dono da Pasta do Trabalho é o PTB. Com o veto de Sarney, a escolha recaiu na deputada Federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do polêmico Roberto Jefferson, presidente do partido.

A nomeação da deputada petebista foi analisada, em artigo, pelo jornalista Josias de Souza. No texto “Reforma da Esplanada é um troca de cúmplices (sic)”, ele escreveu: “Se 2017 foi o ano da tempestade, 2018 será o ano da cobrança. Depois de vender a alma para enterrar duas denúncias criminais na Câmara, um exame de consciência levaria Michel Temer a pensar numa boa faxina. Mas este é um governo guiado pela inconsciência moral. E o presidente, sem demora, já nas primeiras horas do ano, deflagrou uma nova orgia (sic) em cima dos detritos da farra anterior. Não teve tempo nem de limpar a mancha na almofada, colocar o abajur em pé e verificar se alguém ficou escondido atrás do sofá. Reabriu o balcão das barganhas (sic) à luz do dia, na frente das crianças. (...) Em qualquer país do mundo, um volume de 12,5 milhões de desempregados levaria o governo a tratar com reverência uma pasta batizada de Ministério do Trabalho. No Brasil de Temer, esse pedaço vital da máquina pública pertence ao PTB. E passará a ser gerenciado pela deputada Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Na saída de um encontro com o presidente, Jefferson contou como tudo se deu: “O nome dela surgiu, não foi uma indicação. Nós estávamos conversando, aí, falou, “Roberto, e a Cristiane, por que não a Cristiane?´ Foi da cabeça do presidente. Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro, por que não? Falei, “presidente, aí o senhor me surpreende, eu vou ter que consultar”. Aí liguei para ela. Ela disse: “pai, eu aceito”. (...) Súbito, as lágrimas inundaram os olhos de Jefferson diante das câmeras. Está emocionado?, indagou uma repórter. O entrevistado confirmou. Delator do mensalão, Jefferson teve o mandato de deputado passado na lâmina. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 14 meses de cadeia, puxou 1 ano e 2 meses de cana. Contra esse pano de fundo tóxico, disse ter enxergado na conversão da filha em ministra um RESGATE da imagem de família. (...) Que beleza! Os empregos continuam sumidos. Mas o governo SUJO de Temer resgatou a imagem MAL LAVADA do clâ de Jefferson. “Alvíssaras!”, gritarão os desempregado nas filas, brandindo seus currículos inúteis. O nome de Cristiane soou na delação da JBS como participante de negociação que rendeu R$ 200 milhões ao PTB. O dinheiro comprou o apoio da legenda à candidatura presidencial de AÉCIO NEVES em 2014. Cristiane foi mencionada também na delação da Odebrecht como beneficiária de MOCHILA COM R$ 200 MIL. (...) O problema não começa nas legendas. Começa no presidente (sic), que oferece graciosamente [?] os ministérios. Temer não é o primeiro a fazer isso. É APENAS UM DOS MAIS DESPUDORADOS. Se existem áreas abertas à barganha MESMO COM A LAVA JATO a pino é porque o CINISMO tornou-se uma marca indissociável do atual governo. PTBs e PRBs apenas jogam o jogo que lhes é proposto. E Temer decidiu tratar a reforma de sua equipe de governo não como uma substituição de ministros, MAS UMA TROCA DE CÚMPLICES”.

Eliane Cantanhêde, em artigo ao ESTADÃO, revelou: “Antes mesmo da posse, Cristiane Brasil está às voltas com uma informação ruim para qualquer cidadão, mas PÉSSIMA para um ministro do Trabalho. Ela foi condenada pela Justiça trabalhista (sic) a uma multa de R$ 60 mil por manter um motorista trabalhando para a família das 6 da manhã até tarde da noite – E SEM CARTEIRA ASSINADA”. O JORNAL NACIONAL, da TV GLOBO, entrevistou esse motorista e um outro, que também ganhou na Justiça trabalhista uma ação contra Cristiane Brasil, pelo mesmo motivo!

Com a nomeação de Cristiane Brasil, suspeita de corrupção como afirma Josias de Souza, Roberto Jefferson voltou ao Poder. Comentar o que? Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"Uma tragédia": Grande coração humanista, delegado fica com pena de empresário que assassinou irmão na festa da firma



O empresário Matteo Petriccione Júnior, de 35 anos, dono de uma revendedora de veículos Mercedes-Benz em São Paulo, matou o irmão com três tiros no dia 23, após a festa da firma. Pela versão oficial, estava bêbado. Nunca teriam brigado e não tinham antecedentes criminais.

A polícia está perplexa. Inconformada. Es-tar-re-ci-da. Aspas para o delegado, hoje na Folha, lá no antepenúltimo parágrafo da página B6, após Matteo confessar o crime:

- É legal quando você fala da prisão de ladrão, mas um caso assim a gente fica triste, por ser uma grande tragédia. Pessoas de bem, trabalhadoras, e numa fração de segundos ocorre a desgraça. É até triste para nós, mas é um trabalho que precisa ser feito.

Fim das aspas do delegado. Que precisa ser consolado urgentemente, coitado: um empresário que vende carrões (filiado desde 2006 ao PMDB) matou o irmão. E - incrível - será julgado. Uma "pessoa de bem", que antes de executar o irmão por motivo fútil deu uma cabeçada na tia.

Uma cabeçadazinha na tia aqui, um assassinatozinho de irmão ali, coisa de empresários, né, seu delegado, redefinidos como trabalhadores, não coisa de "ladrão". Quase uma traquinagem.

(Todos os assassinos são iguais, deve pensar o policial, mas alguns são mais iguais que outros. Alguns vendem Mercedes.)

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Em 1994, quando Matteo Júnior ainda era um adolescente, o pai Matteo Petriccione foi preso em flagrante por revender um Mercedes e peças contrabandeados da Alemanha para o Brasil. Decerto mais um deslize?

Em 2017, um dos filhos está morto. Mas o irmão criminoso está "totalmente arrependido", diz o delegado: "Foi um momento. Agiu alcoolizado, talvez fora de si até, ambos estavam, e ele acabou efetuando os disparos".

A polícia (deprimida, filosoficamente inconsolável, talvez inconformada com esse Código Penal tão implacável, aparentemente com dúvidas hamletianas sobre o que fazer agora) ainda estuda se pedirá a prisão preventiva de Júnior.

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Agora imaginem como deve ser tratado na delegacia alguém que furte um Mercedes. Nas palavras do policial, "um ladrão".

ALCEU CASTILHO, no Facebook

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Marin e Maluf passam Natal na cadeia. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Maluf e Marin iniciaram politicamente na Ditadura Militar. É o que veremos a seguir.

Sobre Maluf, Gilberto Dimenstein, em seu livro “As armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”, à página 117, conta que o atual deputado iniciou-se na política através de Yolanda Costa e Silva, esposa do segundo ditador, Costa e Silva. Segundo o jornalista, “não era segredo que ela [Yolanda] tinha extrema simpatia por um empresário chamado Paulo Maluf, que conheceu quando morava em São Paulo e o marido era comandante do II Exército. E também não é segredo que Dona Yolanda não apenas aplaudiu como influenciou para que Maluf entrasse na vida pública num alto cargo na Caixa Econômica Federal. (...) Mas, aqui, a fofoca vai um pouco mais longe. A simpatia do casal teria origem em dívidas de jogo. Costa e Silva gostava muito de jogar – e, claro, muitas vezes perdia. As dívidas seriam quitadas discretamente pelo prestimoso empresário. Sem contar as finas jóias presenteadas a Dona Yolanda”. Foi assim, segundo esses boatos, que Maluf entrou na política. Se não é verdade, é bem provável.

Leandro Colon, em artigo à FOLHA (25/12), sob o título “Irmãos siameses” na ditadura, Maluf e Marin passam Natal na cadeia”, o jornalista revela a trajetória política dos dois na Ditadura Militar. Eis o que revelou Colon: “Marin promete que será fiel a Maluf”, informa o título da página 4 da FOLHA de 12 de maio de 1982, uma quarta-feira. Na véspera, José Maria Marin, então vice-governador de São Paulo, rasgara elogios a Paulo Maluf, o governador. (...) Dias depois, Maluf deixaria o cargo para disputar e conquistar vaga na Câmara dos Deputados. Marin o substituiria no governo até 1983. (...) Naquele maio de 82, a dupla do PDS trocou afagos públicos. Marin declarou sua “lealdade total e fidelidade a este grande estadista que é Paulo Maluf”. Maluf soube retribuir à altura. Falou em “amizade e lealdade, integridade e competência”. (...) “Não encontro um exemplo onde o governador e seu vice tenham se dado COMO IRMÃOS GÊMEOS, COMO IRMÃOS SIAMESES, como eu sempre me dei com José Maria Marin”, disse. (...) Segundo as palavras de Maluf, a relação entre os dois deveria, na época, “se constituir, na verdade, como um exemplo para a classe política, QUE FAZ POLÍTICA COM ÉTICA E COM HONESTIDADE aqui no Estado de São Paulo”. A reportagem conta que Maluf e Marin então “abraçaram-se demoradamente e choraram”. (...) Quase 36 anos depois, os “irmãos siameses” da ditadura estão condenados e presos. Maluf passou a noite de Natal no presídio da Papuda, em Brasília, e Marin dormiu em uma cela de um presídio federal dos EUA. (...) Hoje deputado, Maluf começou a cumprir pena por lavagem de dinheiro em esquema de desvio de verba durante sua gestão como prefeito de São Paulo, entre 93 e 96. (...) Ex-presidente da CBF, Marin acaba de ser considerado culpado por um tribunal de Nova York pelos crimes de organização criminosa, fraude financeira e lavagem de dinheiro em contratos de direitos do futebol. (...) A prisão deles é um irônico e coincidente registro da história, carregado de um alerta: o caso Maluf escancara a lentidão [não para Lula, que foi a jato] e o de Marin, punido nos EUA, expõe a incapacidade das autoridade brasileiras em investigar nossos cartolas”.

Um fato gravíssimo não foi comentado por Colon. Marin, na ditadura, quando era deputado estadual, “dedou” Herzog. Graças a essa denúncia, o jornalista foi preso, torturado e assassinado. Em 2/6/2015, quando da prisão de Marin, escrevi um artigo (“Marin e o assassinato de Herzog”), no qual escrevi: “Se o presente dele é comprometedor, o seu passado político o condena”. Agora, com a sua prisão e provável condenação se fez Justiça: Marin hoje está pagando, indiretamente, o seu “crime” de dedurar Herzog!

MARUN PISOU NA BOLA – Marun começou mal como ministro. Ao tentar comprar votos a favor da Reforma da Previdência, ele pisou na bola. Procurou governadores do nordeste, oferecendo empréstimos oficiais, principalmente da Caixa Federal, em troca do voto dos deputados desses Estados. A iniciativa foi considerada uma CHANTAGEM. A economista Miriam Leitão, da TV Globo, escreveu: “Usar os bancos públicos politicamente é uma forma de PEDALADA – A Lei de Responsabilidade Fiscal veda (sic) o uso político dos bancos públicos. Mas o ministro Carlos Marun declarou que vai usar os financiamentos da Caixa como moeda de troca [em favor da Reforma da Previdência] com os governadores em dificuldade”. Já Bernardo Mello Franco comentou: “Líder do centrão na Constituinte, o deputado Roberto Cardoso Alves deixou uma máximo para a história: “É dando que se recebe”. Era uma releitura picareta da oração de São Francisco de Assis. Em vez de pregar a generosidade, o peemedebista defendia as barganhas em troca de votos no Congresso. (...) Três décadas depois, a frase continua a pautar as relações entre o Planalto e o Legislativo. O velho Robertão está morto, mas O FISIOLOGISMO TEM NOVO PORTA-VOZ: é Carlos Marun, recém-promovido a ministro da Secretaria de Governo. (...) Condicionar os repasses a votos no Congresso tem outro nome. É o velho “toma lá, dá cá”, que tipos como Robertão e Marun não têm vergonha alguma de defender”. O Estadão, jornal governista, em Editorial “O pitbull”, condenou: “Se o governo não quer que a agressividade de Carlos Marun produza efeitos contrários ao esperado, É O CASO DE EXIGIR QUE O “PITBULL” SE COMPORTE CIVILIZADAMENTE. (...) Em carta pública dirigida ao presidente Michel Temer, os governadores do Nordeste já admitem processar (sic) o ministro da Secretaria do Governo por suas ações [pedalada, segundo Miriam Leitão]. É com atitudes como a de Marun que os inimigos da reforma [da Previdência] prosperam”. Até um jornal governista reconhece que Marun pisou na bola!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Temer marginalizado pelos próprios companheiros. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Governos impopulares, fracos, costumam ser marginalizados pelos próprios companheiros. É o que está ocorrendo com Temer, embora seja muito cedo: ainda não chegamos nem mesmo em 2018, último ano de seu governo. É o que veremos a seguir.

Deu no Painel da FOLHA (22/12/2017): “PRESIDENTE DO SENADO E DIRIGENTE DA SIGLA DE TEMER [MDB], EUNÍCIO USA EVENTO DO GOVERNO PARA EXALTAR LULA - Verdadeira face – O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), usou o palanque cerearense do maior ato do Minha Casa, Minha Vida já promovido pelo governo de Michel Temer para exaltar Lula. Durante discurso na entrega de imóveis em Canindé (CE), ele afirmou que “muitas vezes as pessoas não compreendem o que é política”, mas “se não fosse um pernambucano sofrido, se não fosse esse nordestino chamado Luiz Inácio Lula da Silva, não teríamos a transposição das águas do rio São Francisco”. Meu rei – O elogio ao petista ocorreu durante o mutirão nacional do MCMV, organizado pelo Planalto (sic) para entregar 22.500 unidades em todo o país. Ao lado do governador Camilo Santana (PT), Eunício disse que a transposição foi um “presente de Deus e de Lula” – um “nordestino comprometido com sua gente”. Teste de DNA – O presidente do Senado discursou por pouco mais de 15 minutos, MAS NÃO CITOU O NOME DE TEMER NENHUMA VEZ. Tampouco avisou que o evento era promovido pelo atual governo. Ele foi aplaudido todas as vezes que mencionou Lula”.

Já Bernardo Mello Franco, na FOLHA, comenta: “Henrique Meirelles topa ser o candidato do governo, mas está longe de ser bobo (sic). O ministro falou por quase dez minutos na propaganda do PSD. Apresentou o currículo, vendeu otimismo e desejou feliz Natal aos eleitores, MAS NÃO CITOU A PALAVRA “TEMER” UMA ÚNICA VEZ”.

Por aí se vê, que realmente Temer está sendo marginalizado pelos seus próprios companheiros! O despacho do Pai Uzêda em Temer, na Convenção do MDB, falhou...

A PRISÃO DE MALUF - O ministro Edson Fachin ordenou, no dia 19/12, o cumprimento da pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias em regime fechado, imposta à Maluf, por desvios de recursos das obras da Avenida Água Espraiada e do Túnel Ayrton Senna – quando foi prefeito (1993/1996). A punição do atual deputado federal durou mais de VINTE ANOS. Já o julgamento de Lula, marcado para 24/1/2018, andou a jato... Sem comentário.

MEIRELLES CANDIDATO A PRESIDÊNCIA - O ESTADÃO ( 18/12) noticiou: “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, prepara uma plataforma eleitoral (sic)”. Adiante o jornal informa: “Na tentativa de fugir do rótulo de candidato do mercado e angariar apoio para uma campanha à Presidência em 2018, Meirelles começa a fazer inflexão no discurso e diz agora (sic) que é favorável a um “reforço” nos programas sociais, principalmente no Bolsa Família”. Apesar dessas declarações, o ministro declara que só vai decidir se vai sair candidato ou não em março de 2018. Vamos aguardar. O Estadão faz essa surpreendente revelação: “Em rede social, ministro [Meirelles] evita a palavra “Previdência”. Sem comentário...

PMDB VIROU MDB – O PMDB mudou de nome. Agora é MDB. Para mim é a mesma coisa. Mudou de QUADRILHÃO DO PMDB para QUADRILHÃO DO MDB! Celso Rocha de Barros, em artigo à FOLHA (25/12), escreveu: “Mesmo sem o “P”, MDB é bando de icaretas ilhando atrimônio úblico”. O autor concorda comigo: mesmo sem o “P” tudo continua a mesma coisa! José Simão escreveu: “2017! HÔHÔHÔubamos muito!”. Essa frase dele não serve para o “novo” MDB?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A fidelidade canina de Marun a Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Todos governantes têm seus ardorosos defensores. São os líderes do governo. No entanto, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) conseguiu ultrapassar a todos. É o que vamos ver a seguir.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “UM PITBULL NO PALÁCIO”, comentou a fidelidade do deputado Marun: “Diz o ditado que o melhor amigo do homem é o cachorro. Se o homem for filiado ao PMDB e estiver fugindo da polícia (sic), seu melhor amigo é o Carlos Marun. (...) O deputado despontou no baixo clero como cão de guarda de Eduardo Cunha. Fazia tudo o que o chefão da Câmara mandava. Chegou a organizar sua festa de aniversário, regada a uísque e como bolo de chantilly. (...) Quando o correntista suíço [Cunha] caiu em desgraça, Marun virou líder de sua tropa de choque. Rosnou para os adversários e tentou derrubar o presidente do Conselho de Ética, que se recusava a participar de um acordão. (...) As manobras fracassaram, mas ele não jogou a toalha. Foi o único deputado a discursar contra a cassação em plenário. Apesar de seus apelos, o peemedebista foi varrido do Congresso por 450 votos a 10. (...) Cunha perdeu o mandato, mas não perdeu o amigo. Para reafirmar sua fidelidade canina (sic), o deputado foi visitá-lo na cadeia. Depois soube-se que ele usou verba pública para bancar a viagem a Curitiba. A contragosto, teve que devolver o dinheiro aos cofres da Câmara. (...) Quando Michel Temer foi gravado no porões do Jaburu, Marun encontrou outro investigado para bajular. Passou a se comportar como dublê de deputado e porta-voz do Planalto. (...) Como prêmio por defender o indefensável (sic), virou relator da CPI da JBS. Mostrou os dentes para os procuradores da República e quase mordeu um delator da Lava Jato. O senador Randolfe Rodrigues o chamou de “lambe-botas” e “bate-pau”. (...) Marun nunca se esforçou para contestar os apelidos. Na noite em que a Câmara engavetou a última denúncia contra Temer, ele cantou e dançou em plenário para festejar a impunidade presidencial. (...) Agora o pitbull de Cunha deve ganhar um gabinete no palácio. Como não teria votos para se reeleger, ele distribuirá cargos e emendas a parlamentares que abanarem o rabo. Sua promoção a ministro é um retrato da fase final do governo Temer”.

Eliane Cantalhêde, no texto “SEMANA DE HORRORES”, também comentou o assunto: “Quando a Coluna do Estadão publicou, todo mundo achou absurdo, mas, sim, aliados confirmaram que a coordenação política do Planalto vai para... o deputado Carlos Marun, que liderou a tropa de choque contra a cassação do notório Eduardo Cunha e o presenteia com guloseimas na cadeia de Curitiba. (...) É assim que saem o tucano Antonio Imbassahy e o PSDB e entram (no coração, na alma e no BOLSO do governo) Marun e o Centrão”.

Leandro Colon, em artigo para a FOLHA, foi outro que analisou essa nomeação: “Outro movimento em curso [a favor de Reforma da Previdência] é a nomeação do “CÃO DE GUARDA” Carlos Marun (PMDB-MS) para articulação política. O amigo de Eduardo Cunha virou ministro de Temer menos pela biografia e mais pela FIDELIDADE ao Planalto e pelo trânsito entre deputados do baixo clero que não suportavam o seu antecessor, Antonio Imbassahy (PSDB-BA)”.

O escritor Nestor de Holanda escreveu uma obra, muito lida na década de 60, que deve ser o livro de cabeceira do deputado Carlos Marun: “O Puxa-Saquismo ao alcance de todos – Cartilha de Puxação Sem Mestres”!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Requião pode ser o plano B de Lula. Por Alex Solnik


A informação publicada ontem com exclusividade pelo 247 revelando, em primeira mão, negociações para formação da chapa Lula-Requião nas eleições do ano que vem permite fazer algumas reflexões.
A primeira é que nem o PT nem Lula se deixaram abater com o novo capítulo da crônica de uma condenação anunciada que é como foi interpretada a inédita velocidade com que foi marcado o julgamento em segunda instância do recurso contra a condenação a 9 anos e meio de prisão e seguem conversando a respeito da candidatura como se o mar estivesse para peixe.
Ou para Lula.
A segunda é que, ao mesmo tempo, não se descarta a possibilidade de incidentes no meio do percurso até outubro de 2018, com consequências desastrosas para o PT e a candidatura e medidas preventivas podem ser adotadas.
É evidente que nenhum dirigente petista vai falar publicamente em plano B – seria jogar a toalha antes do nocaute – mas a escolha do senador Roberto Requião para vice de Lula significa que seu papel poderá ser maior que o de apenas vice.
Muita água vai correr embaixo da ponte depois do dia 24 de janeiro próximo.
Se Lula for absolvido, que seria o resultado mais coerente com o processo, farto em acusações sem provas, sua candidatura vai em frente.
Se for condenado, por 3 a 0 ou 2 a 1 sua candidatura também segue em frente porque o momento da condenação não é o momento da impugnação e é óbvio que no dia seguinte à condenação os advogados de Lula irão entrar com recurso no STF.
Enquanto o recurso não for julgado, a condenação permanece em suspenso, à espera de uma decisão.
Portanto, do dia 1º. de fevereiro de 2018, quando o STF sai do recesso até 15 de agosto de 2018 a batalha de Lula é contra a condenação. 
A 20 de agosto, cinco dias depois do dia 15, quando será registrada, sua candidatura deverá ser alvo de pedidos de impugnação ou por parte do MPF ou de partidos adversários que vão invocar a Lei da Ficha Limpa. 
E aí vai começar a segunda batalha de Lula, contra a impugnação. 
Embora tenha sido considerada constitucional pelo STF, a lei, de 2010, assinada por Lula, que torna inelegíveis candidatos condenados em segunda instância colide frontalmente com a cláusula pétra do artigo 5º. da constituição, segundo a qual nenhum cidadão brasileiro pode ser considerado culpado antes de seu processo transitar em julgado ou seja, esgotar todos os recursos cabíveis.
Nenhuma lei – quanto mais a Lei da Ficha Limpa, da qual o ministro Gilmar Mendes disse ter sido escrita por bêbados – pode se sobrepor à lei maior, que é a constituição. 
Se não é culpado antes de perder o último recurso, não pode ser acusado de ficha suja e, em consequência, pode concorrer, ganhar e governar o Brasil.
Nem sempre, porém, prevalece a presunção da inocência ou a letra da constituição, principalmente nesses tempos bicudos que vivenos, em que juízes a interpretam conforme as circunstâncias.
Caso tudo dê errado – o tribunal de recursos confirme a sentença de Lula, mesmo sem provas; o STF negue a revogação da condenação, mesmo sem provas; o TSE impugne a candidatura, mesmo sem culpa – o PT tem até o dia 16 de setembro para trocar seu candidato.
Se continuar com Lula e ele for abatido, por exemplo, entre o primeiro e o segundo turnos, o PT perde tudo, os votos a Lula são anulados e vão para o segundo turno o segundo e o terceiro colocados. 
E é aí que se encaixa Requião. É aí que dá para imaginar que o cenário da chapa Lula-Requião é viável.
Há um longo caminho até a coisa se consumar, ele precisa sair do PMDB – em outro furo, o 247 informou hoje que ele poderá se filiar ao PT – e tudo o mais, mas o senador poderá ser aquele vice que, em caravana com Lula pelos quatro cantos do país ficará mais conhecido do que já é, principalmente no Nordeste, e se, no dia 15 de setembro houver a percepção de que Lula será impedido, ele entra em campo em seu lugar, com seu programa, com seu apoio, com sua liderança.
Requião é o candidato dois-em-um: pode ser o vice e pode ser o plano B de Lula.

ALEX SOLNIK, no Facebook

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Batedores de panelas dormem em sono profundo



O DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA seria muito pequeno ou nem existiria sem o mecanismo da DRU (desvinculação de receitas da união) que retira bilhões da Seguridade Social e transfere pra pagar juros e despesas correntes. Claro que é preciso acabar com privilégios tipo super aposentadorias e vencimentos do Legislativo/Judiciário/Forças Armadas, mas não é isso que essa Reforma da Previdência faz. Ela penaliza os pobres e a classe média que morrerão sem se aposentar ou com aposentadorias muito baixas. Trata-se de aumento de impostos disfarçado de reforma.

Uma Reforma Tributária que buscasse a progressividade, que cobrasse de quem pouco ou nada paga, que reduzisse a sonegação, que taxasse mais a renda e patrimônio e menos o consumo e a produção, traria muito mais resultados ao país. Isso é o que ocorre na maioria dos países desenvolvidos. Mas não dá pra esperar isso desse governo e Congresso que tomaram o poder com dois objetivos claros: 1) aparelhar o MP, PF, CGU e STF pra escaparem da cadeia e sufocar o combate á corrupção fortalecido pelos governos Lula e Dilma, que viraram os únicos alvos da Mídia/Justiça partidária, corporativa e corrupta; 2) realizar reformas neoliberais que destroem direitos dos trabalhadores, ao gosto do Pato Amarelo, do Mercado e da Mídia.

Já vimos esse filme no governo FHC, onde o país crescia para poucos. Estamos vendo isso novamente neste governo tucano temeroso. Se ilude quem acredita que a direita tem projeto de nação com objetivo de desenvolver o país para todos. Se isso fosse verdade, seríamos uma Suíça em 2002 e Lula nunca teria vencido. Quando que o braneleiro (brasileiro paneleiro) vai parar de acreditar no Homer do Jornal Manipulacional, pensar com a própria cabeça, relembrar a história, associar fatos, admitir que foi manipulado e fazer algo pra mudar esse país, senão agora, pelo menos em 2018?

Chris Penha, no FACEBOOK

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sábado, 9 de dezembro de 2017

Barbárie. Por Paulo Nogueira Batista Jr.




​O Estado de direito, as garantias individuais, o amplo direito à defesa, a proteção contra o abuso de autoridade, a presunção de inocência – tudo isso é como o ar que se respira, a água que se bebe. Só nos damos conta da sua importância vital quando nos são retirados.
​O Brasil parece caminhar a passos largos para um estado de exceção, em que prevalecerá o arbítrio, a truculência, o desrespeito aos direitos humanos. A barbárie avança a olhos vistos. Nos últimos dias, tivemos um ataque à Universidade Federal de Minas Gerais – episódio que parece fazer parte de uma ofensiva contra as universidades públicas.
Mais uma vez, assistimos ao abuso da prisão coercitiva do reitor e de professores da universidade, uma humilhação desnecessária e ilegal. Mais uma vez, integrantes do poder judiciário e da polícia federal se aliaram à mídia para fazer operação espalhafatosa e arbitrária de combate à corrupção. Soldados armados até os dentes, como se estivessem enfrentando perigosos inimigos, invadiram uma universidade para expor professores à execração pública.
​Ainda pior foi o que aconteceu há pouco tempo em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina. Prenderam o reitor Luiz Carlos Cancellier, sob a acusação de que ele estava obstruindo investigações. A mídia se encarregou de jogar o seu nome na lama, como corrupto e responsável por desvio de imensas somas. Na prisão, foi submetido a humilhações. Depois de solto, foi proibido de entrar na Universidade.
​O trabalho na Universidade era sua vida. Poucos dias depois, o reitor Cancellier atirou-se do alto de um shopping em Florianópolis. No bolso, trazia o bilhete: “A minha morte foi decretada quando me baniram da Universidade!!!”. Poucas coisas são mais importantes no Brasil hoje do que apurar o ocorrido na Federal de Santa Catariana e punir os responsáveis pelo abuso de poder.
​O caso do reitor Cancellier me tocou particularmente, leitor. É que há algumas semelhanças com o que eu mesmo vivenciei. Também sofri recentemente um processo administrativo irregular e arbitrário que levou a meu afastamento da vice-presidência no banco dos BRICS em Xangai. Dou nome aos bois. A iniciativa foi de alguns integrantes do governo brasileiro, nomeadamente do presidente do Banco Central, Ilan Goldfayn, acolitado por Marcello Estevão, um assessor irresponsável e bisonho do Ministro da Fazenda. Acusaram-me, sem base, de quebrar o código de conduta, em alguns artigos publicados nesta coluna. Acusaram-me, também sem qualquer base, de ter assediado moralmente um funcionário brasileiro, um certo Sergio Suchodolski, cuja demissão havia recomendado por desempenho pífio no período probatório.
Depois, acusaram-me, sem provas, de obstruir investigações. Negaram-me o direito de defesa. Fui condenado em uma reunião de diretoria, que ocorreu pelas minhas costas, quando estava em viagem de trabalho. Meus funcionários foram instruídos a não fazer qualquer contato comigo. Fui proibido de entrar no banco, e minha sala foi lacrada.
​Mas, enfim, poderia ter sido pior. Estou vivo, com saúde, próximo à família, aos amigos e aos correligionários. E disposto a fazer minha parte, por pequena que possa ser, na luta contra a maré ascendente da barbárie.

Paulo Nogueira Batista Jr. foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países.
Email: paulonbjr@hotmail.com
Twitter: @paulonbjr

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A Reforma da Previdência é realmente necessária? - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade





O governo procura assustar o País: Ou a Reforma da Previdência ou o Caos. Essa colocação é verdadeira? Penso que não.

O Estadão noticiou: “Planalto “gasta” R$ 43 bi por Previdência, mas tem dificuldade em convencer aliados”. Em outra manchete o mesmo jornal revelou: “Parlamentares pedem R$ 3 bi para aprovar reforma da Previdência”. Em outra notícia, sob o título de “BENESSES”, o Estadão diz que o governo perde R$ 22,8 bi em renúncia (sic) fiscal, com parcelamentos de dívidas para micro e pequenas empresas e com o FUNRURAL (para agradar a bancada ruralista, numerosa no Congresso). Por falar em renúncia fiscal, Fania Rodrigues, em reportagem à Caros Amigos, faz essa espantosa revelação: “Tratada como crime de menor intensidade pelo código penal brasileiro, as dívidas dos grandes sonegadores totalizam R$ 906 bilhões”. Leonardo Sakamoto, em seu Blog, comenta: “Há muitos ricos que afirmam, na maior cara de pau, que a sonegação é sua forma de protestar contra a alta carga tributária do país”.

Deve-se ainda ressaltar que Temer exigiu dos partidos aliados que fechem a questão, ou seja, que os deputados votem “na marra” ou perdem o mandato. Mesmo assim, há resistência. O Estadão (9/12) noticiou: “Vice-líderes do governo se dizem contra o projeto”. Na matéria consta: “Deputados que exercem função de liderança em partidos governistas na Câmara fazem duras (sic) críticas no texto em debate da reforma da Previdência e dizem que não estão dispostos a dar nova cota de sacrifício pelo governo Michel Temer. (...) Lúcio Mosquini, vice-líder do PMDB, -- que diz não ser o primeiro da fila para expulsão do PMDB caso mantenha o voto contra a reforma – considera que já deu sua “cota de sacrifício” pelo partido ao ajudar a livrar Temer de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas agora não pode “pagar sozinho”. “Não é hora de sacrificar meu mandato mais uma vez”, declarou.”

Com tanto dinheiro que o governo gasta para comprar votos para aprovar o projeto de Reforma da Previdência e também por não combater a sonegação daria para pagar o déficit da Previdência e ainda sobraria muito dinheiro! Então é uma mentira dizer que a Reforma é necessária!

ADVOGADOS: OS NOVOS RICOS DA LAVA-JATO – A Lava-Jato é péssima para uns e ótima para outros. Neste último caso se encontram alguns advogados. A revista VEJA, de 29/11, fez uma reportagem de capa, sob o título: “Os Novos Ricos da Lava-Jato – A história dos advogados que estão ganhando fortunas para defender empresários e políticos acusados de corrupção”. Na matéria, assinada por Ullises Campbell, faz essa revelação: “Aos 34 anos, Ticiano Figueiredo é um dos novos ricos. Em sua carteira de clientes figuram nomes como o ex-deputado Eduardo Cunha e os empresários Joesley e Wesley Batista”. O jornalista faz uma revelação espantosa: “ORDEM DOS ADVOGADOS MILIONÁRIOS DO BRASIL - Quanto custa ser defendido na Lava-Jato pelos profissionais mais estrelados: A REALEZA – Honorários de até 10 MILHÕES DE REAIS; A ELITE: Até 8 MILHÕES DE REAIS; OS EMERGENTES – Até 5 MILHÕES DE REAIS.” Outra revelação espantosa do jornalista: “Bretas é uma das mais jovens estrelas da geração Lava-Jato. Aos 35 anos (sic), trocou a sala de 40 metros quadrados no centro de Curitiba por um andar inteiro no mesmo prédio. “Desfruto de um padrão de vida que jamais sonhei ter”, admite. (...) Formado na Faculdade de Direito de Curitiba e filho único de um criminalista, ele hoje acompanha cerca de cinquenta processos da Lava-Jato relacionados a quinze clientes. Estima-se que já tenha embolsado em razão da operação algo na linha de 20 milhões de reais (sic)”. Sem comentário!

MARCO MACIEL - O jornalista Thiago Faria comenta no Estadão a biografia “Marco Maciel: um artífice do entendimento”, escrita por Angelo Castelo Branco. Segundo o comentarista, Maciel era tratado como “vice dos sonhos” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já a ex-presidente Dilma não pode dizer a mesma coisa de seu vice: Michel Temer. Este a traiu e tramou sua queda com o ex-deputado Cunha, hoje preso. Se fosse escrever a biografia do atual presidente, Angelo Castelo Branco daria o título: “Michel Temer: um artífice da Conspiração”. No comentário, essa triste notícia: “Hoje, aos 77 anos, diagnosticado com Alzheimer, não consegue pronunciar nem sequer uma palavra”. Triste fim de um político que foi, por oito anos, vice dos sonhos de FHC!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A voz muda das ruas



No período de 2013 a 2015 eu sabia de praticamente todos os aumentos de preços relevantes que ocorriam, fossem do tomate, do chuchu, do quiabo ou dos carros importados. E, claro, dos reajustes esporádicos dos combustíveis.
Nas escolas, nas ruas, nos campos e construções, o que eu mais escutava eram reclamações.
Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, aqui
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi
Pari, o que se reclamava das coisas não tava no gibi.
A voz rouca das ruas não dava uma trégua.
Hoje em dia está bem melhor.
Você pode sair de casa tranquilamente, pegar uma fila, esperar seu busão, dar aquele rolê despreocupado.
Ninguém vai alugar teus ouvidos.
Você pode até fazer uma experiência.
Vá até uma banca de jornais perto de sua casa, de preferência daquelas que expõem as capas dos jornais.
Naquela época que citei, esses locais era o que havia de mais próximo de uma ágora de reclamações. 
Locais cuja densidade reclamográfica era dos mais altos do país.
Hoje em dia alguém pode até comentar: "Xi, vai aumentar a gasolina de novo..."
Mas não terá aquele tom de revolta, de inconformismo, nem de contrariedade aos quais estávamos acostumados.
Aos poucos, tudo foi sendo apaziguado. A calmaria voltou a dar o tom do convívio social. 
Você pode tomar sua cervejinha na padaria, a TV ligada no Datena ou no Jornal Nacional, e ninguém estará fazendo discurso sobre os preços na feira.

Eu era jornaleiro e escutava lamuria e revolta o tempo todo. Eu sou jornaleiro e não escuto mais lamuria nem revolta. Conclusão: pra mim tá bom.

Oh, não é isto a felicidade?

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Quem bater em Lula em 2018 vai quebrar a cara. Por Alex Solnik

O Datafolha não mostra, mas está implícito nos seus resultados que a estratégia de Doria não funcionou.

Ele se apresentou como o anti-Lula. Partiu pra cima do líder das pesquisas. Não perdeu oportunidade de atacá-lo, até mesmo quando não havia relação alguma, como no episódio em que plantou uma árvore.

Achou que daria o maior ibope e seria aclamado pelos brasileiros por associar o “pau-brasil” com a “cara de pau” de Lula.

Foi caindo, caindo, caindo, até sair da disputa.

E a pontuação de Lula só fez subir.

Falar mal do Lula não está mais pegando tão bem assim. Todo mundo está vendo a diferença entre os verdadeiros corruptos, que amealharam centenas de milhões de dólares e depois de delatar a torto e a direito estão presos em suas mansões cinematográficas e Lula, acusado de receber um apartamento de 200 metros quadrados e a reforma de um sítio em Atibaia, apesar de ter sido presidente da República por oito anos e ser apontado como “chefe de quadrilha”.

Um “capo di tutti capi” que mora num apartamento de classe média em São Bernardo do Campo, um pouco melhor que o sitiozinho do ex-presidente uruguaio apontado como exemplo de ética na política em todo o mundo.

Por mais que algumas autoridades do Poder Judiciário levem a sério esse enredo, e o façam tramitar, a população, em peso – não só os petistas – percebe aos poucos que não aparece conta secreta no exterior, nem mansão, nem iate, nem Lamborghini em nome de Lula.

Se ele está rico, onde está a sua fortuna? Em que buraco negro ele a esconde? E por que não usufrui?

A pesquisa Datafolha manda um recado para os candidatos: quem bater em Lula em 2018 vai quebrar a cara.

ALEX SOLNIK, no Facebook
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sábado, 2 de dezembro de 2017

A fuga planejada de Sérgio Moro



MORO ESTÁ FUGINDO

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.


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Desabafo de Mara Gabrilli (PSDB-SP): “Aécio me fez de boba” - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) é cadeirante (paraplégica). Ela concedeu uma entrevista à jornalista Marcela Mattos (revista VEJA, 29/11) e desabafou: ”Estou Envergonhada”. A revista revela: “Aos 50 anos, Mara Gabrilli cumpre seu segundo mandato de deputada federal. Eleita com 155.000 votos, ela diz viver sua maior desilusão com o PSDB, partido ao qual pertence desde 2003, sobretudo depois que vieram à tona as denúncias contra o tucano Aécio Neves. “Talvez eu tenha sido ingênua em relação ao Aécio”, admite”.

A VEJA perguntou: “A senhora sempre foi crítica à corrupção no PT. O que acha dos últimos episódios envolvendo o PSDB?” Mara respondeu: “Fiquei bem desiludida desde que veio à tona a história do Aécio Neves. Logo na sequência, encontrei um cadeirante na entrada da Câmara, começamos a conversar e, a certa altura, ele me perguntou qual era meu partido. Foi a primeira vez que não senti orgulho de dizer que era o PSDB. Talvez tenha sido ingênua, principalmente em relação ao Aécio” VEJA perguntou: “Por que?” . A deputada respondeu: “Em 2015, procurei o senador para fazer uma denúncia. Tinha a ver com pagamento de propina, pacotes de dinheiro. Fiquei duas horas falando sobre o envolvimento de pessoas do PSDB com criminosos. (...) Ele disse que não conhecia ninguém, que infelizmente nem todos no PSDB eram honestos com nós dois (sic). Ele me fez de boba”. Depois a revista perguntou: “A senhora ficou surpresa ao tomar conhecimento do diálogo em que o senador Aécio Neves pede dinheiro ao empresário Joesley Batista?”. Mara: “Fiquei com vergonha. Depois dessa história de 2015, comecei a ficar meio cabreira com ele. Mas há outras coisas que aconteceram em Minas Gerais. Marcos Valério, o operador do mensalão [tucano], em uma das visitas que fiz a ele na cadeia, me contou de pessoas que, em nome do PSDB, ofereceram dinheiro para que ele se calasse e não revelasse a corrupção no partido no acordo de delação que está tentando fazer. Para mim, isso foi o estopim. Eu sempre disse que o PT matava [referindo-se ao caso de Celso Daniel). Agora, no entanto, não duvido de nada de nenhum partido, inclusive do meu”. Este é o desabafo da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Coisa rara entre os políticos!

MDB ou ARENA? – O PMDB, neste mês de dezembro, em convenção pretende tirar o “P”, transformando-se em MDB. A pergunta que se faz é: MDB ou ARENA? Bernardo Mello Franco, no artigo “O MDB virou Arena”, publicado na FOLHA, responde essa pergunta. O que se vai ler a seguir é a opinião do jornalista.

“A comissão de ética do PMDB expulsou a senadora Kátia Abreu. É uma notícia surpreendente. A esta altura do campeonato, ninguém seria capaz de imaginar uma comissão de ética no PMDB. (...) O partido acusa a ruralista de indisciplina por suas críticas ao governo Temer. Ela diz que foi banida porque não compactuou com as práticas do grupo que está no poder. “Lutei pela democracia no partido, mas os corruptos (sic) venceram”, disse. (...) “A mesma comissão de ética não ousou abrir processo contra membros do partido presos por corrupção (sic) e crimes contra o país”, acrescentou. Não é preciso simpatizar com Kátia para reconhecer que ela tem razão. (...) Há muito tempo, o PMDB se esforça para bater seus próprios recordes em modalidades previstas no Código Penal. No ano passado, a Lava Jato começou a recolher alguns campeões. A operação prendeu caciques como Eduardo Cunha, Geddel Viera Lima, Henrique Eduardo Alves e Sérgio Cabral.” Bernardo termina assim o seu texto: “No mês que vem [dezembro], a sigla fará uma convenção nacional para mudar de embalagem. Vai aposentar o P e voltar a se chamar MDB, como nos tempos em que fazia oposição à ditadura militar. Talvez fosse mais honesto adotar o nome da Arena, que proibia qualquer contestação ao regime”.

O PMDB deve mudar o nome para MDB ou ARENA? Pelo visto, o nome certo deveria ser ARENA!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 25 de novembro de 2017

Quadrilhão do PMDB rouba o Rio. Artigo de Jasson de Olliveira Andrade


De todos os acusados de corrupção o que está em situação pior é o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, que se encontra preso. Para comemorar um ano da prisão dele, houve uma comemoração. O Estadão noticiou: “Manifestantes fizeram um ato ontem [17/11], no Rio para “comemorar” um ano de prisão do ex-governador Sérgio Cabral, condenado por três vezes na Lava Jato um total de 72 anos (sic) de prisão”. O mesmo jornal noticia: “Penas de até 300 (sic) anos ameaçam Cabral”. Fato inédito no Brasil!

Já o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi condenado a mais de 14 anos por corrupção e se encontra preso...

Agora outros políticos cariocas, todos do PMDB, também foram presos por 24 horas: deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio; o líder do governo, deputado Edson Albertassi e o deputado Paulo Melo. Eles são acusados de formação de quadrilha (sic), lavagem de dinheiro e recebimento de propina de empresas de transporte urbano.

Ao comentar essas prisões na Assembleia do Rio, Eliane Cantanhêde, no artigo “O Rio de Janeiro chora”, comenta: “A Lava Jato explodiu esquemas em vários Estados do País, inclusive no DF, mas nada tão AVASSALADOR quanto no Rio, pela abrangência, pelos valores (sic) e pela diversidade de órgãos, partidos, personagens. Onde o MP, PF e a Justiça mexem, há escândalos. Nada escapa. (...) O símbolo disso é o ex-governador Sérgio Cabral, que se arvorava até candidato à Presidência da República, enquanto dilapidava o patrimônio público e vivia como magnata com sua mulher, Adriana Ancelmo. Só faltou um apartamento com R$ 61 milhões em dinheiro vivo. (...) Não escapam nem os secretários de Cabral, nem mesmo Sérgio Côrtes, da Saúde. Da Saúde!!! (...) Os desmandos no Rio, que continua lindo, não se resumem ao Executivo. O presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso com dois outros deputados estaduais e é a ponta de um iceberg. Dá para imaginar as falcatruas na Alerj? E na família Picciani? São três filhos: Leonardo, ministro de Dilma e de Temer, Rafael, deputado estadual, e Felipe, empresário, que também foi preso. (...) É também do Rio o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, um outro peixe graúdo a cair na rede da Lava Jato na Baía da Guanabara e agora passando um tempo [mais de 14 anos de prisão] em Curitiba. Mas grandes, médios e pequenos empresários brilham nesse cardume”. Cantanhêde termina assim o seu texto: “Só falta o Cristo Redentor chorar.”

Bernardo Mello Franco, no artigo “O Rio capturado pelo crime”, publicado na FOLHA, escreve: “No filme “Tropa de Elite 2”, o personagem Coronel Nascimento sobe à tribuna do Palácio Tiradentes e diz que a maioria dos deputados estaduais do Rio deveria estar na cadeia. A vida imitou a arte e nesta quinta-feira [16/11], quando a Justiça Federal mandou prender toda a cúpula da Assembleia Legislativa. (...) O presidente da Casa. Jorge Picciani, foi o primeiro a se entregar à polícia. Também foram em cana o seu antecessor, Paulo Melo, e o atual líder do governo, Edson Albertassi. Todos pertencem ao PMDB de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, responsáveis pela falência (sic) do Estado. (...) Agora estão no xadrez [já saíram, mas podem voltar] que comandaram a Assembleia nos últimos 22 anos. Isso ajuda a explicar o grau de APODRECIMENTO da política fluminense, carcomida por máfias e milícias. A sensação é de que as instituições do Estado foram todas capturadas pelo crime [Quadrilhão do PMDB]. Não à toa, as investigações que pegaram Cabral e seus comparsas correm apenas na esfera federal. (...) A prisão de Picciani, acusado de receber R$ 83 milhões do cartel dos ônibus, joga luz sobre a corrupção nos transportes. O esquema já operava na década de 80, quando o governador Leonel Brizola ENCAMPOU as empresas do setor. A medida seria revertida por Moreira Franco (sic), que terminou seu mandato condecorando os chefes do jogo do bicho”.

Josias de Souza comenta o antecedente da libertação dos deputados cariocas: “Congelaram-se as investigações contra Michel Temer. Enfiaram-se no freezer também as denúncias contra os ministros palacianos Moreira Franco e Eliseu Padilha”. Sem comentário!

Mauricio Dias, na CartaCapital, também analisa essa situação: “A Operação Cadeia Velha, extensão da Lava Jato desencadeada no Rio de Janeiro, exterminou (sic) a vida política do PMDB fluminense. (...) Desaparecem, assim, Sérgio Cabral, ex-governador, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Fernado Pezão, atual governador, e o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, que, provavelmente, lamenta o fim da possibilidade de disputar o governo do estado. (...) Sobra apenas um peemedebista carioca, Moreira Franco, ministro de Temer, sujeito a ser preso quando sair do poder”.

Será que a Operação Cadeia Velha vai acabar com o “Quadrilhão do PMDB” do Rio de Janeiro? Como sempre digo: A CONFERIR!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo, quando o Tribunal Regional Federal do Rio decidiu, por unanimidade (5 a 0), o restabelecimento da prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Os três já se entregaram à Polícia Federal após a decisão do colegiado. A decisão final ficará com o Supremo. Vamos aguardar!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 18 de novembro de 2017

Tucanos se bicam: “Fora, Aécio”. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Os tucanos se bicam. Motivo: sair ou não sair do governo Temer. Incrível, mas é verdade! O inimigo do tucano é também tucano: Aécio X Tasso Jereissati. Parece mentira. No entanto, é verdade...

A FOLHA (12/11), no Editorial, sob o título “Ruína tucana”, portanto opinião do jornal, comenta esse dilema: “Depois de ensaiar algumas vezes sua ruptura com o governo Michel Temer (PMDB), sem chegar a conclusão nenhuma, o PSDB se encontra agora na situação irônica de ver considerada como oportuna, pelo próprio Planalto, a dispensa dos seus serviços ministeriais. (...) É o que indicam, ao menos, as noticiais de bastidores de Brasília. Segundo reportagem desta FOLHA, o presidente já não se empenha tanto em manter os tucanos na administração federal, em nome da paz em sua coalização. (...) Antes de qualquer decisão presidencial, no entanto, o PSDB tratou de aprofundar sua crise na quinta-feira (9/11), quando o senador Aécio Neves, DA ALA PRÓ-TEMER, destituiu seu colega e oponente Tasso Jereissati (CE) da presidência interina da legenda. (...) Já é espantoso que o político mineiro, FLAGRADO EM CONDUTA INDEFENSÁVEL, não tenha se retirado de cena por iniciativa própria ou de seus correligionários. Que ainda preserve tamanha influência dá ideia de quanto os tucanos podem tolerar desmandos gritantes (...) Alegando ter solicitado nada mais que empréstimos pessoais [recebidos por malas!] e ter proposto nada além da venda de um apartamento a Joesley Batista, da JBS, Aécio Neves prossegue incólume no cargo, no partido e NAS SUAS FRÁGEIS EXPLICAÇÕES.” O jornal termina assim o seu Editorial: “Dividido entre suas figuras luminares e seus nomes turvos, entre mensaleiros e donzelões, o PSDB periga naufragar – e, humilhação suprema, NEM MESMO TEMER FAZ MAIS QUESTÃO DE SUA COMPANHIA.”. Sem comentário!

Bernardo Mello Franco constatou: “Depois de perder quatro eleições presidenciais, os tucanos pareciam ter caminho aberto para voltar ao poder em 2018. Em vez de aproveitar o vento a favor, o partido se enroscou na impopularidade de Temer e NOS ROLOS DE AÉCIO COM A POLÍCIA. Perdeu espaço para Jair Bolsonaro e outros aspirantes ao papel de Anti-Lula”. O ex-deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), fundador do partido, foi contundente em seu comentário: “O PSDB como instrumento de modernização acabou. Estamos no velório e em breve será o sepultamento. Pede-se evitar o envio de flores”.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), também comenta a briga do PSDB: “A chance de vitória do PSDB, em 2018, é ser o fator de agregação do centro político. Estamos jogando tudo isso pela janela. Se não percebemos isso, a disputa vai ficar entre Lula e Bolsonaro, E O LULA SERÁ ELEITO TRIUNFALMENTE”.

O Estadão (14/11) publicou com destaque na primeira página: “PSDB deixa Cidades e Temer antecipa reforma ministerial – Bruno Araújo pede demissão e é o primeiro tucano a deixar o governo em meio à grave crise que atinge o partido”. Eliane Cantanhêde comenta no mesmo jornal: “A demissão de Bruno Araújo abre a porta de saída do PSDB do governo, implode o centro e deixa Michel Temer a mercê do Centrão”.

Um fato merece destaque. O Estadão noticiou: “Em convenção paulista [PSDB de São Paulo], tucanos gritam “Fora, Aécio”. Deve-se lembrar que Aécio em 2014 obteve uma votação consagradora em São Paulo. Venceu aqui e perdeu em Minas Gerais, seu Estado. Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão, relembra: “O Brasil inteiro considerava Aécio imbatível em Minas, que governou duas vezes, mas ele perdeu o primeiro e o segundo turno para Dilma Rousseff no Estado e seus candidatos para o governo e depois para a prefeitura de Belo Horizonte. Sua liderança política parece esfarelar. Ou não era tanta quanto se imaginava”. E sua vitória estrondosa no Estado de São Paulo também está sendo contestada com o “Fora, Aécio” dos tucanos paulistas! Será o seu fim político? Na Convenção do PSDB mineiro, ele declarou que será candidato, sim, em 2018: para o Senado (reeleição) ou para o governo do Estado. A CONFERIR!

QUADRILHÃO DO PMDB ROUBA O RIO – O PMDB do Rio de Janeiro formou um “quadrilhão”, que está roubando o Estado. Fazem parte do “quadrilhâo”, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-deputado Cunha e agora Picciani, presidente da Assembléia Legislativa e mais dois parlamentares, todos do PMDB. Esta história escabrosa ficará para outro artigo.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Propinoduto da Globo pela transmissão da Copa

O empresário argentino Alejandro Buzarco negociava direitos de transmissão. Agora, em Nova York delata no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Buzarco delatou a Globo. Disse: a Globo pagou propina para comprar diretos de transmissão de Copas e campeonatos.

Delatou também a Televisa, gigante mexicana, a Fox, de Rupert Murdoch, a Full Play, argentina, e a espanhola Mediapro. Que negocia direitos no mercado europeu.

Em novembro de 2015, Jamil Chade lançou o livro "Política, Propina e Futebol". Jamil, correspondente do Estadão na Suíça há 18 anos.

Em fevereiro de 2016 relatamos aqui, neste espaço: a página 77 desse livro seguia invisível... (E ainda segue)...

Na página 77 a revelação de procuradores suíços: foi paga propina pelos direitos de transmissão das copas 2002 e 2006.

Naquelas Copas, direitos para o Brasil foram comprados pela Globo.

Agora Buzarco delata: a Globo teria pago propina de US$ 15 milhões pela exclusividade dos direitos para 2026 e 2030.

Licitações e resultados para 2026 e 2030 não tornados público pela Fifa. Porque sequer se escolheu onde serão tais Copas.

A Globo assegura: fez auditoria interna, nunca pagou propina e "não é investigada" no caso...

...O FBI não investiga empresas. Investiga pessoas. Não investiga a FIFA, investiga o Blatter. Não investiga a CBF, e sim Ricardo Teixeira, Del Nero, Marin...

O FBI está investigando ex-funcionários da Globo nesse setor. O principal deles, Marcelo Campos Pinto, ex-diretor que negociava pela Globo.

Todos deixaram a Globo entre 2013 e 2016. Marcelo Campos Pinto, à época da prisão de Marin pelo FBI.

Ao menos quando deixou a emissora, Campos Pinto não teria assinado termo de responsabilidade.

Das emissoras do mundo, Campos era o único que se hospedava, ao mesmo tempo, onde estavam dirigentes da FIFA: o hotel Baur Au Lac, em Zurique.

Marcelo Campos Pinto era conselheiro do Comitê de Mídia da Fifa e negociador dos direitos de transmissão para a Tv Globo.

O Jornal Nacional informou não ter conseguido falar com Marcelo Campos Pinto. E a Globo assegura que propinas não foram pagas.

Ricardo Teixeira e Del Nero seguem exilados no Brasil, intocáveis. Mas... tem o Nuzman...


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[ Parte 13 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


O jornalista Silvio Navarro consumiu todas as páginas do livro “Celso Daniel, política, corrupção e morte no coração do PT” para cristalizar uma mentira conceitual que, de tão repetida antes mesmo de lançar aquela sequência de páginas recheadíssimas de ficção, tornou-se verdade aos olhos, ouvidos e mentes populares. 

Que mentira é essa que vira verdade? A de que o empresário e primeiro-amigo do então prefeito de Santo André fora o mandante do assassinato que abalou o Brasil naquele 20 de janeiro de 2002, domingo, quando foi anunciado que aquele corpo estendido numa estrada de terra batida na periferia da Região Metropolitana de São Paulo era de Celso Daniel. O primeiro-amigo é Sérgio Gomes da Silva. Há exatamente um ano ele morreu num leito de hospital.

Sérgio Gomes da Silva recebeu da força-tarefa do Ministério Público o codinome estigmatizador de “Sérgio Sombra”. Tudo para caracterizar a imagem de um bandido a ser crucificado em todas as praças. Sérgio Gomes era conhecido nos bastidores da Prefeitura de Santo André como Sérgio-Chefe. “Sombra” não constava das relações oficiais de Sérgio Gomes. Integrava o léxico de alguns adversários do petista. Era próximo de Celso Daniel como ninguém.  

Sempre que se falar da atuação de Sérgio Gomes da Silva no caso Celso Daniel é preciso lembrar que tanto a Policia Civil de São Paulo, em três investigações, quanto a Polícia Federal, em uma, jamais o apontaram como mandante do crime, como insistiu literalmente até a morte o Ministério Público Estadual. E insistirá sempre que o crime for objeto de tratamento da mídia. 

Bode expiatório do MP
Sérgio Gomes da Silva foi o bode expiatório de uma operação que logrou inteiro êxito, determinada pelo grupo de estratégia política do governador Geraldo Alckmin logo após a estrondosa repercussão do sequestro seguido de assassinato.

A criminalização de Sérgio Gomes da Silva, que passou as últimas horas daquela sexta-feira com o então prefeito de Santo André, num restaurante da Capital, foi a fórmula encontrada pelos tucanos para jogar a bomba da espetacularização do crime no colo petista. E também, ou principalmente, uma réplica de guerrilha eleitoral de lideranças petistas por conta do estado lamentável do setor de Segurança Pública no Estado. Na guerra político-eleitoral (as eleições para governador do Estado e para a presidência da República seriam disputadas oito meses depois) quem pagou caro foi Sérgio Gomes da Silva.

Não se encontrará jamais no livro de Silvio Navarro um capitulo que, mais que o registro, contextualize o assassinato de Celso Daniel ao ambiente de Segurança Pública em frangalhos que, principalmente a Região Metropolitana de São Paulo, vivia. Era o caos. A morte de Celso Daniel teve repercussão internacional e levou o governador a alterar a política no setor. Substituiu um secretário defensor dos Direitos Humanos desde os tempos de Mário Covas, titular do Palácio dos Bandeirantes, por um secretário de linha-dura. A imprensa favorável à versão de crime de encomenda, municiada pela força-tarefa dos promotores criminais instalados em Santo André, raramente situou o crime ao estado de penúria do ambiente criminal sobretudo na Região Metropolitana de São Paulo.

Ambiente criminal desprezado
O jornalista que produziu um livro pontuado de imprecisões, omissões e tantas outras imperfeições para vender a mensagem de que o crime fora cometido intelectualmente por Sérgio Gomes da Silva, por conta das então supostas propinas na Prefeitura dirigida por Celso Daniel, reservou poucas linhas ao ambiente criminal de São Paulo naquele janeiro de 2002. Leiam: 

No Estado de São Paulo, a segurança pública era justamente o calcanhar de Aquiles do PSDB na época, às voltas com índices de criminalidade alarmantes. Na virada do século, o território paulista vivia uma onda crescente de sequestros. Foram 321 casos em 2002, contra 227 em 2001 e 63 em 2000. Quem morava em São Paulo andava perturbado com o temor de acordar num cativeiro e os meios de comunicação lembravam isso todos os dias. A capa do jornal Folha de S. Paulo da segunda-feira, dia 21, foi praticamente toda dedicada ao crime. “Morte de prefeito sequestrado piora crise na segurança de São Paulo” era a manchete. (...) O PSDB estava muito preocupado com o impacto daquele crime nas urnas. Tanto que o próprio governador paulista, ao lado de seu secretário de Segurança Pública, Marcos Vinício Petrelluzzi, que deixaria o cargo em 22 de janeiro, não descartou a tese petista de que a morte poderia ter razão política; “Não podemos ignorar que é o segundo prefeito importante do partido assassinado – disse Alckmin”. 

Editorial da Folha de S. Paulo 
Silvio Navarro poderia ter rebocado às páginas do livro o Editorial da Folha de S. Paulo daquela edição de 21 de janeiro de 2002. Leiam o que a Folha escreveu sob o título “Segurança no cativeiro”: 

O sequestro e a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, encaixam-se perfeitamente na sequência de atos audaciosos e brutais que o crime organizado vem perpetrando no Estado de São Paulo. Se houve motivação politica no assassinato, hipótese que não pode ser descartada, então algo de inominável gravidade terá sido acrescido à vida pública do país. Na noite de sexta-feira, Celso Daniel foi sequestrado na zona sul da cidade de São Paulo. Na final da manhã de ontem, seu cadáver foi encontrado em Juquitiba (a 78 quilômetros da capital), crivado de balas. Dos sequestradores pouco se sabe. De suas intenções, idem. Ao que consta, nenhum contato foi feito com a família do prefeito do PT. Houve ligações de um grupo obscuro para o telefone celular do senador Eduardo Suplicy. Mas as autoridades as tomaram como uma ação de pessoas que nada teriam a ver com o crime, mais uma ousadia oportunista da bandidagem. 

Mais Editorial da Folha 
Em setembro, outro prefeito petista, Antonio da Costa Santos, de Campinas, foi morto a tiros em circunstâncias até agora não esclarecidas. Essa coincidência impele as autoridades policiais a investigarem também a hipótese de crime político. Como sempre, depois de arrombada a porta, se recorre ao cadeado. Foi preciso que a ousadia do banditismo organizado chegasse ao ponto de sequestrar e assassinar o político que cumpria seu terceiro mandato na direção da maior cidade do ABC Paulista para que o governo do estado se movesse. Geraldo Alckmin marcou para hoje uma reunião em caráter de urgência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lá pretende apresentar novas propostas para a segurança pública. Mais policiais nas ruas, recompensa para quem denunciar criminosos e unificação das policias estariam entre elas. É tarde, infelizmente, para preservar a vida de Celso Daniel e a de tantas outras vítimas da violência que se expande sem parar nas grandes cidades brasileiras. Mas é preciso reagir.

Artigo de Vinícius Freire
É claro que o escopo do livro escrito por Silvio Navarro não abria espaço ao contraditório e, principalmente, à realidade dos fatos nos sentido mais amplo da expressão. Na mesma Folha de S. Paulo daquela segunda-feira, 21 de janeiro de 2002, o jornalista Vinicius Torres Freire escreveu sobre o assassinato de Celso Daniel sob o título “Terror e terrorismo em São Paulo”. Leiam: 

 “O que mais pode acontecer” e “Pode ter sido qualquer coisa” são uma pergunta e uma resposta que escapam a toda hora da boca dos brasileiros aterrorizados pela bandidagem descarada, os paulistas em particular. Muita vez ditas em tom de incredulidade rotinizada e vazia, tais palavras no entanto parecem muito adequadas a nós, que nos assemelhamos a pessoas em estado de choque, brutificadas por medo ou violência tão difusos quanto absolutos. É o balbucio dos desorientados, de quem não vê mais razão ou saída para o terror que é ou pode ser vítima, aleatório e desvairado. O terrível assassinato de Celso Daniel pode ser obra de terrorismo político. Que dois prefeitos do PT tenham sido mortos em cinco meses pode ser também obra de coincidências, pois tanta gente é violentada e morte. Qualquer terror parece possível mas, ainda que bestificados, sabemos de onde ele vem. Vem da desmoralização de normas e de instituições, em parte tomadas pelo crime, público ou privado. Da tolerância com facínoras, em especial da tolerância exemplar com facínoras ricos e poderosos. Da fartura de armas de fogo.

Mais artigo de Vinicius Freire 
A política é podre e apodrece na mansuetude com que é tratada pelos governos, vide a leniência tucana com insubordinações e ousadias de policiais paulistas; vida fábulas como o “plano de segurança” de FHC natimorto há dois anos. A bandidagem ri desabrida das cadeias de onde foge, voando ou sob a terra, ou que toma em rebeliões rotineiras e controla com a carceragem cúmplice. A desordem se vê na criação de milícias particulares à matroca – privatizaram a polícia. Difunde-se com narcomáfias, umas já instaladas em governos, parlamentos e Justiças. O horror vicejou enfim na grande desesperança do Brasil de 20 anos de crise, no cinismo que prosperou quando a expectativa de vida decente tornou-se objeto de ridículo, pois gerações cresceram em meio à desigualdade social extrema, expropriadas de valores, dignidade e de futuro, no país mais injusto do mundo. 

Artigo de Fernando Rodrigues 
Ainda naquela edição de 21 de janeiro de 2002, um dia após o enterro do corpo de Celso Daniel, é bom lembrar insistentemente, também na página de artigos da Folha de S. Paulo, o jornalista Fernando Rodrigues escreveu sobre o caso, sob o título “O assassinato e a eleição”. É claro que Silvio Navarro não fez qualquer menção ao artigo. Leiam: 

Uma morte pode alterar o desfecho de uma eleição. Em 1988, a Prefeitura de São Paulo estava nas mãos de Paulo Maluf. As mortes de três operários em Volta Redonda, numa greve da CSN, ajudaram a então petista Luiza Erundina a vencer a disputa na reta final. É evidente que Erundina não foi vitoriosa por causa de Volta Redonda. Mas é inegável a ajuda indireta que o lamentável episódio lhe prestou. A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, de forma bárbara, terá consequências políticas neste ano eleitoral. Ainda é impossível precisar quais serão os efeitos nas urnas. Só não resta um centímetro de dúvida sobre o uso eleitoral – aliás, legítimo – que o PT fará daqui para a frente do debate sobre segurança pública. É justo o PT priorizar o assunto. Trata-se de uma das principais preocupações da sociedade em grandes centros. Além disso, vários petistas foram vítimas diretas da violência no Estado de São Paulo. Já há dois prefeitos mortos (de Santo André e de Campinas). Outros dois estão vivos, mas foram alvos de atentados (nas cidades de Catanduva e Embu). 

Mais artigo de Fernando Rodrigues 
“Vamos mobilizar a sociedade. A segurança pública tem de virar prioridade” diz o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu. “Vamos convidar a população a usar roupas brancas. Vamos fazer manifestações. Pedir que o comércio feche as portas por um período como forma de protesto”, exemplifica o deputado Aloizio Mercadante, candidato ao Senado pelo PT de São Paulo. E não é só isso. “Está prometido”, disse o deputado José Genoino, candidato petista ao governo de São Paulo, ao responder a um pedido do locutor esportivo Milton Neves, numa entrevista ao vivo para a rádio Jovem Pan, no início da tarde – pouco antes do jogo do Corinthians. A promessa ouvida pelos torcedores: apresentar um projeto de lei para aumentar a pena de prisão contra sequestradores. O PT, aos poucos, encontra seu novo discurso deste século 21. 

Editorial do Estadão 
Para completar, embora a oferta de exemplares de manifestações de jornalistas e especialistas em segurança pública seja imensa quando do assassinato de Celso Daniel, o jornalista Silvio Navarro poderia ter recorrido ao Editorial (espaço nobre de opinião de uma publicação) do concorrente da Folha de S. Paulo, o jornal O Estado de São Paulo, do dia 22 de janeiro, dia seguinte ao enterro do corpo de Celso Daniel. Ali está um retrato bem acabado do estado de penúria da Segurança Pública paulista, situação que, mais tarde, foi confirmada pelas investigações policiais como gênese do sequestro e do assassinato de Celso Daniel. Repasso integralmente aquele Editorial: 

O sequestro e o assassinato do prefeito Celso Daniel provocaram a justa indignação da população e dos políticos, despertando nos últimos a lembrança de que existem parados no Congresso projetos que poderiam, se estivessem aprovados há mais tempo, ter contribuído para interromper a onda de violência que aterroriza as cidades brasileiras e São Paulo, em particular. O crime hediondo que vitimou Celso Daniel está tendo grande repercussão por ter sido ele três vezes prefeito de Santo André, coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos políticos mais populares e queridos do Interior paulista. Muitas outras pessoas tiveram o mesmo destino trágico de Celso Daniel sem que houvesse a comoção popular que marca esse caso. Assaltos, sequestros, homicídios tornaram-se parte do cotidiano dos paulistas e foi preciso que alguém com o perfil do prefeito de Santo André fosse vítima de um crime bárbaro – que assim como o que vitimou o prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, em setembro, não parece ter tido conotação político-ideológica – para que abalasse a letargia em que as autoridades estaduais pareciam estar diante da ousadia crescente dos criminosos. 

Mais Editorial do Estadão 
Os níveis extravagantes a que chegou o crime em São Paulo – resultado direto da cumulativa incompetência de sucessivos governos – autorizam dizer que as cada vez mais ousadas façanhas do banditismo até superam, em matéria de vítimas e de efeitos profundos sobre o cotidiano de milhões de pessoas, o ataque terrorista sofrido pelos americanos em setembro. Daí não ser exagerado que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Geraldo Alckmin falem, agora, em guerra contra o crime. Mais do que declarar a guerra, no entanto, é preciso travá-la com eficiência e pertinácia – até agora não demonstradas pela polícia – para que os bandidos de toda espécie saibam que os tempos da impunidade acabaram e o crime, finalmente, não compensa. 

Mais Editorial do Estadão 
É preciso definir e pôr em prática o quanto antes as medidas capazes de prevenir e reprimir, com a máxima dureza autorizada em lei, a escalada de banditismo. Cita o governador paulista a torto e a direito o número de sequestradores presos ou mortos. Mas o fato é que no ano passado houve 307 sequestros no Estado, perto de cinco vezes mais do que em 2000. Há um limite para a sociedade suportar o cativeiro que lhe impuseram os malfeitores, as grades que a cercam em casa e no trabalho, a necessidade de elaborar estratégias de sobrevivência cada vez mais complicadas e psicologicamente onerosas. Há um limite também para a desmoralização do Estado, para o seu fracasso em cumprir o que é literalmente o seu dever elementar – garantir a vida das pessoas. 

Mais Editorial do Estadão 
Esse limite foi ultrapassado muito antes da tragédia deste domingo. Mas, para não ser apenas uma tragédia a mais, o assassínio de Celso Daniel precisa representar um divisor de águas. Infelizmente, não há razão para apostar nesse resultado. A flacidez, a falta de doutrina, de articulação, de comando, de profissionalismo e de energia no combate ao crime no Estado; o envolvimento de policiais civis e militares com os bandidos; a naturalidade com que a Secretaria de Segurança Pública registra as dezenas de homicídios que ocorrem todo fim de semana na Grande São Paulo; a notícia inacreditável de que, três dias depois do resgate aéreo de dois presos em Guarulhos, a polícia ainda não tinha o retrato falado dos sequestradores do helicóptero utilizado na operação – tudo isso evidencia um descalabro que não mais pode ser tolerado pela população.

Mais Editorial do Estadão 
Quem viu o governador de São Paulo no domingo falando na televisão sobre as medidas que irá adotar imediatamente para conter a criminalidade ficou com a impressão de que ele estava admitindo tacitamente o descalabro a que chegou a segurança pública em São Paulo. A pena de prisão perpétua para os sequestradores, o bloqueio dos bens das vítimas de sequestros e de seus familiares e o controle da venda de telefones celulares pré-pagos são medidas de regulamentação federal. Mas a oferta de recompensa para quem der informações que levem à captura de sequestradores consta de lei aprovada no ano passado e até agora não regulamentada pelo governador. A contratação de seis mil estagiários para ocupar funções burocráticas que estão sendo desempenhadas por policiais militares – que serão liberados para policiar as ruas – não é ideia nova e sua implementação depende apenas de um ato administrativo do governador. Explica-se a perplexidade de Alckmin diante da brutalidade de que foi vítima Celso Daniel. O que não se explica é a demora em adotar medidas tão comezinhas para aumentar a eficiência do combate ao crime.



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